O router da operadora fica quase sempre na sala, junto à televisão – é o hábito e onde normalmente faz mais sentido. E é aí que a instalação é mais fácil para os técnicos. O problema é que o sinal Wi-Fi perde força à medida que atravessa paredes.
Quando chegas às divisões mais longínquas, a internet fica lenta, a conexão cai ou nem sequer apanhas rede.
Em Portugal, as paredes grossas e as estruturas de alvenaria são os principais inimigos do sinal sem fios. Antes de gastares dinheiro num router novo sem saber o que estás a comprar, vale a pena olhar para o que realmente funciona nos vários casos.
Os repetidores baratos podem não resolver o problema
A primeira reação de muita gente é ir à loja e comprar um repetidor de sinal Wi-Fi de 15€ ou 20€. Na prática, estes aparelhos criam uma rede separada, cortam a velocidade da tua internet pela metade e aumentam o tempo de resposta da conexão.
Se queres resolver o assunto de vez, há alternativas que garantem mais facilmente a velocidade contratada.
1. Sistema Wi-Fi Mesh: a melhor opção sem fios
Um sistema Wi-Fi Mesh usa dois ou três aparelhos espalhados pela casa que comunicam entre si. Em vez de criarem redes diferentes, criam uma única rede com o mesmo nome e palavra-passe. Quando andas pela casa, os telemóveis e portáteis mudam para o ponto com melhor sinal de forma automática e sem interrupções.
Kits compatíveis com Wi-Fi 6 ou Wi-Fi 7 (como os modelos TP-Link Deco ou ASUS ZenWiFi) ligam-se facilmente ao router e garantem melhor estabilidade. Basta desligar o Wi-Fi original do router da operadora e deixar a rede Mesh gerir o tráfego da casa.
2. Usar os cabos da antena da TV (Tecnologia MoCA)
Quase todas as casas e apartamentos em Portugal têm tomadas de cabo coaxial para a antena de televisão espalhadas pelas várias divisões. O que pouca gente sabe é que podes usar esses cabos para passar dados de internet com alta velocidade.
Com um par de adaptadores MoCA 2.5, ligas um adaptador ao router e à tomada de TV mais próxima, e o outro à tomada de TV da divisão onde precisas de internet. Do outro lado, ficas com uma ligação por cabo capaz de entregar até 2,5 Gbps, onde podes ligar diretamente o computador ou um ponto de acesso Wi-Fi. As paredes de betão deixam de ser um obstáculo porque o sinal viaja por dentro do cabo.
No entanto, há pontos a considerar:
- Aparelhagem e repartidores (splitters): Para o sinal passar de uma divisão para a outra, os cabos passam por um repartidor de sinal (geralmente escondido numa caixa na parede, como o ATI). Os repartidores antigos em Portugal costumam cortar frequências acima de 1000 MHz. O MoCA 2.5 opera em frequências mais altas (geralmente entre 1125 e 1675 MHz). Terás provavelmente de substituir os repartidores antigos por modelos compatíveis com frequências até 2 GHz ou 2,4 GHz.
- Compatibilidade com operadoras: Se o teu serviço de TV (da NOS, MEO ou Vodafone) injetar sinal de RF (televisão digital sem box) nos mesmos cabos coaxiais da casa, o MoCA pode coexistir, mas requer filtros específicos (Filtros PoE - Point of Entry) para garantir que o teu sinal de internet não "foge" para a rua ou interfere com os vizinhos.
- Preço dos equipamentos: Em Portugal e na Europa, os adaptadores MoCA 2.5 não são muito comuns nas lojas físicas tradicionais e tendem a ser relativamente caros (um par de adaptadores de marcas como ScreenBeam/Actiontec ou goCoax custa geralmente entre 120 € e 180 €).
3. Reciclar um router antigo que já não uses
Se tens em casa um router antigo que não esteja em uso, podes dar-lhe uma segunda vida sem gastar nada. Basta ligar esse router ao router principal através de um cabo de rede Ethernet e configurá-lo no modo Ponto de Acesso (Access Point).
Nas definições do router antigo, desativas o servidor DHCP, atribuis um endereço IP da mesma gama da rede principal e dás ao Wi-Fi o mesmo nome e chave de segurança. Desta forma, passas a ter um segundo ponto de emissão de sinal na divisão mais distante, aproveitando equipamento que já tinhas.
4. Aproveitar as tubagens do ITED para passar um cabo de rede
Nas habitações construídas ou remodeladas nos últimos anos em Portugal, a infraestrutura de telecomunicações (ITED) já inclui tubagens técnicas e tomadas RJ45. Se a tua casa tem estas tubagens, a solução mais sólida passa por passar um cabo de rede Cat6 do router até à divisão pretendida.
A ligação por cabo não sofre interferências de vizinhos, não perde velocidade com a distância e mantém o tempo de resposta mínimo. Nessa divisão, podes ligar o cabo diretamente ao computador, à consola ou a um pequeno emissor Wi-Fi.
5. Extensores inteligentes das operadoras
Se não queres gerir nem configurar equipamentos próprios, as principais operadoras em Portugal disponibilizam soluções de Wi-Fi gerido em regime de aluguer mensal ou compra:
- MEO: Extensores MEO Smart Wi-Fi.
- NOS: Serviço Wi-Fi Total.
- Vodafone: Serviços como Fiber to the Room.
A vantagem destas ofertas é a integração direta com as aplicações móveis das operadoras, a otimização automática dos canais de frequência e o suporte técnico incluído em caso de falha.
Para quem procura simplicidade e flexibilidade, um sistema Wi-Fi Mesh é o investimento mais rentável a longo prazo. Se a casa tem paredes de betão muito densas ou vários pisos, tirar partido das tomadas de TV (MoCA) ou passar um cabo de rede pelas tubagens garante o máximo rendimento da fibra que estás a pagar todos os meses.