NVIDIA e AMD são atualmente duas das principais referências quando falamos de placas gráficas dedicadas para computadores gaming.
Na prática, ambas conseguem oferecer um excelente desempenho, mas seguem estratégias ligeiramente diferentes. A NVIDIA tem apostado bastante no ray tracing, inteligência artificial e no ecossistema DLSS, enquanto a AMD continua a apostar nas Radeon e em tecnologias como o FSR.
Por isso, dizer simplesmente que uma marca é melhor do que a outra seria demasiado redutor. Tudo depende do tipo de computador que estás a montar e, sobretudo, do orçamento disponível.
A NVIDIA continua muito forte no ray tracing
Se o teu objetivo passa por jogar com ray tracing ativado, as placas GeForce continuam a ser uma das opções que deves analisar com atenção.
Uma das grandes armas da fabricante é o NVIDIA DLSS, um conjunto de tecnologias que utiliza inteligência artificial para aumentar o desempenho e melhorar a qualidade da imagem.
A NVIDIA tem continuado a reforçar esta aposta e, em setembro, o DLSS 5 chegou às placas GeForce RTX Série 50, introduzindo uma nova tecnologia de renderização neural pensada para tornar elementos como iluminação, pele, cabelo e materiais mais realistas.
Estas tecnologias podem tornar-se particularmente importantes quando jogas com resoluções elevadas ou ray tracing ativado, reduzindo parte da carga colocada sobre a placa gráfica.
Mas a AMD também evoluiu bastante
Do outro lado está a AMD, que tem no FidelityFX Super Resolution, ou FSR, uma das suas principais tecnologias para aumentar o desempenho nos jogos.
A geração mais recente é conhecida como AMD FSR "Redstone" e junta várias tecnologias baseadas em machine learning, incluindo upscaling, geração de fotogramas e melhorias aplicadas ao ray tracing.
Segundo a própria AMD, algumas destas funcionalidades estão direcionadas sobretudo para as Radeon RX Série 9000, embora existam componentes do FSR compatíveis com gerações anteriores.
Isto significa que a diferença entre NVIDIA e AMD já não se resume simplesmente a uma ter tecnologias de inteligência artificial e a outra não. As duas fabricantes estão a utilizar cada vez mais estas ferramentas para tentar melhorar o desempenho e a qualidade gráfica.
Mesmo assim, a compatibilidade varia de jogo para jogo, pelo que convém verificar quais destas funcionalidades estão disponíveis nos títulos que costumas jogar.
Mais VRAM pode fazer diferença
Outro ponto importante é a VRAM, ou seja, a memória dedicada da placa gráfica.
Jogos modernos com texturas em alta resolução podem utilizar quantidades consideráveis de memória, principalmente quando jogas a 1440p ou 4K.
É por isso que não deves comparar duas placas olhando apenas para o nome ou para a geração. Uma gráfica com mais memória não é automaticamente mais rápida, mas ter pouca VRAM pode tornar-se uma limitação em determinados jogos e definições gráficas.
Se estás a montar um computador que pretendes manter durante vários anos, este é um dos pontos que merece atenção.
E para edição de vídeo, Blender ou inteligência artificial?
Aqui a escolha pode mudar bastante. A NVIDIA tem a vantagem do ecossistema CUDA, utilizado por várias aplicações profissionais, programas de renderização e ferramentas de inteligência artificial. Isso não significa que uma Radeon não sirva para trabalhar.
Aplicações como DaVinci Resolve e Blender também conseguem tirar partido de placas gráficas AMD. No entanto, se vais utilizar programas profissionais específicos, o melhor é verificares primeiro qual o tipo de aceleração suportado pelo software antes de comprares a placa gráfica.
Qual escolher para 1080p, 1440p ou 4K?
A resolução em que vais jogar deve ter um peso importante na escolha da placa gráfica, porque quanto maior for a resolução, maior será o esforço exigido ao GPU.
Para 1080p, não precisas necessariamente de uma placa gráfica topo de gama. Aqui faz mais sentido procurar uma solução equilibrada entre preço e desempenho, capaz de manter bons FPS sem pagares por potência que provavelmente não vais aproveitar.
Em 1440p, a exigência já aumenta de forma considerável. A placa gráfica precisa de processar mais píxeis e, por isso, modelos com mais desempenho e uma quantidade confortável de VRAM começam a fazer mais sentido, sobretudo se quiseres jogar com definições gráficas elevadas.
Já em 4K, a exigência sobe bastante. Aqui, desempenho bruto, memória disponível e tecnologias de upscaling como DLSS ou FSR podem fazer uma diferença muito maior, principalmente nos jogos mais pesados ou com ray tracing ativado.
Também deves ter em conta a taxa de atualização do monitor. Jogar a 1080p e 60 Hz é muito diferente de tentar atingir 144 ou 240 FPS num monitor de alta frequência. Ou seja, a resolução não é o único fator: o número de FPS que queres alcançar também deve entrar nas contas.
Então, NVIDIA ou AMD?
Não existe uma resposta que sirva para todos. Se valorizas bastante ray tracing, DLSS ou aplicações que dependem de CUDA, uma GeForce pode fazer mais sentido para o teu computador.
Por outro lado, se estás principalmente interessado em gaming, vale a pena comparar os modelos Radeon equivalentes dentro do mesmo orçamento. Dependendo do preço praticado no momento da compra, uma placa AMD pode oferecer mais memória ou um desempenho bastante competitivo.
Mais importante do que escolher uma marca é comparar modelos concretos dentro do mesmo intervalo de preço. No final, a melhor placa gráfica não é necessariamente a mais potente. É aquela que oferece o desempenho e as funcionalidades de que realmente precisas sem ultrapassar o teu orçamento.