
| Componente | Detalhe |
|---|---|
| Sensor e sensibilidade | Sensor ótico Pixart PAW3222 com resolução de até 4000 DPI |
| Formato e ligação | Design ambidestro dobrável; Bluetooth multiponto até 3 aparelhos |
| Bateria e carregamento | Autonomia para até 1 mês; 1 minuto de carga USB-C dá até 22 horas de uso |
| Compatibilidade | Windows, macOS, Linux, ChromeOS, Android e iPadOS (Fast Pair e Swift Pair) |
| Suporte de software | Personalização de atalhos e botões na aplicação Logi Options+ |
O conceito de um rato concebido para se dobrar em movimento não é inédito e faz lembrar de imediato o clássico Arc Mouse da Microsoft. A Logitech pega na premissa dobrável e coloca o Mobi Fold no mercado nacional por cerca de 80 euros nas cores preto, cinzento, branco e lilás (corte de teste). O objetivo é preencher um espaço muito específico entre os periféricos móveis.
Quem procura conforto para passar oito horas diárias em frente ao monitor tem no MX Master 4 a referência ergonómica da indústria. Caso o objetivo seja um rato pequeno mas com formato de concha tradicional e scroll físico perfeito, o MX Anywhere continua a ser a alternativa sensata.
Este Mobi Fold posiciona-se num escalão diferente. É para quem coloca a redução milimétrica de espaço acima de tudo o resto e quer livrar-se do trackpad do computador portátil com a máxima agilidade. E apesar de dobrável, revela robustez no uso diário.

Design, transporte e ergonomia
O mecanismo de dobradiça é a estrela deste periférico. Quando o fechas, o Mobi Fold reduz-se a metade e assume as proporções de um estojo de auriculares sem fios. A verdade é que fica pronto a enfiar no bolso sem sobressair.
O gesto mecânico funciona como interruptor de energia: basta desdobrar para o aparelho ligar e emparelhar, ou fechar para desligar e poupar bateria. Para evitar toques involuntários ao arrumar, a marca incluiu um sistema que desativa de imediato os botões assim que o rato deixa de estar apoiado numa superfície.
No pulso, a experiência divide opiniões. O corpo ambidestro é fino e leve, proporciona cliques silenciosos ideais para bibliotecas ou salas partilhadas. Contudo, o apoio de palma é quase inexistente, o que obriga a adotar uma pega em garra ou na ponta dos dedos.

Utilizadores habituados a ratos anatómicos vão sentir estranheza nas articulações após duas ou três horas ininterruptas de uso. O que reforça a ideia de que este formato foi pensado para intervenções rápidas em viagem e não para tarefas intensivas de secretária.
Navegação e software
No lugar da habitual roda de deslocamento mecânica encontramos um painel tátil com deslocamento adaptativo. Esta é a faceta menos conseguida do produto, a meu ver. A ausência de um clique físico ou de um ressalto tátil tira precisão em folhas de cálculo e o scroll nem sempre reage com a agilidade pretendida. Vai exigir alguma habituação no deslizar do dedo.
O sensor ótico Pixart de 4000 DPI traz um rastreamento competente e sem falhas em superfícies de madeira, metal ou toalhas de mesa improvisadas. Com o software Logi Options+, consegues redefinir ações dos botões, ajustar a velocidade do ponteiro e configurar atalhos específicos por aplicação.

Além do Bluetooth com suporte a Swift Pair no Windows e Fast Pair no Android, o rato suporta recetores Logi Bolt USB-A e USB-C. No entanto, esses adaptadores têm de ser adquiridos à parte. O cabo de carregamento também.
Autonomia e carregamento
Quando fui à primeira apresentação deste produto, ainda em protótipo, fiquei logo com o receio de que algo tão fino sacrificasse a autonomia. Mas a bateria interna esteve à altura das exigências. Ao longo de duas semanas de teste com uso esporádico, nunca precisei de o ligar ao cabo. A marca assegura até um mês de utilização contínua numa única carga, algo alinhado com a realidade dos testes.
A inclusão da porta física USB-C na extremidade fornece carregamento sem necessidade de andar com pilhas descartáveis na mala. O sistema de carregamento rápido é outro trunfo. Com apenas um minuto ligado à corrente consegues recuperar energia suficiente para cerca de 22 horas de utilização, o que resolve qualquer imprevisto antes de entrar numa reunião ou apanhar um comboio.

Para quem é o Logitech Mobi Fold
- Profissionais nómadas e estudantes que trabalham frequentemente em cafés, aeroportos ou espaços de coworking;
- Utilizadores que viajam apenas com mala de mão e precisam de poupar cada centímetro de espaço;
- Quem procura um segundo rato portátil para acompanhar o computador portátil fora do escritório;
- Pessoas que precisam de alternar rapidamente o rato entre vários aparelhos como portátil, tablet ou telemóvel.
Não é para... utilizadores que passam o dia inteiro no escritório e necessitam de apoio ergonómico robusto para a mão, quem depende do controlo tátil rigoroso e clique mecânico de uma roda de scroll convencional, utilizadores habituados ao descanso de pulso e botões laterais avançados de um rato estilo MX Master ou quem procura um rato primário para edição multimédia pesada ou sessões de videojogos

Conclusão
O Logitech Mobi Fold cumpre a promessa de ser um dos ratos mais fáceis de transportar alguma vez criados. A capacidade de se dobrar ao meio até ao tamanho de uma caixa de auriculares, aliada ao ligar automático na abertura e a um mês inteiro de autonomia com carga rápida por USB-C, transforma-o no acessório de viagem de eleição para despachar trabalho em qualquer lugar.
As concessões existem e devem ser tidas em conta antes da compra. A barra de toque que substitui a roda de scroll peca pela falta de precisão mecânica e o perfil achatado cansa a mão se a sessão de produtividade se arrastar por muitas horas.
Com um preço a rondar os 80 euros, assume-se como um complemento móvel de excelência para andar permanentemente na mala e que faz figura sempre que o desdobramos. O trabalho pesado de secretária fica a cargo de modelos desenhados com a ergonomia em primeiro lugar.
