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Conduzimos o Polestar 4 com dois motores: não deixa ninguém indiferente

Polestar 4

Polestar 4
★★★★☆4Bom

A versão Dual Motor Long range do Polestar 4 tem uma potência notória face à versão base. Perde-se alguma autonomia e há consumos mais elevados, mas ganha-se em divertimento e aceleração se isso for uma prioridade para ti. É um carro grande e pesado, pouco direcionado para a cidade, mas extremamente confortável e agradável de conduzir em longas viagens. Arranca muitos olhares curiosos e a câmara a substituir o espelho retrovisor continua a ser uma função que divide opiniões.

Prós
  • Entrega de potência instantânea impressiona
  • Alto nível de equipamento, espaço e conforto premium para todos os passageiros
  • Sistema operativo Android Automotive com opção de Apple CarPlay
  • Bastante confortável de conduzir em autoestrada e ótima insonorização
Contras
  • Sem espelho retrovisor; câmara requer habituação
  • Muitas funções, como climatização, implicam uso do ecrã central
  • Tamanho de quase 5 metros é pouco amigo da cidade e estacionamentos mais apertados
Característica Detalhe
Autonomia Até 590 km (WLTP)
Potência 400 kW / 544 cv (Dual Motor)
Aceleração 0-100 km/h em 3,8 segundos
Carregamento 10-80% em 30 minutos (pico de 200 kW)
Sistema operativo Android Automotive (Apple CarPlay disponível)

Depois de ter testado a versão Single Motor, chegou a altura de colocar as mãos no volante do Polestar 4 Long range Dual motor. Este SUV coupé 100% elétrico continua a dar que falar pela sua aposta arrojada de eliminar por completo o vidro traseiro, mas nesta configuração específica, o que realmente rouba as atenções é a potência de um verdadeiro desportivo disfarçada de carro de família.

À data de publicação deste ensaio, a Polestar tem em marcha uma campanha interessante em Portugal. A versão base está a começar nos 50 900 euros, já com IVA incluído. No entanto, o verdadeiro chamariz é esta versão Dual Motor, que arranca nos 53 900 euros. Por uma diferença de apenas três mil euros, o salto mecânico e de desempenho pode colocar qualquer potencial comprador a olhar seriamente para o topo da gama.

Fiz mais de 450 km para perceber se a força destes dois motores elétricos compensa os consumos.

Polestar 4

Design e construção

O Polestar 4 é um autêntico íman de olhares e a estética não deixa ninguém indiferente. Com 4840 mm de comprimento e uma largura de 2,13 metros (com os espelhos abertos), é um veículo que impõe um enorme respeito na estrada. A silhueta aerodinâmica e o teto panorâmico criam um ambiente de casulo premium no interior. O conforto a bordo é excelente e até há lugar a massagens nos bancos dianteiros.

A já famosa ausência de vidro traseiro continua a ser o principal tema de conversa onde quer que estaciones. A marca sueca argumenta que esta decisão permitiu estender a estrutura do tejadilho e recuar o pilar traseiro. A verdade é que fornece um melhor um espaço vertical para quem viaja atrás.

Polestar 4

A visibilidade é boa para fora do veículo, embora haja uma noção diferente de profundidade. O que muda é sempre que quiseres olhar para os bancos traseiros (por exemplo para vigiar crianças), o espelho não está lá; há que virar o pescoço. A qualidade de construção a bordo é irrepreensível, com opções de estofos que vão do MicroTech derivado de biomassa à pele Nappa, um nível de luxo condizente com o segmento.

Tecnologia e infoentretenimento

A aliança tecnológica com a Google é bem-vinda neste modelo. O sistema operativo Android Automotive é o cérebro do enorme ecrã central de 15,4 polegadas. Ter o Google Maps, o Waze, o Spotfiy e dezenas de outras aplicações nativas torna a navegação e a experiência multimédia, que é suportada por um impressionante painel de instrumentos de 10,2 polegadas atrás do volante.

Polestar 4

Não há Android Auto, que na verdade não vais necessitar, pois com o Android Automotive tens todas as apps necessárias, mas há suporte a Apple CarPlay. O reverso da medalha deste sistema é a ausência de botões físicos para algumas das funções diárias. Ajustar os espelhos retrovisores exteriores, mudar a direção do fluxo de ar do habitáculo ou ajustar a climatização obriga sempre a toques no ecrã central, o que te força a desviar o olhar da estrada.

Quanto ao espelho retrovisor interno, que é um ecrã digital de 8,9 polegadas ligado a uma câmara HD no tejadilho, tem um campo de visão desimpedido interessante para quando fazemos marcha-atrás à saida de estacionamentos. Contudo, os teus olhos precisam de uma fração de segundo constante para reajustar o foco, algo que pode causar fadiga visual à noite ou com chuva intensa.

Polestar 4

Desempenho e experiência de condução

É aqui que os 53 900 euros mostram o seu valor. O Polestar 4 Dual Motor está equipado com dois motores elétricos que debitam 400 kW (544 cv) de potência e generosos 686 Nm de binário máximo. O sistema de tração integral atira este carro de 2355 kg dos 0 aos 100 km/h em escassos 3,8 segundos. A aceleração é daquelas que te cola ao banco e é bom avisares os restantes passageiros quando a queres demonstrar.

Para domar este peso e esta potência, a marca recorreu a amortecedores ZF ativos controlados continuamente, que leem a estrada e adaptam a suspensão em tempo real. O resultado é um carro muito bem plantado em curva e de um grande conforto em autoestrada, que 'come' quilómetros em silêncio.

Polestar

A fatura a pagar sente-se na cidade. Os quase cinco metros de comprimento e o círculo de viragem de 11,64 metros transformam as manobras em garagens antigas, parques subterrâneos apertados ou o percurso em centros históricos num exercício de grande paciência (e perícia, às vezes), por muito que as excelentes câmaras 360º tentem ajudar.

Polestar 4

Bateria, autonomia e carregamento

Alimentar dois motores com 544 cv exige energia. A bateria com 100 kWh de capacidade promete uma autonomia WLTP de até 590 km para esta versão Dual Motor, um corte face aos 620 km anunciados para a versão de motor único. Na vida real, alternando entre a condução em cidade e autoestrada, podes apontar o teu percurso para algo entre os 350 (com mais autoestrada) e os 400 quilómetros (com mais cidade) de alcance.

Para este modelo, a marca anuncia entre 19 a 21,7 kWh/100 km de consumos, dependendo do tipo de uso que vais dar. Em cerca de 450 km durante os meus testes, a média de consumo ficou-se pelos 19,8 kWh/100 km, bem dentro das marcas que a marca propõe nos seus números oficiais.

Polestar 4

O carregamento é competente. A arquitetura elétrica permite atingir picos de 200 kW em corrente contínua (CC), o que se traduz num carregamento dos 10% aos 80% em 30 minutos. Se optares pelo carregamento em corrente alternada (CA) a 11 kW, uma carga completa demora 11 horas, ideal para ligar em casa durante a noite.

Espaço de bagageira e habitabilidade

A habitabilidade do Polestar 4 é um dos seus pontos mais fortes. A bagageira principal fornece 526 litros de capacidade, espaço mais do que suficiente para as malas das férias. Com os bancos traseiros rebatidos, esse volume cresce para os 1536 litros. De forma inteligente, a marca incluiu um pequeno compartimento dianteiro (o conhecido frunk) de 15 litros, bom para arrumares os cabos de carregamento sem ocupares espaço no resto da bagagem.

Polestar 4

Para quem é o Polestar 4 Dual Motor Long range

  • Queres o desempenho e a aceleração de um desportivo aliadas ao espaço de um SUV familiar;
  • Valorizas uma interface nativa Google e um interior com acabamentos verdadeiramente premium;
  • Costumas fazer longas viagens em autoestrada onde a insonorização e o poder de ultrapassagem reinam.

No entanto, não é para ti se tens uma garagem muito apertada ou vives e conduzes quase exclusivamente no centro de cidades com ruas antigas, és um purista que não suporta a ausência de um espelho retrovisor real e detesta controlar o ar condicionado através de ecrãs ou se a prioridade máxima é a autonomia total e o menor consumo possível, onde modelos como o Hyundai Ioniq 5 ou o Tesla Model Y podem fazer mais sentido.

Polestar 4

Conclusão

O Polestar 4 Dual Motor Long range é ousado sem deixar de ser sólido. Ao abdicar do vidro traseiro em prol do design e da habitabilidade, o veículo exige uma natural curva de aprendizagem tecnológica ao condutor, mas compensa essa adaptação com níveis muito aceitáveis de conforto a bordo.

Considerando a campanha em vigor que fixa o preço desta versão de 544 cavalos nos 53 900 euros, o salto financeiro de apenas três mil euros face ao modelo de entrada torna a escolha por esta configuração de tração integral quase irrecusável. Este SUV é uma das propostas de alto desempenho mais atrativas do segmento premium atual, caso decidas abraçar uma condução apoiada em espelhos digitais e controlos nos ecrãs táteis.

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Bruno Coelho
Bruno Coelho
Está no 4gnews desde 2017, onde dá asas à sua paixão por escrever sobre tecnologia. Já fez mais de 300 reviews a equipamentos, visitou fábricas de smartphones na China e marcou presença em alguns dos grandes eventos tecnológicos, como o Mobile World Congress e IFA. É editor-chefe desde 2025.