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O teu carro elétrico pode não arrancar mesmo com 80% de bateria. Eis o porquê

Um carro elétrico pode ter bastante autonomia disponível e, ainda assim, não arrancar. A culpa pode estar numa pequena bateria auxiliar que continua a ser essencial.

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Fonte: unsplash

Quando pensamos num carro elétrico, é natural associarmos a bateria àquela que aparece no painel e que determina a autonomia disponível. No entanto, essa não é a única bateria presente no veículo.

O teu carro elétrico também tem uma bateria auxiliar

Além da bateria principal de alta tensão, muitos carros elétricos continuam a utilizar uma bateria auxiliar de 12 V, responsável por alimentar vários sistemas elétricos do automóvel.

É esta bateria que ajuda a alimentar componentes como iluminação, sistemas eletrónicos, multimédia e alguns dos sistemas necessários para colocar o carro em funcionamento. A Polestar explica que a bateria de 12 V alimenta o sistema elétrico primário do automóvel, enquanto a bateria de alta tensão é utilizada sobretudo para alimentar o sistema de propulsão.

É por isso que pode surgir uma situação aparentemente estranha: a bateria principal pode indicar 80% de carga, mas o carro pode não conseguir arrancar se a bateria auxiliar estiver descarregada ou apresentar uma avaria.

Porque é que uma bateria de 12 V consegue impedir o carro de arrancar?

Ao contrário de um carro a gasolina ou diesel, um elétrico não precisa de utilizar a bateria de 12 V para fazer girar um motor de arranque tradicional. Ainda assim, o sistema de baixa tensão continua a ter um papel fundamental.

Antes de o sistema de alta tensão ser ativado, vários módulos eletrónicos do automóvel precisam de receber energia. Se isso não acontecer, o veículo pode simplesmente não conseguir iniciar normalmente.

A própria Polestar confirma que uma bateria de 12 V descarregada pode impedir o automóvel de arrancar, mesmo que exista energia disponível na bateria principal. Ou seja, os 80% apresentados no painel referem-se à bateria de tração. Não indicam necessariamente o estado da bateria auxiliar.

A bateria principal não devia manter a de 12 V carregada?

Em condições normais, sim. Os carros elétricos conseguem utilizar energia da bateria principal para manter a bateria auxiliar carregada. No entanto, isso não significa que esta fique completamente protegida contra falhas.

Uma bateria auxiliar pode degradar-se com o tempo, perder capacidade ou apresentar problemas elétricos. Um período prolongado sem utilização também pode contribuir para uma descarga em determinados modelos.

A Hyundai, por exemplo, utiliza sistemas capazes de monitorizar a carga da bateria auxiliar e recorrer à bateria principal quando necessário. Ainda assim, a marca alerta que estes sistemas podem não conseguir evitar uma descarga caso a bateria esteja degradada ou exista outro problema elétrico.

Tal como acontece nos carros a combustão, uma bateria auxiliar também tem uma vida útil limitada. No caso da bateria principal, o desgaste funciona de forma diferente. Já explicámos quando a degradação da bateria de um carro elétrico começa a tornar-se mais evidente.

Os sintomas podem não ser apenas o carro não arrancar

Uma bateria auxiliar fraca pode provocar outros comportamentos antes de impedir completamente o arranque. Dependendo do modelo, podem surgir avisos no painel, falhas em sistemas eletrónicos, problemas no fecho central ou dificuldades em utilizar algumas funcionalidades do automóvel.

A Tesla explica que uma bateria de baixa tensão degradada pode fazer com que algumas funcionalidades deixem de estar disponíveis e, numa situação mais grave, impedir o veículo de voltar a arrancar.

Isto ajuda a perceber porque é que uma bateria relativamente pequena continua a ser tão importante num automóvel equipado com uma bateria de tração com dezenas de kWh.

Nem todos os carros elétricos utilizam a mesma solução

Apesar de se falar habitualmente em bateria de 12 V, nem todos os carros elétricos utilizam exatamente o mesmo tipo de bateria auxiliar.

Alguns modelos continuam a recorrer a baterias convencionais de chumbo-ácido, enquanto outros já utilizam soluções de iões de lítio ou sistemas com tensões diferentes. A Tesla, por exemplo, utiliza diferentes tipos de bateria de baixa tensão consoante o modelo e o ano de produção. Por isso, os procedimentos de assistência também podem variar.

Isto significa que não é recomendável assumir que todos os carros elétricos podem ser tratados da mesma forma quando surge um problema de bateria auxiliar.

O que fazer se o carro tiver carga mas não arrancar?

Se o carro ainda apresentar autonomia disponível, mas não conseguir arrancar ou apresentar vários problemas elétricos, a bateria auxiliar é uma das causas que pode valer a pena verificar. No entanto, o procedimento correto depende sempre do automóvel.

Alguns modelos permitem utilizar uma fonte externa ou um booster para alimentar temporariamente o sistema de baixa tensão. Outros possuem pontos de ligação e procedimentos específicos definidos pelo fabricante.

Por isso, antes de tentar qualquer intervenção, o mais seguro é consultar o manual do veículo ou contactar a assistência da marca.

E há uma regra importante: nunca deves tentar intervir diretamente na bateria principal ou nos componentes de alta tensão. Estes sistemas trabalham com tensões elevadas e qualquer intervenção deve ficar a cargo de profissionais qualificados.

No final, os 80% apresentados no painel podem estar perfeitamente corretos. A bateria principal pode ter energia suficiente para percorrer centenas de quilómetros e, ainda assim, uma pequena bateria auxiliar ser suficiente para impedir o carro de arrancar.

Miguel Vieira
Miguel Vieira
Miguel Vieira é colaborador no 4gnews com formação em Programação e Multimédia. Cobre tecnologia, gaming e mobilidade elétrica, com presença em eventos como a Web Summit, Lisboa Games Week, ECarShow e SAHE.