A partir de 1 de dezembro, quem entregar um frigorífico, uma arca congeladora, um ar condicionado ou uma televisão usada na compra de um aparelho novo tem direito a um desconto: 25 € nos frigoríficos e arcas, 35 € nos aparelhos de ar condicionado e 20 € nas televisões.
A notícia voltou esta semana por causa da Zero, que elogia a medida, mas tem dúvidas de que chegue inteira até ao momento da troca. Para ti, o que conta é que os valores são pequenos e que a Black Friday vem antes da data de arranque.
Como funciona, sem complicações
O desconto pode ser aplicado no momento da compra, ou a loja devolve o valor até cinco dias úteis depois de receber e validar o aparelho antigo. O novo equipamento tem de ser da mesma categoria daquele que entregas, mas a loja pode aceitar uma categoria diferente, se quiser. Já explicámos as regras no nosso artigo de maio.
Há três pontos a reter:
- O aparelho velho tem de estar completo e inteiro. Sem motor, desmontado ou partido, não conta.
- Antes de 1 de dezembro não há desconto nem reembolso. Até lá podes pedir à loja que leve o aparelho antigo, mas sem qualquer valor em troca.
- Nem todas as lojas vão participar. Estão previstos regulamentos complementares para definir os pontos de recolha e a adesão dos estabelecimentos, por isso confirma sempre se a loja é aderente.
25 € não é o desconto que decide a compra
Numa TV de 55" como a Xiaomi TV Pro, os 20 € representam cerca de 5%. Nos frigoríficos, a proporção é parecida. Compara com o que as lojas já fazem. Durante a campanha Dias Sem IVA da Worten, o frigorífico combinado LG GBBS716CMB baixou de 679,99 € para 552,84 €, ou seja, 127 € de diferença. Nos Bonus Days de maio, o cupão dava 25% extra em grandes eletrodomésticos.
O que podemos ler disto é que o incentivo é um extra, não uma razão para adiar uma compra. O ar condicionado é a exceção, porque 35 € pesam muito mais num aparelho barato. Por exemplo, o Cecotec ForceClima 7100 já esteve abaixo dos 150 € na Amazon, e aí o desconto passa os 20%.
A Black Friday chega primeiro
A Black Friday arranca a 27 de novembro, quatro dias antes do incentivo. Quem comprar nessa altura não recebe os 25 €, e o que importa é o preço final. Uma diferença superior a 25 € ganha ao incentivo. Se quiseres perceber como decidir, temos um artigo sobre comprar agora ou esperar pelo pico.
O que os apoios anteriores nos ensinam
O programa E-Lar funcionou porque o voucher era usado na loja, sem adiantar dinheiro, e a primeira fase esgotou rapidamente, tendo sido reaberta em dezembro com mais 51,6 milhões de euros. Já o Vale Eficiência, com candidaturas complexas, tinha pago menos de 3% das candidaturas quando foi cancelado em fevereiro.
Esta é uma lição que vem em dupla. O desconto direto no balcão tende a funcionar, mas o dinheiro público para eletrodomésticos acaba depressa.
Neste caso, o Fundo Ambiental paga durante dois anos e a portaria não indica a verba disponível. Soma-se o historial: o Volta devia ter arrancado em janeiro de 2022 e só começou em abril de 2026, e a Zero teme que este incentivo seja alterado ou adiado. Quem quer os 25 € deve contar com o início de dezembro, e não com o fim do ano.
Guias para escolheres antes de dezembro
- Televisões: as melhores TVs qualidade/preço em 2026, como escolher uma TV e as 12 melhores TVs baratas.
- Ar condicionado: os 6 melhores climatizadores e AC portátil e o Midea PortaSplit, que se instala sem furar paredes.
- Black Friday: a campanha da Radio Popular já tem data.
Um problema maior do que 25 €
Segundo o Público, Portugal recolheu apenas 32% dos resíduos eletrónicos colocados no mercado em 2024, quando a meta europeia era 65%.
A partir de 2027, a Zero avisa que o país pode pagar 1000 € por cada tonelada não recolhida, o que dá mais de 200 milhões de euros por ano. É por isso que o Governo quer testar incentivos, e a associação defende um sistema de depósito para telemóveis, carregadores e auscultadores, que continua em cima da mesa.
Até lá, guarda o aparelho velho inteiro e pergunta se a loja é aderente antes de pagares.