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Não queres que a DIGI saia de Portugal? Já há uma petição e podes assinar

A possível saída da DIGI de Portugal pode custar até 3,5 mil milhões de euros aos consumidores em 15 anos. Uma petição pública soma mais de 1200 assinaturas e exige que a ANACOM trave a renovação de espectro à MEO, NOS e Vodafone.

Imagem: Unsplash com logo oficial da DIGI
Imagem: Unsplash com logo oficial da DIGI

A possível saída da DIGI do mercado português já fez soar os alarmes entre os consumidores. Uma nova Petição Pública, que conta com mais de 1200 assinaturas, exige que a ANACOM reconsidere a renovação automática dos direitos de utilização de espectro da MEO, NOS e Vodafone.

O que motivou a polémica

O movimento de cidadãos surge poucos dias depois de a quarta operadora ter admitido abandonar o país caso o regulador mantenha o atual rumo antes de 2027. O centro da polémica está na gestão do espectro radioelétrico.

Este é o recurso que determina a cobertura, a capacidade e a qualidade das redes móveis. A Autoridade da Concorrência (AdC) já tinha alertado que a proposta da ANACOM para renovar as licenças das três operadoras históricas pode bloquear o crescimento da DIGI e impedir a entrada de novos concorrentes.

O que pede a petição

Os autores da petição pedem que o regulador siga as recomendações da AdC, o que passa por dois pontos essenciais:

  • Travar a renovação direta nas faixas dos 800 MHz, 2100 MHz e 2600 MHz, privilegiando novos leilões competitivos;
  • Reduzir o prazo de renovação até 2033 nas faixas dos 800 MHz e 1800 MHz, impondo obrigações de acesso às redes para proteger a concorrência.

Telecomunicações mudaram bastante desde 2024

Para justificar esta tomada de posição, o documento recorda o estado das telecomunicações em Portugal antes da chegada comercial da empresa romena.

Em julho de 2024, quando travou a compra da NOWO pela Vodafone, a AdC concluiu que o alinhamento de ofertas entre MEO, NOS e Vodafone resultava em preços médios cerca de 21% mais caros face a um mercado concorrencial. Na prática, estavas perante uma perda estimada para os consumidores na ordem dos 349 milhões de euros por ano.

A descida seletiva de preços após a entrada da DIGI é outro argumento forte citado na iniciativa. Embora a presidente da ANACOM tenha reconhecido ao jornal Expresso, em dezembro de 2025, que a nova operadora ajudou a baixar as faturas, a mesma responsável já tinha admitido ao ECO, um ano antes, que as marcas low-cost UZO, WOO e Amigo reduziam os valores "apenas onde a DIGI está".

Nessa altura, a líder do regulador descreveu a tática da MEO, NOS e Vodafone como um jogo para "proteger a rainha e mexer no peão".

O texto da petição sublinha que não deves depender da rua ou do concelho onde moras para ter acesso a tarifas justas. O receio dos subscritores é que uma renovação prolongada das frequências reduza a pressão sobre as três grandes operadoras e empurre o país de volta para os preços praticados antes de 2024.

Do lado da DIGI, um estudo encomendado à Lisbon Economics estima que o abandono do mercado nacional custaria aos bolsos dos portugueses até 3,5 mil milhões de euros ao longo de 15 anos. A petição desmonta ainda a ideia de que mais concorrência trava o desenvolvimento das infraestruturas no país.

Com base em dados da própria ANACOM de 2021 e declarações ao ECO em 2023 do antigo presidente do regulador, João Cadete de Matos, os cidadãos lembram que as falhas de cobertura nas zonas de baixa densidade populacional e a diferença nos ritmos de investimento entre operadoras já aconteciam muito antes da chegada da DIGI.

O teu contributo é importante: assina a petição pública.

Bruno Coelho
Bruno Coelho
Bruno Coelho é Editor-chefe do 4gnews. Foca-se em smartphones, áudio, telecomunicações e carros elétricos. Alia mais de 400 reviews desde 2017 a visitas a fábricas de smartphones na China e coberturas do MWC e IFA.