Microtransações, um olhar detalhado: O ‘Carteirismo Microtransacionário’

Filipe Alves

Microtransações. Um olhar detalhado: O ‘Carteirismo Microtransacionário’As microtransações estão por todo o lado ultimamente. Tornando-se quase uma epidemia "carteirismo eletrónico". A palavra "carteirismo" talvez seja demasiado ousada, mas o que é facto é que a ‘casa’ nunca fica a perder.

O que primeiramente começou por ser um esforço da parte dos desenvolvedores de manter um jogo ativo. Passou a ser um mercado próprio dentro do próprio jogo. Custando, por vezes, mais que o próprio jogo.

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As microtransações manifestam-se no mundo dos jogos sob várias formas. Temos os DLC’s, que são extensões do jogo que contêm itens, personagens ou mapas que completam o jogo principal de alguma forma. Depois temos as microtransações dentro do jogo. Estas são mais comuns para o modo multijogador, que que se manifestam em alterações cosméticas e de jogabilidade (Pay-to-win).

As microtransações cosméticas são aquelas que apenas afetam o lado estético do jogo. Não afetando a forma ou o equilíbrio do jogo em si. Por outro lado, Pay-to-win (inglês para ‘paga para ganhar’) são microtransações que tem efeitos na jogabilidade. Beneficiando assim quem gasta mais dinheiro no jogo.

O problema das microtransações?

O problema principal das microtransações é que (obviamente) elas são pagas. Ora, ninguém quer voluntariamente pagar mais se puder não o fazer. Cada tipo de microtransação traz o seu próprio problema, sendo uns mais graves que outros.

Os DLC’s deviam ser pagos já que os desenvolvedores poderiam estar a trabalhar num qualquer outro produto final pelo qual cobrariam preço completo. Certo?

Sim e não. Apesar de fazer sentido cobrar por uma extensão de jogo que venha melhorar/mudar a história. Não faz sentido a existência de DLC’s aquando do lançamento do jogo. Analisemos o caso de Burnout Paradise Remastered que será lançado em março próximo.

Este jogo terá de lançamento 8 DLC’s, que segundo a EA Games trarão mais pistas, carros e diversão. Fica então a questão se o conteúdo está pronto ao lançamento. Porquê colocar como parte extra do jogo? Mais uma vez, microtransações.

Parece assim que o consumidor é obrigado a pagar por um conteúdo extra. Algo que não é realmente extra. É sim uma porção retirada pelos criadores como forma de fazer ainda mais dinheiro.

As microtransações no mundo multijogador tem uma dimensão completamente diferente. Estas não afetam apenas o jogador, mas todos os outros que podem vir a jogar com ele.

Atenção, que não sou contra microtransações por completo

Expresso aqui que não sou contra microtransações cosméticas. Contudo, sou completamente contra ‘Pay-to-win’. Se um jogador decide comprar qualquer item cosmético porque, ou joga muito aquele jogo ou apenas porque que pode. Este apenas item apenas serve para se ‘gabar’ e nada mais. Temos como exemplo jogo como: Counter-Strike ou Fortnite. Nos quais não interessa quando dinheiro se gasta no jogo porque não faz o jogador nem melhor nem pior. Apenas a prática, treino e "jeito".

Em contrapartida um jogo ‘Pay-to-win’, recompensa quem paga mais. Se for um jogo gratuito apesar de ser injusto é minimamente compreensível. Afinal de contas os desenvolvedores precisam de fazer algum dinheiro. Ora, quem não suportar tal disparidade de habilidade causada pelas microtransações pode sempre deixar de jogar o jogo e nada perde pois nada pagou.

A imagem muda de figura quando se fala de um jogo pago. Sendo o exemplo mais conhecido o do Star Wars BattleFront 2. Jogo da ‘‘lendária’’ EA Games que utiliza um esquema parecido no FIFA.

O triste exemplo do Star Wars BattleFront 2

Ora aquando do lançamento, o STWBF2, tinha o preço de 60 euros. Contudo, todos os itens dentro do jogo podiam ser comprados. Custando cerca de 2100€ para ter todos os itens do jogo (e repito, estes itens afetavam jogo e não só os cosméticos).

Chegou ao ponto de, para ter o ‘‘Darth Vader’’, ser preciso pagar 20 euros. Isto para além dos 60 do jogo, ou ser obrigado a jogar quase 100 horas. Esta entre outras, levou o jogo há ruína, ganhando o prémio de comentário mais odiado pelo publico da plataforma Reddit.

Em perspetiva este comentário, que dizia algo como ‘A intenção (de ter de jogar para ter os heróis) é providenciar os jogadores com um sentimento de orgulho e recompensa’ atingiu uns incríveis 670 mil downvotes (espécie de botão de dislike). Passou a motivo de troça e chacota em toda a internet.

As microtransações andam por todo o lado. Fazendo uma analogia mais tecnológica, estas são muito parecidas com o constante aumento de preço dos smartphones de hoje em dia. Ora, enquanto houver consumidores a pagar, as empresas não hesitarão em cobrar mais e mais por cada vez menos conteúdo.

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Artigo por Duarte Dias para 4gnews

Filipe Alves
Filipe Alves
Fundador do projeto 4gnews e desde cedo apaixonado pela tecnologia. A trabalhar na área desde 2009 com passagens pela MEO, Fnac e CarphoneWarehouse (UK). Foi aí que ganhou a experiência que necessitava para entender as necessidades tecnológicas dos utilizadores.