Inteligência Artificial dá nova vida a vídeos com mais de 100 anos

Rui Bacelar
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O que é um vídeo senão uma sequência de imagens apresentadas em rápida e variável sucessão, com diferentes resoluções? A premissa, simples, vigorava há mais de 100 anos quando foram feitas as primeiras filmagens e vigora em pleno século XXI.

Por outro lado, temos agora poderosos algoritmos de inteligência artificial, particularmente eficazes no reconhecimento e replicação de padrões, capazes de analisar cada imagem individual (frame) de um vídeo e melhorar, ou replicar as suas caraterísticas.

A tecnologia encurta distâncias e preserva memórias

Desse modo é possível preencher as lacunas deixadas pelas máquinas de filmar primordiais. As caixas máximas como a que em 1896 filmou a chegada de um comboio a uma estação francesa, ou captou o jardim de alguns ingleses elegantemente vitorianos.

E, o que acontece quando juntamos tecnologia do século XXI com alguns dos primeiros vídeos alguma vez gravados? Além, claro, da perícia de editores de vídeo com software moderno e capazes de edição e recuperação de filmagens. Uma viagem no tempo.

Acima vemos o exemplo da “Roundhay Garden Scene”, filmado em 1888, um simples passeio de meros segundos num jardim inglês com um leve toque de cor verde e segundos de ação. É, graças a vários algoritmos de processamento que podemos apreciar hoje um resultado incrível e particularmente nítido - a partir da marca dos 2:40 minutos no vídeo colocado acima.

Do século XIX para o YouTube em 4K a 60 fps, a "magia" da IA

Acima vemos a filmagem original - convertida para o formato digital e publicada no YouTube. É tremida, sem detalhe, mas ainda assim podemos ver a cena de um comboio a chegar à estação. É um dos vídeos mais antigos do mundo e foi captado em 1896, intitulado de L’Arrivée d’un train en gare de La Ciotat” - a chegada de um comboio à estação de Ciotat.

Então revolucionária, esta captação de vídeo expunha a película fotossensível, em rápida sucessão, para captar várias fotografias. O resultado é o vídeo que podemos ver acima, sem som, e com o aspeto caraterístico da época. É rudimentar.

Por outro lado, após o trabalho de Denis Shiryaev, youtuber, podemos ver o mesmo material fonte, mas melhorado. Graças aos supracitados algoritmos, o software é capaz de analisar cada frame individual e replicar vários destes frames para preencher as lacunas deixadas no vídeo original. Desse modo, somos brindados com uma maior fluidez de movimentos - os 60 fps.

Mais ainda, este virtuoso do vídeo, conseguiu replicar e multiplicar vários pixeis adjacentes (células de informação), para assim aumentar a resolução do vídeo para o padrão 4K Ultra-HD. Aproveitou também para adicionar algum áudio, criando assim uma atmosfera completa e de certo modo perturbadora que nos leva para o século XIX.

Uma viagem no tempo graças à IA

Cheio de grão, com pouco detalhe, sem som e nada fluída, assim pode ser descrita a captação de Louis Lumière em 1896. Agora, em 2021 podemos assistir a esta janela indiscreta no tempo, deveras melhorada para nos fazer viajar até este mundo de outrora.

À medida que a tecnologia avança e as implementação da inteligência artificial vão aumentando e melhorando a sua eficácia, poderemos ver ainda mais barreiras temporais a serem quebradas.

Este é (apenas) um dos grandes contributos da tecnologia e da computação para a sociedade.

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Rui Bacelar
Rui Bacelar
Na escrita e comunicação repousa o gosto, nas leis a formação. É na tecnologia que encontrou o seu expoente máximo e na 4gnews a plataforma ideal para a redação e produção de vídeo.