Huawei pode voltar ao mercado de smartphones 5G

Rui Bacelar
Rui Bacelar
Tempo de leitura: 3 min.

A Huawei, outrora uma das maiores fabricantes mundiais de smartphones, enfrenta desde 2019 um bloqueio comercial dos Estados Unidos da América que a privaria de diversos elementos necessários à normal prossecução da sua atividade comercial. Mais recentemente, a empresa chinesa não pode sequer usar processadores com acesso às redes móveis 5G.

Tudo começaria em maio de 2019 quando o Departamento de Comércio dos Estados Unidos da América colocou a Huawei na lista "negra" de entidades suspeitas. Como resultado, as empresas norte-americanas foram proibidas de negociar com a tecnológica sediada na China desde então.

Huawei pode ter um novo chipset com acesso às redes móveis 5G

Huawei 5G

Em causa não está uma reversão das políticas aplicadas pelo então presidente Donald Trump e revigoradas pelo atual chefe do executivo norte-americano. Longe disso aliás. As sanções continuam em pleno vigor, com a Huawei a ter que depender apenas de empresas asiáticas como o caso da SMIC.

Tal como avança a agência Reuters, a empresa chinesa Semiconductor Manufacturing International Corporation (SMIC) estará a desenvolver, em parceria com a Huawei, um processador próprio com suporte para as redes móveis 5G. Ao que tudo indica, este novo chipset será fabricado segundo o processo de litografia N+1 da própria SMIC.

Importa frisar que o processo de fabrico da SMIC pode assim igualar as soluções da Qualcomm, MediaTek, Samsung e outras fabricantes de chipsets com o padrão de 7 nm. Todavia, em pleno 2023 este está longe de ser já a padrão mais poderoso e eficiente no consumo energético, com as soluções a 3 nm a serem já trabalhadas.

Primeiro lote pode trazer a produção de até 4 milhões de chipsets 5G para a Huawei

Huawei

Este desenvolvimento pode efetivamente ajudar a Huawei a, pelo menos, colocar no mercado novos equipamentos com suporte para as redes móveis de última geração. Anos após findar o stock de chipsets da HiSilicon, tradicionalmente os chipsets empregues pela marca nos seus telemóveis, a Huawei ficou privada de novos processadores com acesso ao 5G.

Desde então, recorreu a processadores da norte-americana Qualcomm, privados do 5G. Com efeito, todos os telemóveis Huawei mais recentes, disponíveis fora da China, usam processadores limitados no seu modem de redes ao 4G LTE.

Apesar de a marca ter explorado outras soluções junto da própria Qualcomm e MediaTek, não foi possível avançar com a produção de componentes junto destas empresas devido às tensões geopolíticas entre os EUA e a China.

Solução para a falta de chips 5G está à vista, um bom primeiro passo

Agora, ao que tudo indica, o primeiro smartphone da Huawei com o novo chipset 5G será lançado até ao final deste ano. É um primeiro passo rumo à recuperação, graças também aos esforços desenvolvidos pela SMIC.

Resta saber, claro está, como esta nova parceria se refletirá junto da Huawei e como receberá o mercado os seus novos dispositivos móveis. Note-se que os seus terminais também continuam sem acesso aos serviços Google.

Em todo o caso, recordamos que a sua herdeira espiritual, a Honor, está oficialmente presente na Europa. Com efeito, a Honor trouxe recentemente novos equipamentos sem qualquer restrição e acesso aos serviços Google, também disponíveis em Portugal.

China's Huawei Technologies is plotting a return to the 5G smartphone industry by the end of this year, research firms said, adding that the Chinese tech giant could now get hold of 5G chips domestically https://t.co/XAEt3y506k pic.twitter.com/RNYJZKg53z

— Reuters (@Reuters) 12 de julho de 2023

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O Rui ajudou a fundar o 4gnews em 2014 e desde então tornou-se especialista em Android. Para além de já contar com mais de 12 mil conteúdos escritos, também espalhou o seu conhecimento em mais de 300 podcasts e dezenas de vídeos e reviews no canal do YouTube.