Huawei em conluio com o Partido Comunista da China, afirma relatório do Reino Unido

Rui Bacelar
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A Huawei é "persona non grata" em vários países com o Reino Unido a ser um dos maiores críticos. Após a administração britânica ter decidido remover todas as infraestruturas de suporte à rede 5G até 2027, surgem agora novas acusações graves à fabricante.

Apelidado de "A segurança do 5G", o relatório britânico do comité de segurança da Casa dos Comuns refere que existem "indícios claros de conluio" entre a Huawei e o aparelho estatal do Partido Comunista Chinês, sendo o caso exposto pela CNBC. As acusações vão ainda mais além e agravam o caso contra a Huawei.

"A segurança do 5G" agrava o caso contra a Huawei

A UK parliament committee said that it had seen clear evidence of collusion between Huawei and the ‘Chinese Communist Party apparatus,’ and that Britain may need to remove the company's equipment earlier than planned https://t.co/dZkmVDxcfY pic.twitter.com/Ofe8zyYK1K

— Reuters (@Reuters) 8 de outubro de 2020

Perante as conclusões do relatório citado supra, alguns membros do parlamento britânico advogam que a fabricante chinesa deve ser barrada do país com a maior brevidade, antecipando para 2025 a remoção de todas as infraestruturas de suporte às redes 5G relacionadas com a Huawei.

Internacionalmente a fabricante chinesa foi barrada em vários países como a Austrália e Japão, além de estar a sofrer pesadas sanções por parte dos Estados Unidos da América. A título de exemplo relembramos o impedimento de negociar com empresas norte-americanas.

Mais ainda, já no início de 2020 os legisladores britânicos expressaram as suas preocupações para com a presença da fabricante chinesa no país, questionando sobretudo a integridade das infraestruturas de redes 5G em várias investigações.

O Reino Unido pode antecipar para 2025 a remoção dos equipamentos Huawei

"The safety and security of our critical national infrastructure is crucial"Labour's Nick Thomas-Symonds wants "guarantees" about the UK's 5G network going forward, if Huawei is to be involvedhttps://t.co/ivnyXIVqlc pic.twitter.com/YxPw3aCyMJ

— BBC News (UK) (@BBCNews) 28 de janeiro de 2020

As recentes constatações são fruto da investigação feita à segurança dos equipamentos 5G da Huawei, tendo sido publicadas nesta quinta-feira (8). Aí encontramos a recomendação para antecipar a remoção de todos os equipamentos relacionados com a fabricante até 2025, antecipando em dois anos esta ação.

"(...) o Governo deve considerar se uma remoção até 2025 é exequível e economicamente viável", pode ler-se no relatório "The Security of 5G", com mais 80 páginas. "É certo que estas restrições irão atrasar a implementação do 5G e prejudicar economicamente o Reino Unido e as operadoras móveis. O Governo deve tomar as medidas necessárias para minimizar o atraso e o impacto económico e cogitar a hipótese de compensar as operadoras caso avance com a atual meta de 2027", pode ler-se no documento.

O inquérito, agora publicado, teve início em março de 2020 por iniciativa do parlamento britânico e recorreu a vários peritos na indústria, bem como algumas figuras políticas dos Estados Unidos da América.

Também em 2020, o Centro de Segurança Nacional do Reino Unido já havia dito que a Huawei é um parceiro de alto-risco devido ao facto de ser uma empresa chinesa. Salientando que, ao abrigo da Lei Nacional de Inteligência em vigor na China desde 2017, a Huawei pode ser legalmente obrigada a tomar uma conduta que possa ser danosa para com o Reino Unido.

Por outras palavras, apesar de então não ter "visto nenhum fato específico" de atos impróprios, a agência britânica alerta para a possibilidade de serem inseridos backdoors nos produtos Huawei a qualquer momento.

Ren Zhengfei, fundador da Huawei é filiado no Partido Comunista Chinês

British Parliament criticizes #Huawei for collusion with #CCP. https://t.co/5X5vphOgEE

— Reinhard Bütikofer (@bueti) 8 de outubro de 2020

O relatório destaca ainda a filiação do fundador da Huawei ao Partido Comunista Chinês, bem como o seu histórico de trabalho para o Exército de Libertação do Povo. Algo que o próprio nunca escondeu, tendo formação em engenharia.

A isto soma as alegações de incentivos e fomento económico do aparelho estatal à Huawei, algo que a fabricante refuta, bem como o percurso pessoal do seu fundador alegando que tal não foi relevante para o crescimento da empresa.

Os relatórios que apontam falhas na engenharia, sistemas e equipamentos Huawei vão-se somando e, apesar de não intencionais, os bugs e falhas em questão podem ser usados como backdoors.

A Huawei, após ser contactada pela CNBC, já refutou a veracidade do relatório britânico. Alegando que este "carece de credibilidade" e que "é redigido com base em opiniões, não em fatos". A fabricante espera que o público saiba reconhecer a verdade e que tenham em consideração o histórico de colaboração com o Reino Unido e outras nações ocidentais.

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Rui Bacelar
Rui Bacelar
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