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Há uma nova razão para os carros ficarem ainda mais caros

A IA já fez subir o preço dos telemóveis e dos portáteis. Agora chegou à vez dos carros. A crise da memória RAM está a pressionar a indústria automóvel e quem vai pagar a fatura és tu.

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Fonte: Magnific

Quando a inteligência artificial começou a crescer de forma exponencial, poucos imaginavam que o impacto chegasse ao preço do carro que tens na garagem ou que pensas comprar. Mas chegou. E a explicação é mais simples do que parece.

Os grandes fabricantes de chips, como a Samsung, a Micron e a SK Hynix, estão a redirecionar as suas linhas de produção para memórias de alta largura de banda utilizadas nos servidores de IA.

Resultado: há menos capacidade disponível para produzir a memória DRAM convencional que equipa carros, telemóveis e computadores. Segundo o Tom's Hardware, os preços da DRAM para uso automóvel subiram cerca de 70% em termos anuais até janeiro de 2026, com novos aumentos previstos para 2026 e 2027 à medida que a oferta das gerações mais antigas continua a apertar.

Os carros precisam de cada vez mais memória

Isto não seria um problema se os automóveis não dependessem tanto de memória. Mas dependem, e cada vez mais.

Segundo dados da Micron citados pela Gizmodo, o carro utiliza atualmente cerca de 90 GB de DRAM e NAND combinados, e essa necessidade deverá crescer para 278 GB, com modelos de gama alta a aproximar-se dos 2 TB. Os sistemas de condução assistida precisam entre 8 GB e 32 GB, o infoentretenimento consome até 16 GB, e os sistemas centralizados podem ultrapassar os 64 GB.

E há um agravante importante: a memória para automóveis não é um componente vulgar. São peças especializadas que demoram meses ou anos a ser certificadas para uso em veículo. Não se substitui o fornecedor de um dia para o outro.

A GM e a BYD já confirmaram subidas de preços

Segundo a EE Times, a escassez de silício desencadeou aquilo que os analistas chamam de "memflation", com os preços da DRAM quase a duplicar por trimestre e a elevar em cerca de 810 a 1.350 euros o custo de produção de um carro elétrico de gama alta.

A GM avisou os investidores que espera enfrentar entre 1,4 mil milhões e 1,85 mil milhões de euros em pressão de custos de matérias-primas este ano, incluindo os custos mais elevados de DRAM. A BYD, por seu lado, já aumentou 20% o preço das suas funcionalidades de condução assistida, justificando diretamente com a subida do custo das memórias.

E segundo a Gasgoo, o Deutsche Bank estima que a subida dos custos de memória vai fazer aumentar o preço de venda de veículos comuns entre 140 e 275 euros, com os modelos autónomos de gama alta a registar aumentos entre 370 e 550 euros.

Ao contrário do que aconteceu durante a pandemia, onde o problema era logístico, aqui o desafio é de concorrência direta. A indústria automóvel compete pelos mesmos chips com as gigantes tecnológicas, e não tem o mesmo poder negocial. Esta crise está a empurrar os preços dos smartphones para cima e o setor automóvel enfrenta exatamente o mesmo problema.

O que podes fazer

Os analistas apontam para que a pressão nos preços se mantenha pelo menos até 2027, altura em que novas capacidades de produção de semicondutores deverão entrar em funcionamento.

Quem comprar antes evita pagar os aumentos que os fabricantes ainda não repercutiram totalmente no preço final. Para perceber o que realmente vale a pena comprar agora, podes consultar os melhores carros qualidade/preço em 2026 segundo especialistas.

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Miguel Vieira
Miguel Vieira
Redator no 4gnews com formação em Programação e Multimédia. Cobre tecnologia, gaming e mobilidade elétrica, com presença em eventos como a Web Summit, Lisboa Games Week, ECarShow e SAHE.