Google continua na mira da Comissão Europeia em 2021

Rui Bacelar
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O modelo de negócios da Google consiste - em termos leigos - na colocação de publicidade em locais onde o utilizador dos serviços desta empresa o verá obrigatoriamente. Seja nos resultados da pesquisa Google, ou nas sugestões do YouTube, é publicidade.

Aqui reside o âmago da atividade empresarial da Google enquanto empresa e não como motor de busca. Imaginem a Google como uma empresa de publicidade que, para a distribuir, usa avançadas tecnologias, algoritmos e outros chavões técnicos que lhe conferem uma posição dominante. É aqui que Bruxelas pretende intervir com a Comissão Europeia a ser pressionada para tal.

A Comissão Europeia estará mais atenta aos negócios da Google

Tal como avança o Politico perante a imensa e complexa máquina que é a Google, as rivais acabam por ser empurradas para fora das tabelas e áreas competitivas. Isto geraria, gradualmente, mais queixas e o acumular de pressão para que a Comissão tome ação.

Com efeito, há mais de cinco anos que vemos pedidos similares por uma e outra empresa que tenta competir com a Google. Recordemos, por exemplo, o caso da portuguesa Aptoide que se debatia com a posição dominante da Google Play Store.

O passado recente de interações entre a Comissão Europeia e a Google traz-nos à memória um histórico de multas que, somadas, excedem os 8 mil milhões de dólares. Foram três instâncias em que a norte-americana foi acusada de práticas anti-concorrenciais.

Agora, de acordo com a fonte supracitada, a Comissão Europeia conduz duas novas investigações ao modelo empresarial da tecnológica norte-americana com o intuito de obter mais informações sobre as fontes de receita e outras práticas comerciais.

As novas investigações europeias à gigante norte-americana

A primeira incide sobre a forma como a tecnológica recolhe e usa a informação dos utilizadores. A segunda versará, de acordo com a fonte, na forma como a Google rentabiliza a sua plataforma, no modo de conduzir negócios, sobre toda a vertente comercial.

Relativamente à primeira investigação, "A Comissão tem potenciais preocupações sobre a forma como a Google colhe, acede, processa, usa e rentabiliza a informação", aponta a fonte.

O segundo caso foca-se na investigação de Bruxelas às "práticas da Google com a tecnologia de publicidade ("ad tech")". Sobre a forma como os seus algoritmos a podem sobrepor em demasia às concorrentes ou outras plataformas que queiram entrar neste mercado e na possibilidade de tal não estar propositadamente a ter lugar.

A Google também está sob investigação por razões similares nos Estados Unidos da América e no Reino Unido.

Por fim, a Comissão quer também apurar se o Facebook e o YouTube - plataforma detida pela Google - podem ser considerados concorrentes. Os planos da tecnológica norte-americana em descontinuar o uso de cookies de terceiros no navegador Chrome também é outros dos vetores a serem investigados.

Até ao momento a Google não comentou o caso, nem a Comissão Europeia emitiu uma pronúncia oficial.

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Rui Bacelar
Rui Bacelar
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