Quando se fala em instalar painéis solares, a conversa gira quase sempre à volta do preço dos equipamentos e da potência do sistema. O problema é que existe um fator muito mais importante para a produção real de energia e que continua a ser ignorado por muita gente: as sombras.
Uma árvore, uma chaminé, uma antena ou até um prédio nas proximidades podem reduzir drasticamente a produção de energia de um sistema solar. O problema está na forma como muitos destes sistemas funcionam: os painéis são ligados em série, o que significa que basta um ficar parcialmente tapado pela sombra para afetar o desempenho de todos os restantes.
E a situação tende a piorar durante o inverno, quando o Sol permanece mais baixo no horizonte e as sombras se tornam maiores e mais prolongadas ao longo do dia. Dois telhados aparentemente iguais podem ter resultados completamente diferentes, e uma análise feita apenas a olho não chega.
As ferramentas que fazem o trabalho
Existem hoje quatro opções acessíveis a qualquer pessoa, sem necessidade de conhecimentos técnicos.
- O PVGIS é uma das principais referências europeias para este tipo de análise. Desenvolvido pelo Centro Comum de Investigação da Comissão Europeia, permite calcular a produção anual estimada, perdas energéticas, inclinação e orientação ideais dos painéis, além de simular sistemas com baterias. É totalmente gratuito, não exige registo e continua a ser uma das ferramentas mais precisas para Portugal.
- O Shadowmap aposta numa abordagem muito mais visual. A plataforma mostra em 3D a incidência solar e as sombras em qualquer local do planeta, hora a hora e estação a estação. Existe uma versão gratuita limitada, enquanto os planos pagos começam nos 30 euros por ano.
- Já o Global Solar Atlas, criado pelo Banco Mundial, é ideal para uma primeira análise rápida. Permite comparar o potencial solar de diferentes localizações sem praticamente nenhuma configuração e é completamente gratuito.
- Por fim, o SunCalc é a ferramenta mais simples da lista. Não faz cálculos energéticos, mas mostra a trajetória do Sol em tempo real para qualquer data e hora, algo que muitas vezes já basta para perceber se um telhado recebe sol suficiente ao longo do dia.
Antes de assinar qualquer orçamento
O Governo continua a ter programas de apoio para a instalação de painéis solares que podem reduzir de forma significativa o investimento inicial. O problema é que nenhum incentivo compensa um sistema mal posicionado. Se houver sombras excessivas ou uma orientação errada, o tempo necessário para recuperar o investimento aumenta drasticamente, com ou sem subsídios.
Portugal está entre os países europeus com mais horas de sol por ano, o que torna ainda mais frustrante desperdiçar potencial energético por falta de uma análise prévia que pode demorar menos de meia hora e não custa absolutamente nada.
