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Entrar no mar com o smartwatch pode não ser uma boa ideia. Eis o porquê

Tens um smartwatch resistente à água e vais de férias para a praia. Parece seguro. Mas há uma diferença enorme entre resistente à água e preparado para o mar, e essa diferença pode custar-te caro.

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Imagem gerada por IA | ChatGPT

A resistência à água é uma das características mais mal interpretadas nos smartwatches. Muitos utilizadores assumem que podem enfrentar qualquer situação, mas a realidade é bem diferente. E é precisamente essa falsa sensação de segurança que leva a tantos equipamentos avariados durante o verão.

Compreender o que as certificações realmente garantem pode fazer toda a diferença entre aproveitar a praia sem preocupações ou descobrir, semanas depois, que o relógio já não funciona como devia.

O que significam as certificações?

A maioria dos smartwatches modernos tem uma de duas classificações: IP ou ATM. Parecem muito complicadas, mas são fáceis de perceber.

A classificação IP, como IP67 ou IP68, indica resistência a poeira e a imersão em água doce a profundidade controlada. Um IP68 aguenta imersão até dois metros durante 30 minutos. Parece suficiente, mas há um pormenor importante: os testes são feitos com água parada, à temperatura ambiente e sem pressão adicional. O mar não funciona assim.

A classificação ATM mede a pressão que o dispositivo aguenta. 5 ATM significa resistência equivalente a 50 metros de profundidade em condições estáticas. Para natação em piscina, é suficiente. Para atividades mais intensas no mar, como surf ou mergulho, precisas de pelo menos 10 ATM.

O problema do sal e do cloro

Mesmo com uma boa classificação de resistência, a água salgada e o cloro da piscina degradam os componentes internos ao longo do tempo. O sal é particularmente agressivo porque penetra por locais onde a pressão da água nunca chegaria e corrói vedantes e juntas de forma silenciosa.

O resultado não é uma avaria imediata. É um relógio que vai perdendo resistência a cada mergulho, até que um dia, meses depois, entra água onde não devia. A garantia habitualmente não cobre este tipo de dano porque é considerado desgaste por uso impróprio.

A regra é simples: sempre que saíres do mar ou da piscina, passa o smartwatch por água doce corrente e seca-o bem. É um hábito de dois minutos que pode prolongar a vida do dispositivo por anos.

O que deves evitar mesmo com um smartwatch resistente

Há situações que danificam qualquer smartwatch, independentemente da certificação:

  1. Mergulhos em profundidade, mesmo com ATM elevado, porque a pressão dinâmica da água é muito superior à pressão estática dos testes
  2. Jacuzzis e banhos quentes, porque a temperatura dilata os materiais e compromete os vedantes
  3. Atividades de surf ou esqui aquático, onde o impacto da água é muito superior ao previsto nas certificações
  4. Deixar o relógio sem enxaguar após contacto com água salgada ou clorada

Qual o smartwatch certo para a praia?

Se vais de férias e queres usar o smartwatch sem preocupações, o mínimo recomendado é 5 ATM para piscina e natação em mar calmo. Para atividades mais intensas, procura modelos com 10 ATM. Os melhores smartwatches disponíveis em Portugal em 2026 já incluem essa informação de forma clara nas especificações.

O Samsung Galaxy Watch8 e o Apple Watch Series 11 têm ambos certificação IP69 e 5 ATM, o que os torna adequados para natação e uso no mar com condições normais. Para quem quer ir mais longe, o Samsung Galaxy Watch Ultra tem 10 ATM e foi desenhado precisamente para atividades aquáticas mais exigentes.

O verão em Portugal é longo. O smartwatch pode acompanhar-te do início ao fim, desde que saibas o que estás a comprar e como o tratar.

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Miguel Vieira
Miguel Vieira
Redator no 4gnews com formação em Programação e Multimédia. Cobre tecnologia, gaming e mobilidade elétrica, com presença em eventos como a Web Summit, Lisboa Games Week, ECarShow e SAHE.