Colocar o Citroën Ami e o Fiat Topolino lado a lado é curioso porque as diferenças técnicas são mínimas.
Ambos utilizam um motor elétrico de 6 kW (8,2 cv), estão limitados aos 45 km/h e prometem uma autonomia de até 75 km. O carregamento também é bastante simples: basta uma tomada doméstica e cerca de quatro horas para recuperar a bateria.
É precisamente por isso que nenhum dos dois deve ser visto como substituto direto de um automóvel convencional. São quadriciclos pensados sobretudo para pequenas deslocações urbanas, onde os 45 km/h e a autonomia reduzida deixam de ser um problema.
E há outra vantagem: tanto o Ami como o Topolino podem ser conduzidos a partir dos 16 anos com carta AM.
| Citroën Ami | Fiat Topolino | |
|---|---|---|
| Potência | 6 kW | 6 kW |
| Velocidade máxima | 45 km/h | 45 km/h |
| Autonomia | Até 75 km | Até 75 km |
| Bateria | ~5,4 kWh | 5,4 kWh |
| Carregamento | Cerca de 4 h | Cerca de 4 h |
| Comprimento | 2,46 m | 2,56 m |
| Lugares | 2 | 2 |
O Topolino é apenas ligeiramente mais comprido, com cerca de 2,56 metros, enquanto o Ami fica nos 2,46 metros. Na prática, ambos são suficientemente pequenos para entrar em lugares de estacionamento onde muitos carros nem tentariam.
Ao volante, são simples e muito divertidos
Já tive oportunidade de conduzir os dois e, apesar das especificações praticamente iguais, a experiência não é totalmente igual.
Não há propriamente desempenho para comparar. Com apenas 8,2 cv e uma velocidade máxima de 45 km/h, o objetivo não é acelerar depressa, mas deslocar duas pessoas pela cidade da forma mais simples possível. E nisso funcionam muito bem.
São pequenos, têm uma excelente visibilidade e rapidamente se perde aquela preocupação típica de passar em ruas apertadas ou encontrar estacionamento.
Mas também é preciso ajustar as expectativas. O interior é extremamente simples, há muito plástico à vista e o conforto está longe daquele que encontramos num automóvel convencional. Ainda assim, foi precisamente essa simplicidade que achei divertida nos dois.
O Topolino ganha claramente no estilo
É aqui que começam as maiores diferenças.
Apesar de partilhar a base técnica com o Ami, o Topolino consegue esconder muito melhor essa origem. O design inspirado nos pequenos Fiat clássicos dá-lhe muito mais personalidade e, pessoalmente, acho-o bastante mais bonito.

Depois existe o Topolino Dolcevita, provavelmente a versão mais peculiar de todas. Em vez das portas tradicionais, utiliza simplesmente uma corda de vime, além de ter uma configuração mais aberta e uma capota em lona. É difícil conduzi-lo sem reparar nas pessoas a olhar.
É completamente desnecessário? Provavelmente.
Mas também é precisamente isso que torna o Topolino tão divertido. A Fiat parece ter pensado neste modelo não apenas como transporte urbano, mas quase como um pequeno acessório de lifestyle.
O Ami responde com mais versatilidade
O Citroën segue uma filosofia diferente. O visual é muito mais peculiar e industrial, mas existe uma quantidade maior de configurações e acessórios que permitem adaptar o Ami à utilização pretendida.
A própria Citroën disponibiliza atualmente várias versões e até o Ami Buggy, que troca as portas convencionais por estruturas metálicas abertas e pode receber lonas de proteção. Esta versão começa nos 9.890 euros.
Além disso, o Ami tem uma zona de arrumação de 63 litros à frente do passageiro, juntamente com vários pequenos espaços espalhados pelo habitáculo.
Isto torna-o ligeiramente mais próximo de uma ferramenta para o dia a dia, enquanto o Topolino parece estar mais preocupado com o estilo.
Aliás, quando o Fiat Topolino chegou oficialmente a Portugal, já era evidente que a marca italiana estava a tentar dar uma interpretação bastante diferente à fórmula originalmente popularizada pelo Citroën Ami.
E o preço pode mudar completamente a decisão
Esta talvez seja a diferença mais importante. O Citroën Ami começa atualmente nos 8.290 euros em Portugal.
Com o preço normal, escolheria o Ami se procurasse simplesmente a forma mais racional e económica de fazer pequenas deslocações. Mas com o Dolcevita a 8.600 euros, a diferença passa para apenas 310 euros. E aí a escolha fica muito mais difícil.
Qual escolheria?
Depois de conduzir ambos, o meu favorito é o Fiat Topolino.
Não porque seja mais rápido, tenha mais autonomia ou seja tecnologicamente superior. Não é.
Escolheria o Topolino porque consegue transformar uma base extremamente simples em algo que parece mais especial. O design, o ambiente a bordo e até aquele absurdo divertido das cordas no lugar das portas do Dolcevita dão-lhe uma personalidade que senti menos no Ami.
O Citroën Ami continua a ser a escolha mais racional, especialmente ao preço base de 8.290 euros. Mas estes veículos também são compras bastante emocionais. E se fosse o meu dinheiro, principalmente com a atual diferença de preço de apenas algumas centenas de euros, levava o Topolino.
