Carregar um carro elétrico na rede pública em Portugal poderá ficar mais barato em 2027. A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) apresentou uma proposta que prevê uma redução de 52,1% nas tarifas aplicáveis aos comercializadores de eletricidade para a mobilidade elétrica e aos operadores dos postos de carregamento.
À primeira vista, parece uma redução bastante significativa. No entanto, há um detalhe importante: isto não significa que os condutores vão pagar menos 52,1% por cada carregamento.
Segundo o comunicado oficial da ERSE sobre as tarifas para 2027, estas representam apenas entre 1% e 2% do preço final. Por isso, a poupança estimada é de aproximadamente 15 cêntimos por cada 100 quilómetros percorridos, considerando um carro elétrico com um consumo de 15 kWh/100 km.
Porque é que a redução de 52,1% não chega à fatura?
Para perceber esta diferença, é importante compreender como funciona o preço dos carregamentos na rede pública.
Quando carregas um carro elétrico num posto público, não pagas apenas a eletricidade consumida. O valor final pode incluir diferentes componentes:
- Energia consumida: a eletricidade utilizada para carregar a bateria do automóvel.
- Utilização do posto: o valor cobrado pelo operador do carregador, que pode depender do tempo de utilização, da energia consumida ou de uma taxa fixa.
- Tarifas da rede: custos associados à utilização e gestão das infraestruturas de carregamento.
- Impostos e taxas: os valores legalmente aplicáveis ao carregamento.
A própria ERSE explica como é calculado o preço de um carregamento elétrico, distinguindo o custo da energia dos serviços cobrados pelos operadores.
É numa parte das tarifas da entidade gestora da rede que está prevista a redução. Como estas representam apenas cerca de 1% a 2% do preço final, o impacto na carteira será relativamente pequeno.
Ainda assim, existem outras formas de tentar reduzir os custos. Por exemplo, a IONITY já permite utilizar diretamente os seus carregadores em Portugal através da aplicação, com diferentes modalidades de pagamento e subscrição.
Quanto podes realmente poupar ao carregar um elétrico?
Para demonstrar o impacto da proposta, a ERSE apresentou uma simulação para um automóvel elétrico com um consumo médio de 15 kWh por cada 100 quilómetros.
O kWh, ou quilowatt-hora, é a unidade utilizada para medir a quantidade de energia consumida. Neste caso, o automóvel precisa de 15 kWh para percorrer 100 quilómetros. Com a redução proposta, a poupança estimada seria de 15 cêntimos por cada 100 quilómetros.
O regulador apresenta também valores médios que ajudam a perceber a diferença entre os tipos de carregamento:
| Tipo de carregamento | Custo estimado por 100 km |
|---|---|
| Normal, até 22 kW | 7,32 € |
| Rápido, acima de 22 kW | 10,53 € |
Ou seja, neste exemplo, carregar num posto rápido custa mais 3,21 € por cada 100 quilómetros do que num posto normal.
Estes valores são estimativas e não preços fixos para todos os carregadores. O custo real depende do operador, da potência do posto e das condições de pagamento.
Para quem percorre 15.000 quilómetros por ano e utiliza exclusivamente a rede pública, a redução proposta representaria uma poupança de aproximadamente 22,50 € anuais, mantendo os pressupostos da simulação.
Quando entram em vigor os novos preços?
Para já, a redução ainda não é definitiva. A proposta apresentada pela ERSE terá de passar pela análise do Conselho Tarifário antes da aprovação dos valores finais.
Se for aprovada, a alteração está prevista para 1 de janeiro de 2027, aplicando-se às tarifas da entidade gestora da rede pública abrangida pelo regime. Importa também esclarecer que esta proposta não significa uma redução automática no preço da eletricidade para quem carrega o automóvel em casa.
Aliás, a ERSE também propôs alterações aos preços da eletricidade para 2027, que poderão ter um impacto diferente nos consumidores domésticos.
No caso dos carregamentos públicos, há ainda uma mudança importante: o novo regime da mobilidade elétrica permite que os operadores adotem diferentes modelos de funcionamento, pelo que a redução das tarifas da entidade gestora não terá necessariamente o mesmo impacto em todos os postos.
Para os condutores portugueses, a conclusão é simples: carregar um elétrico poderá ficar ligeiramente mais barato em 2027, mas a redução de 52,1% não deve ser confundida com um desconto equivalente no preço final.