Da próxima vez que fores ultrapassado na autoestrada, fica a saber que é bem possível que o condutor ao teu lado não tenha seguro de qualquer espécie.
Quem o diz é a Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF). A entidade aponta para que existam 121 mil veículos a circular pelas estradas portuguesas nestas condições.
Os números contam no estudo "Perfil do Condutor Sem Seguro", divulgado pela ASF. Para chegar a estes dados, foram utilizados dados de fiscalização da PSP entre 2023 e o início de 2026.
A conclusão é que a proporção de veículos apanhados sem seguro tem vindo a subir de forma consistente, e não parece ser um pico passageiro. Em 2025, o rácio médio de infração chegou aos 1,33%, o que na prática se traduz nesses 121 mil carros.
Comparando o ano de referência mais baixo, 2024, com 0,93%, e os dados mais recentes de 2026, já em 1,47%, a ASF admite que o número real pode variar entre 85 mil e 134 mil veículos, consoante o período analisado.
O próprio regulador faz questão de sublinhar que estes valores são estimativas de ordem de grandeza, já que as ações de fiscalização da PSP não cobrem a totalidade do parque automóvel português. Ainda assim, a tendência é clara o suficiente para a ASF falar em "risco significativo", não em fenómeno residual.
O perfil do condutor sem seguro
O Fundo de Garantia Automóvel (FGA), que é quem acaba por pagar as indemnizações às vítimas quando o responsável por um acidente não tem seguro, também traçou o retrato de quem está por trás destes números.
O perfil mais comum é o de um homem português, entre os 20 e os 40 anos, sendo que os condutores masculinos aparecem ainda mais associados aos acidentes de maior gravidade.
Só no grupo dos 20 aos 39 anos, os homens foram identificados como responsáveis em 1.436 processos, contra 311 em que a responsável era uma mulher. No total, condutores portugueses foram considerados responsáveis em 94,7% dos casos analisados.
Geograficamente, os acidentes envolvendo veículos sem seguro concentram-se sobretudo nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, e em concelhos com forte movimento pendular diário.
