A ANACOM lançou um alerta aos consumidores devido ao aumento de chamadas fraudulentas em que os interlocutores se fazem passar por agentes de fiscalização da entidade reguladora das comunicações. O objetivo dos burlões é obter dados pessoais e financeiros das vítimas através de técnicas de pressão e manipulação.
Segundo a autoridade, entre 25 de maio e 8 de junho, “foram recebidas mais de 180 queixas” relacionadas com este esquema, um número que evidencia um crescimento significativo deste tipo de fraude.
De acordo com os relatos recebidos, os autores das chamadas identificam-se falsamente como colaboradores da ANACOM, alegando frequentemente que o número de telefone da pessoa contactada está associado a atividades criminosas. Em alguns casos, chegam mesmo a referir alegados números de processos da Polícia Judiciária para conferir maior credibilidade ao contacto.
O esquema segue um padrão comum: “utilização de dados pessoais do destinatário parcialmente corretos (o nome e o número para o qual estão a ligar), indicação de números de identificação fictícios, pressão para que o destinatário responda com urgência e tentativa de obtenção de mais dados pessoais e financeiros”.
Recomendações da ANACOM
A ANACOM sublinha que o seu nome está a ser utilizado de forma abusiva e condena veementemente estas práticas. A entidade esclarece ainda que “não realiza contactos, por qualquer meio, nem divulga quaisquer dados pessoais de utilizadores de serviços e entidades terceiras”.
Perante uma chamada suspeita, a recomendação é clara: não fornecer nem confirmar dados pessoais, verificar sempre a identidade da entidade que está a contactar e, se necessário, interromper a conversa para confirmar a autenticidade do contacto através dos canais oficiais.
A autoridade recomenda também que qualquer tentativa de fraude seja comunicada às forças de segurança, nomeadamente à PSP ou à GNR. Em alternativa, os cidadãos podem apresentar participação junto do Ministério Público ou do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP).
O alerta surge numa altura em que as autoridades têm vindo a registar um aumento das burlas que recorrem à identidade de instituições públicas, forças de segurança e entidades financeiras para enganar as vítimas. Especialistas em cibersegurança recordam que a combinação de dados pessoais previamente obtidos, pressão psicológica e falsas referências a processos oficiais continua a ser uma das estratégias mais eficazes utilizadas pelos criminosos.
Como regra geral, qualquer pedido inesperado de dados pessoais, códigos de autenticação, informações bancárias ou pagamentos deve ser encarado com desconfiança. Em caso de dúvida, o mais seguro é terminar a chamada e contactar diretamente a entidade em causa através dos seus canais oficiais.
