Dez anos depois de ter redefinido o mercado dos auscultadores com cancelamento de ruído, a Sony decidiu assinalar o momento da forma mais previsível no universo do luxo: com um produto pensado para poucos. Os novos 1000X THE COLLEXION estão disponíveis em Portugal que, por si só, já eram vistos como alguns dos melhores auscultadores do mercado.
Fica claro desde o primeiro momento que este não é o sucessor direto dos XM6. Em vez disso, a Sony parece estar a criar uma categoria própria, posicionada mais perto do mercado de luxo do que do segmento premium tradicional.
O que justifica o preço
A diferença começa logo nos materiais. As dobradiças, que nos XM5 e XM6 eram feitas em plástico, passam agora a usar metal polido, enquanto as almofadas receberam uma pele sintética mais espessa e premium. Até o estojo de transporte foi redesenhado por completo, com um formato mais próximo de uma mala de luxo do que da tradicional caixa rígida da Sony. Tudo isto também se reflete no peso: os novos auscultadores chegam às 320 gramas, bastante acima das 254 gramas dos XM6.
No interior, a Sony apostou num novo driver de 40 mm em fibra de carbono, desenvolvido em parceria com engenheiros de masterização dos estúdios Battery Studios, Sterling Sound e Coast Mastering, responsáveis por trabalhos com artistas como Beyoncé ou Harry Styles. Segundo a marca, toda a afinação sonora foi criada especificamente para este modelo, com o objetivo de reproduzir a música o mais próximo possível da intenção original do artista.
O cancelamento de ruído junta os processadores QN3 e V3, apoiados por uma matriz de 12 microfones que ajusta o isolamento em tempo real. Nas chamadas, entram ainda mais seis microfones dedicados com beamforming assistido por IA. A conectividade também evoluiu, com suporte para Bluetooth 6.0, LC3 e LDAC. Já a autonomia chega às 24 horas com ANC ativo e até 32 horas sem cancelamento de ruído.
1000X THE COLLEXION vs XM6: o que mudou
| 1000X THE COLLEXION | WH-1000XM6 | |
|---|---|---|
| Preço | 629 € | 470 € |
| Driver | 40 mm fibra de carbono | 30 mm compósito fibra de carbono |
| Processadores | QN3 + V3 | QN3 |
| Microfones ANC | 12 | 8 |
| Microfones chamadas | 6 (beamforming IA) | 6 |
| Bluetooth | 6.0 (LC3, LDAC) | 5.3 (LDAC) |
| Autonomia (ANC ativo) | 24 horas | 30 horas |
| Autonomia (ANC desligado) | 32 horas | 40 horas |
| Peso | 320 g | 254 g |
| Material das dobradiças | Metal polido | Metal |
| Almofadas | Pele sintética premium | Tecido/espuma |
| Estojo | Mala de mão exclusiva | Estojo rígido compacto |
| Cores | Preto, Branco | Preto, Cinzento, Azul, Areia |
| Resposta em frequência | Não divulgada | 4 Hz – 40.000 Hz |
A autonomia acaba por ser o único retrocesso realmente evidente: são menos 6 horas com ANC ativo face aos XM6. Tudo o resto aponta numa direção mais ambiciosa, especialmente ao nível do novo driver, da conectividade e da qualidade dos materiais.
Ainda assim, há detalhes que levantam questões. A Sony continua sem divulgar dados como a resposta em frequência num produto de 630 euros que tenta aproximar-se do segmento audiófilo, uma ausência difícil de ignorar. E depois há o peso: 320 gramas podem transmitir maior sensação de robustez e luxo, mas o verdadeiro teste só acontece depois de várias horas de utilização contínua.
Vale a pena em comparação com a concorrência?
Os AirPods Max da Apple continuam a ser o rival mais direto neste segmento, com um preço de 599 euros em Portugal. Já os Bowers & Wilkins Px8, uma das referências no universo audiófilo, rondam os 699 euros.
Os novos 1000X THE COLLEXION posicionam-se precisamente nesse espaço intermédio: acima do segmento premium tradicional, mas ainda abaixo do verdadeiro luxo de nicho. Para quem quer o melhor dos XM6 a um preço mais acessível, a resposta continua a ser os XM6 por 470 euros. Para quem quer o melhor que o mercado tem a oferecer em 2026, os THE COLLEXION entram na conversa, mas precisam de ser ouvidos para ser julgados.
