Durante meses, o Wi-Fi 7 foi visto como uma tecnologia para entusiastas e utilizadores com carteiras mais generosas. Em 2026, o cenário está a mudar rapidamente: os preços começaram a descer, há mais equipamentos compatíveis no mercado e os operadores estão a expandir as ofertas de fibra multi-gigabit.
No entanto, será que faz sentido trocar já o seu router Wi-Fi 6E? A resposta curta é: depende da velocidade da sua internet e dos dispositivos que tem em casa.
O que muda com o Wi-Fi 7?
O Wi-Fi 7 promete velocidades muito superiores às do Wi-Fi 6E graças a tecnologias como canais de 320 MHz, Multi-Link Operation (MLO) e modulação 4K-QAM. Na prática, permite ligações mais rápidas, menor latência e melhor desempenho quando existem muitos equipamentos ligados em simultâneo.
Nos testes realizados pelo site especializado The Startup, em ambiente doméstico real com fibra de 2 Gbps, os melhores sistemas mesh Wi-Fi 7 ultrapassaram frequentemente 1 Gbps em divisões afastadas do router, mesmo através de paredes de tijolo e pisos de betão.
A pergunta decisiva: qual é a velocidade da sua internet?
Para a maioria dos consumidores, esta é a métrica mais importante.
Se tem internet até 500 Mbps
Não precisa de Wi-Fi 7.
Mesmo um bom router Wi-Fi 6 ou Wi-Fi 6E consegue entregar praticamente toda a velocidade contratada. A diferença real será quase impercetível no streaming, redes sociais, chamadas de vídeo ou gaming online.
Se tem fibra de 1 Gbps
O Wi-Fi 6E continua a ser uma excelente opção.
Na maioria das casas portuguesas, os ganhos de desempenho do Wi-Fi 7 não justificam ainda o investimento, especialmente se os smartphones, portáteis e tablets não forem compatíveis com o novo padrão. O próprio teste comparativo conclui que a diferença real face ao Wi-Fi 6E continua relativamente modesta para os equipamentos atuais.
Se tem 2 Gbps ou mais
Aqui a conversa já muda. Quem possui ligações multi-gigabit pode finalmente beneficiar das vantagens do Wi-Fi 7, sobretudo em transferências locais, cloud gaming, streaming 8K, NAS domésticos e ambientes com dezenas de dispositivos ligados simultaneamente.
Os preços já não são tão proibitivos
Uma das maiores novidades de 2026 é a queda dos preços.
Há apenas um ano, muitos sistemas mesh Wi-Fi 7 custavam mais de 1.500 euros. Atualmente, já existem soluções significativamente mais acessíveis.
Entre os modelos mais populares estão:
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TP-Link Deco BE65;
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ASUS ZenWiFi BQ16;
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Eero Pro 7;
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TP-Link Deco BE95;
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Netgear Orbi 970.
Em Portugal, já é possível encontrar um ASUS ZenWiFi BQ16 por cerca de 619 euros em lojas nacionais, um valor bastante inferior ao que era habitual nos primeiros equipamentos Wi-Fi 7.
Já o TP-Link Deco BE65 posiciona-se como uma das opções mais equilibradas, oferecendo portas de 2,5 Gbps, suporte para MLO e banda de 6 GHz, funcionalidades que até há pouco tempo estavam reservadas aos modelos topo de gama.
O verdadeiro problema pode nem ser o router
Antes de investir centenas de euros num novo sistema mesh, convém verificar três fatores:
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O seu smartphone suporta Wi-Fi 7?
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O seu portátil suporta Wi-Fi 7?
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A sua ligação de internet ultrapassa 1 Gbps?
Se respondeu "não" a pelo menos duas destas perguntas, provavelmente o seu dinheiro está melhor investido noutro tipo de equipamento.
Aliás, a própria comunidade de utilizadores continua a defender que quem possui equipamentos Wi-Fi 6E recentes deve esperar mais algum tempo antes de migrar, aproveitando a descida contínua dos preços e a maturação da tecnologia.
Vale a pena esperar?
Provavelmente sim para a maioria das pessoas.
O Wi-Fi 7 é claramente o futuro da conectividade doméstica, mas ainda não é uma necessidade para quem tem internet até 1 Gbps e equipamentos relativamente recentes.
Quem está a montar uma casa nova, possui fibra multi-gigabit ou pretende manter o mesmo sistema durante cinco ou mais anos pode justificar o investimento.
Para todos os outros, o Wi-Fi 6E continua a oferecer uma relação preço/desempenho difícil de bater.
Conclusão
O Wi-Fi 7 já deixou de ser um luxo reservado aos entusiastas. Os preços começaram a descer e a oferta está a crescer. No entanto, para a maioria dos portugueses com ligações até 1 Gbps, um bom sistema Wi-Fi 6E continua a ser mais do que suficiente.
A regra é simples: quanto mais rápida for a sua internet e mais recentes forem os seus dispositivos, mais sentido faz o upgrade. Caso contrário, esperar mais um ou dois anos pode significar poupar centenas de euros sem perder praticamente nada em desempenho.
