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A fatura da luz pode disparar no inverno: quanto custa gastar mais eletricidade em casa

A chegada do frio pode pesar no orçamento das famílias portuguesas. Aquecedores ligados mais horas, água quente e mais tempo passado em casa aumentam as necessidades de energia. E os números mostram que o consumo nacional também cresce nos meses frios.

Lâmpadas para poupar energia
Crédito@Pexels

Quando as temperaturas descem, manter a casa confortável pode tornar-se mais caro. Um aquecedor elétrico ligado diariamente, um aparelho de ar condicionado em modo de aquecimento ou um termoacumulador a trabalhar com maior frequência podem contribuir para aumentar o consumo mensal de eletricidade.

O impacto depende dos equipamentos utilizados, das horas de funcionamento, do isolamento da habitação e do tarifário contratado. Por isso, não existe um aumento único da fatura de inverno que se aplique a todas as famílias. Mas os dados oficiais permitem fazer uma estimativa.

Quanto custa realmente aquecer a casa?

De acordo com dados da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), o preço médio global da eletricidade para os consumidores domésticos no mercado português situa-se em torno de 0,22 € a 0,25 € por kWh. Valores já com taxas e impostos incluídos na banda de consumo mais representativa, a DC.

Quando se analisa o consumo em termos de equipamentos de aquecimento, o impacto financeiro reflete-se de forma direta no orçamento final:

  • Aquecedores a óleo e termoventiladores (1500 W a 2000 W): Um termoventilador ligado apenas 4 horas por dia consome cerca de 8 kWh diários. No final do mês, isso representa um acréscimo de cerca de 240 kWh, o que se traduz num encargo adicional de 50 € a 60 € por mês na fatura;
  • Ar condicionado (tecnologia Inverter): Sendo até três vezes mais eficiente do que os aquecedores tradicionais de resistência, um ar condicionado a funcionar durante o mesmo período consome cerca de 2,5 kWh a 3 kWh por dia, adicionando entre 15 € e 22 € à fatura mensal;

Os fatores que fazem disparar a conta

1. Pobreza energética e mau isolamento

Estudos e dados da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) apontam que Portugal continua a apresentar elevados níveis de vulnerabilidade à pobreza energética. A maioria dos edifícios residenciais foi construída sem isolamento térmico adequado nas paredes e janelas, o que faz com que o calor gerado no interior desapareça em poucos minutos.

2. Dias mais curtos e iluminação prolongada

Com o ajuste dos relógios e o menor número de horas de luz natural, a iluminação da casa fica ligada durante mais tempo. Além disso, eletrodomésticos como a máquina de secar roupa e o termoacumulador (esquentador elétrico) funcionam com maior exigência devido às baixas temperaturas da água que entra na rede.

3. Tarifários e períodos de ponta

Para quem tem tarifários bi-horários ou tri-horários, o consumo nos meses de inverno coincide frequentemente com as horas de ponta (final da tarde e início da noite), momento em que a tarifa por kWh é mais cara.

Como reduzir o aumento sem passar frio

  • Equipamentos eficientes: Sempre que possível, substituir aquecedores de resistência elétrica (termoventiladores/óleo) por sistemas de ar condicionado com bomba de calor;
  • Frestas e correntes de ar: Utilizar fitas isolantes nas portas e janelas pode reduzir as perdas de calor em até 20%, evitando que o aquecedor trabalhe continuamente;
  • Luz solar: Manter persianas e cortinas abertas durante o dia nas divisões expostas ao sol e fechar ao anoitecer para criar uma barreira térmica adicional.
Mónica Marques
Mónica Marques
Mónica Marques é redatora no 4gnews e, ao longo de mais de duas décadas de experiência, já cobriu várias edições do Mobile World Congress e IFA. Assinou centenas de análises detalhadas a smartphones, smartwatches, ecossistemas de smart home e gadgets que podem melhorar a tua rotina.