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A chave do teu carro pode estar em casa e mesmo assim ser roubado. Eis como te protegeres

Ter a chave do carro guardada em casa pode não ser suficiente para evitar um roubo. Uma técnica conhecida como relay attack permite explorar alguns sistemas keyless, mas há formas de reduzir o risco.

chaves do carro
Fonte: unsplash

Abrir o carro sem tirar a chave do bolso tornou-se habitual em muitos automóveis modernos. Basta aproximarmo-nos do veículo para que as portas sejam desbloqueadas e, em alguns modelos, carregar num botão para ligar o motor.

Esta tecnologia, conhecida como keyless, facilita a utilização diária do automóvel. No entanto, alguns sistemas apresentam uma vulnerabilidade que pode ser explorada por criminosos, mesmo quando a chave original está guardada dentro de casa.

O problema continua atual. Segundo os testes divulgados pelo clube automóvel alemão ADAC, em agosto de 2026, determinados veículos continuam a poder ser abertos e colocados em funcionamento através da retransmissão do sinal da chave.

O que é o relay attack e como funciona?

O relay attack, ou ataque de retransmissão, é uma técnica utilizada para explorar a comunicação sem fios entre a chave inteligente e o automóvel.

Nos sistemas keyless convencionais, o veículo procura detetar se a chave autorizada está nas proximidades. Quando essa comunicação é estabelecida, permite desbloquear as portas e, dependendo do sistema, ligar o motor.

O problema surge quando criminosos utilizam equipamentos eletrónicos capazes de prolongar artificialmente essa comunicação. Assim, o automóvel pode interpretar que a chave está perto, mesmo quando se encontra dentro de casa.

Isto significa que não é necessário roubar fisicamente a chave nem, em muitos casos, descodificar o seu sinal. O ataque explora a forma como o sistema verifica a proximidade entre os dois dispositivos.

Esta técnica já motivou alertas das autoridades portuguesas. A GNR chamou a atenção para o problema e para as medidas que os condutores podem adotar para se protegerem de roubos por relay attack.

Testes a mais de 850 carros mostram que o risco continua

O ADAC analisa a segurança dos sistemas keyless há cerca de dez anos e já reuniu resultados de mais de 850 veículos.

No balanço publicado em agosto deste ano, a entidade alertou que ainda existem automóveis vulneráveis à retransmissão do sinal da chave. Nos testes descritos no comunicado, quase metade dos veículos analisados podia ser aberta através deste método e, em aproximadamente um terço dos casos, também foi possível ligar o motor.

Estes valores dizem respeito aos veículos incluídos nos testes e não representam necessariamente a proporção de todos os automóveis que circulam nas estradas.

Os resultados também mostram que a segurança depende do modelo, do ano de fabrico e da tecnologia utilizada. Por isso, não basta conhecer a marca do automóvel para determinar se está protegido.

Uma bolsa Faraday pode ajudar a proteger a chave

Uma das formas mais acessíveis de reduzir o risco de um relay attack é guardar a chave numa bolsa Faraday, concebida para bloquear ou atenuar os sinais de radiofrequência.

O princípio é semelhante ao das carteiras com proteção RFID, utilizadas para dificultar a comunicação sem contacto com cartões bancários.

A diferença é que uma carteira RFID convencional não garante proteção adequada para uma chave automóvel. As frequências utilizadas podem ser diferentes, pelo que é importante escolher uma bolsa concebida especificamente para sistemas keyless.

Estas bolsas possuem materiais condutores que procuram impedir a comunicação entre a chave e o veículo enquanto o acessório estiver corretamente fechado. Desta forma, um equipamento de retransmissão deixa de conseguir utilizar essa comunicação, desde que a blindagem da bolsa seja eficaz.

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Como verificar se a bolsa Faraday funciona?

Comprar uma bolsa com proteção RFID não significa automaticamente que a chave esteja protegida. A qualidade dos materiais e o estado do acessório são importantes.

Podes fazer uma verificação simples:

  1. Coloca a chave dentro do compartimento protegido da bolsa.
  2. Fecha-a completamente, seguindo as indicações do fabricante.
  3. Aproxima-te do automóvel e tenta abrir a porta através do sistema keyless, sem retirar a chave.
  4. Se o carro continuar a reconhecer a chave, a bolsa poderá não estar a bloquear suficientemente o sinal.

Este procedimento permite verificar o funcionamento básico da proteção, mas não equivale a um ensaio técnico contra todos os tipos de ataque.

Outras medidas para evitar o roubo do carro

Além da bolsa Faraday, existem outros cuidados que podem ajudar a reduzir o risco.

  • Guarda a chave longe de portas e janelas. Evita deixá-la junto à entrada de casa ou em locais facilmente acessíveis a partir do exterior. Esta medida pode dificultar a retransmissão do sinal, embora não garanta proteção.
  • Verifica se podes desativar o sistema keyless. Alguns fabricantes permitem desligar a entrada sem chave através das definições do automóvel ou de procedimentos indicados no manual.
  • Não te esqueças da chave suplente. Se tens uma segunda chave com a mesma tecnologia, também deve ser protegida.
  • Considera medidas físicas de segurança. Uma tranca de volante ou outro sistema antifurto pode criar obstáculos adicionais, mesmo que alguém consiga abrir o veículo.

Estas recomendações complementam os cuidados de segurança automóvel perante os ataques de retransmissão, mas nenhuma medida isolada elimina todas as possibilidades de roubo.

Os carros mais recentes estão protegidos?

Nem todos os automóveis com entrada sem chave utilizam a mesma tecnologia.

Alguns fabricantes começaram a integrar sistemas baseados em UWB (Ultra-Wideband), capazes de medir com maior precisão a distância entre a chave e o veículo.

Ao contrário dos sistemas que dependem apenas da receção de um sinal, esta tecnologia permite verificar a proximidade real da chave com maior rigor, dificultando os ataques tradicionais de retransmissão. O ADAC destaca a UWB como uma solução importante para melhorar a segurança dos sistemas keyless.

Também existem fabricantes que utilizam sensores de movimento nas chaves. Nestes casos, a transmissão pode ser interrompida após um período de inatividade. No entanto, o ADAC alerta que ainda pode existir uma janela de vulnerabilidade antes de o sinal ser desligado.

A tecnologia das chaves automóveis também está a evoluir para os smartphones. Em Portugal, por exemplo, a Samsung Wallet já permite utilizar determinados telemóveis Galaxy como chave digital em modelos Volkswagen compatíveis.

Contudo, uma chave digital no telemóvel não funciona necessariamente da mesma forma que uma chave keyless tradicional. A segurança depende das tecnologias de autenticação e comunicação utilizadas pelo fabricante.

Como saber se o teu carro está vulnerável?

O ADAC disponibiliza uma lista dos automóveis analisados nos seus testes, onde é possível consultar os resultados dos sistemas keyless. Antes de tirares conclusões, confirma o modelo exato, a geração e o ano do veículo. Dois carros da mesma marca podem utilizar sistemas de segurança diferentes.

Se o teu automóvel tiver entrada e arranque sem chave, vale a pena consultar o manual e verificar quais as proteções disponibilizadas pelo fabricante.

Uma bolsa Faraday adequada pode ser uma solução simples e relativamente económica para reduzir a exposição a ataques de retransmissão. Mas o mais importante é perceber que ter a chave guardada em casa não significa, por si só, que o carro esteja protegido.

Miguel Vieira
Miguel Vieira
Miguel Vieira é colaborador no 4gnews com formação em Programação e Multimédia. Cobre tecnologia, gaming e mobilidade elétrica, com presença em eventos como a Web Summit, Lisboa Games Week, ECarShow e SAHE.