Ao longo dos anos habituámo-nos a ver a Xiaomi lançar os produtos, por exemplo smartphones, na China. E só meses depois a lançá-los - ou não - globalmente. A grande questão que se coloca é: será que isso ainda faz sentido em 2026?
Quando a Xiaomi chegou ao mercado global, o mercado chinês era ainda o seu mercado mais importante. Mas hoje já não é assim. Os mercados externos têm um peso superior nos negócios da marca. E gostava de dar um exemplo muito prático do que considero uma má estratégia.
Xiaomi 18 Pro Max já foi lançado na nossa China mas só será lançado globalmente daqui a alguns meses
A Xiaomi apresentou há alguns dias os Xiaomi 18 Pro e Xiaomi 18 Pro Max na China. Sucessores de modelos que há um ano apenas foram lançados no mercado interno, apesar do desejo dos fãs globais. Afinal, não é todos os dias que se tem a possibilidade de comprar um smartphone com um ecrã traseiro.
A questão é que desta vez serão lançados globalmente, algo que já foi anunciado pela marca oficialmente. Sabe-se que será algures em novembro. Mas é aqui que quanto a mim a Xiaomi continua a falhar. O lançamento devia ser simultâneo na China e globalmente.
Estes são smartphone diferentes, que podem marcar um ponto de viragem para a Xiaomi. Pôr toda a gente falar sobre os telemóveis com ecrã atrás em setembro colocou algum hype sobre dispositivos que ninguém pode comprar agora. Apenas na China.
Vai levar a que os fãs mais acérrimos recorram às habituações importações, para comprar versões com ROMs chinesas com software cocho e que não dá propriamente boa reputação à marca. A marca já devia estar mais alinhada com o que a Apple e Samsung fazer e bem: lançar os equipamentos em todo o lado ao mesmo tempo.
É certo que todas as marcas chinesas trabalham assim. Mas a Xiaomi chegou a um patamar onde já a terceira marca mais vendida globalmente. E se quer dar o passo seguinte e ultrapassar a Apple e a Samsung não pode deixar os fãs meses à espera de um telemóvel após este já ser conhecido na China. Vamos lá, Xiaomi: "tudo em todo o lado ao mesmo tempo" é que era.