Como adiantavam os rumores, a Apple apresentou nesta quarta-feira (28) o seu primeiro MacBook Pro com ecrã tátil, que estreia a tecnologia PROLED XDR e leva a Dynamic Island para os portáteis da marca. As novidades chegam aos modelos de 14 e 16 polegadas, mas exigem um investimento muito elevado, com os preços em Portugal a começar nos 3.399 €.
O anúncio acontece numa semana repleta de anúncios da Apple, que apresentou o seu novo MacBook Pro com chip M6, o primeiro iPad Mini com ecrã OLED e o iMac (2026).
Os novos computadores utilizam os processadores M5 Pro e M5 Max, têm um corpo mais fino e leve e prometem até 24 horas de autonomia, segundo a fabricante.
PROLED XDR combina OLED com controlo por toque
A principal novidade é o ecrã PROLED XDR com tecnologia tandem OLED, que utiliza duas camadas de píxeis com iluminação própria. A Apple anuncia brilho máximo de 2.000 nits em HDR e SDR, contraste de 10 000 000:1 e atualização variável entre 10 e 120 Hz.
Na prática, a proposta combina pretos profundos, maior detalhe nas sombras e movimentos fluidos. O painel cobre os espaços de cor P3 e Adobe RGB, importantes para fotografia, vídeo e design, e tem uma opção de vidro de nanotextura para reduzir reflexos.
O toque permite percorrer páginas, ampliar fotografias com os dedos, arrastar diapositivos ou organizar janelas. Para profissionais, abre também a possibilidade de desenhar diretamente no ecrã, manipular modelos 3D ou tocar instrumentos virtuais.
Segundo a Apple, muitas aplicações existentes funcionam desde logo porque o macOS traduz os toques em cliques. A dobradiça foi redesenhada para dar mais estabilidade durante esta utilização, que continua a funcionar em conjunto com o teclado e o trackpad.
Dynamic Island, mais memória e até 16 TB
A Dynamic Island, que estreou no iPhone 14 Pro, reúne o Spotlight (ferramenta de buscas da Apple), as Atividades em direto e a Siri AI. A tecnologia permite pesquisar no Mac, consultar atualizações, controlar música, atender chamadas ou aceitar pedidos de AirDrop.
Com o chip M5 Pro ou M5 Max, o portátil pode ser configurado com até 128 GB de memória unificada e 16 TB de armazenamento. Chega com o macOS 27 Golden Gate, Apple Intelligence e ferramentas da Siri para procurar informações, escrever e realizar ações entre aplicações.
Os ecrãs medem 14,2 e 16,3 polegadas, com os computadores a pesarem aproximadamente 1,36 kg e 1,81 kg, respetivamente. Além da autonomia anunciada de até 24 horas, a marca indica carregamento até 50% em 30 minutos.
Há três portas Thunderbolt 5, HDMI, leitor SDXC, MagSafe e entrada para auscultadores, além de Wi-Fi 7 e Bluetooth 6.
O MacBook Pro com ecrã PROLED XDR também inclui uma câmara de 12 MP com Enquadramento central e seis altifalantes com Áudio Espacial e Dolby Atmos.
Uma mudança histórica para a Apple, mas o impacto limitado no mercado deve ser limitado
Para Francisco Jerónimo, vice-presidente da IDC, empresa global de análise de mercado e consultoria tecnológica, esta decisão representa uma mudança importante após quase 15 anos de resistência da Apple aos ecrãs táteis no Mac.
Com este novo produto, a empresa entra num segmento já estabelecido. Segundo a IDC, foram enviados para o mercado 33,4 milhões de portáteis com ecrã tátil em 2025, mais 22% do que em 2024, representando 16% do total. Lenovo, HP e Dell concentram 70% deste mercado.
Contudo, o analista observa que 66% destes equipamentos são comprados por empresas. Entre os consumidores, apenas 11% escolhem portáteis táteis e raramente pagam mais por essa funcionalidade. O desafio da Apple será demonstrar que o toque melhora suficientemente o trabalho para justificar o preço, sobretudo junto de profissionais criativos.