Quando surgiram os primeiros rumores a afirmar que a Apple estaria a trabalhar num smartphone diferente do que estamos habituados, devo confessar que não pensei num dobrável, nem nos meus "sonhos mais selvagens".
Para quem está familiarizado com o meu perfil de utilizador, sabe que me considero um fã da Apple, mas se há algo que tenho vindo a criticar sobre a gigante tecnológica é a sua falta de imaginação e de aposta no risco.
Os últimos telemóveis da Apple são baseados completamente no fator "segurança", com lançamentos atrás de lançamentos vindos com o mesmo formato de sempre, sem melhorias que considere extraordinárias, tanto em termos de hardware como software — algo que me tem vindo a dececionar ao longo destes anos e a fazer-me repensar cada vez mais a minha mudança para Android.
E a prova de todo este desdenho é o lançamento do novo iPhone 18 Pro. Está mesmo quase a chegar a nova geração de iPhone que, mais uma vez, a Apple promete ser o telemóvel que vai fazer a diferença — aparentemente ao contrário dos iPhone 15, 16 ou 17.
O prometido iPhone 18 Pro
Não vou poupar nas palavras e afirmar isto: O iPhone 18 Pro não parece ser nada mais do que uma extensão do 17 Pro. Nem vou insistir nos tamanhos, que são os mesmos — isso faz sentido –, mas parece que a Apple está a trazer o velho jogo "Descobre as Diferenças" de volta à mesa.
Se colocares os iPhone 17 Pro e 18 Pro frente a frente, tenho a certeza que não vais saber distinguir um do outro à primeira vista. O mesmo acontece com as versões base dos iPhone 16 e 17 – são assustadoramente idênticas.
A duas grandes mudanças físicas no iPhone, para mim, foram o botão dedicado à câmara e ao Visual Intelligence – nos modelos 16 para cima – que, até agora não mostraram grande utilidade para toda essa "Intelligence", e o "bump" no iPhone 17 Pro, que devo dizer, esteticamente é feio – à falta de melhor palavra.
O iPhone 18 Pro apenas segue o mesmo design. E nós parecemos contentes com essa estagnação – talvez a Apple lance uma cor diferente com um nome sofisticado como "Supernova Red" (o que duvido que aconteça, visto que a Apple quer manter-se afastada das cores menos tradicionais).
A aparição do primeiro dobrável da Apple
Eis que, no meu estado mais apreensivo, surgem renders de um telemóvel que eu nunca sonharia vir das mãos da Maçã: o iPhone Ultra – e claro, Ultra no modelo e Ultra no preço.
Mas questões monetárias à parte (por agora), parece que a Samsung abalou um pouco a confiança da Apple, o que até é estranho. Isto porque não é segredo nenhum que as outras marcas normalmente prestam atenção ao que a gigante de Cupertino anda a fazer, apenas para dar o seu "take" nos seus próprios produtos.
Com os lançamentos e apostas nos Samsung Galaxy Z Flip e Fold, a Apple parece que "descobriu" um novo tipo de utilizador que gosta do risco, do diferente e do pouco esperado.
Se eu não estava assim tão ansioso pelo lançamento do iPhone 17 Pro, no que toca ao Ultra – o primeiro dobrável da Apple –, o caso muda completamente de figura. Este sim, é mais o risco que gostaria de ver na marca e que tanto rezo aos deuses da tecnologia.
A aposta "indie" de uma empresa triple A
Embora, para a Apple, o iPhone Ultra seja um brinquedo completamente novo, para marcas como a Samsung, a Motorola e a Xiaomi nada disto é novidade.
Mas mesmo assim, este sim, é o telemóvel que realmente estou à espera vindo da Apple. Algo que se sente que é realmente novo, fresco e com o selo de qualidade típico da empresa.
Pelos renders que tenho visto, como este do insider Evan Blass (embora não seja oficiais), podemos ter uma breve ideia do que nos espera: câmara dupla, um corpo em titânio, ângulos confortavelmente arredondados, uma dobradiça quase impercetível, o tal formato "passaporte" e tudo com a alma do iPhone – sem o bump exagerado do iPhone 17/18 Pro.
Mas nem tudo é bom. Confesso que tenho algumas preocupações, sendo a maior delas todas as câmaras.
De acordo com o que temos andado a ler (e com a experiência dos outros dobráveis das outras marcas), a fotografia e o vídeo são os aspetos que mais costumam pecar neste modelos – e certamente deveriam preocupar quem tira muitas fotos, grava vídeos e, especialmente, criadores de conteúdo.
Se vamos pagar cerca de 2000 euros por um dobrável, certamente que a Apple não vai desiludir os fãs com uma câmara rasca, não é? Não sei. A este ponto, só mesmo lançando as cartas para ver o futuro. Mas também devo dizer que a Apple não está em posição de errar e deixar o feedback ao destino, por várias razões.
A primeira, somos nós: aqueles que gostam e utilizam os produtos da Apple diariamente. Se alguém acha que são palavras como as minhas, ou de qualquer outro site, que "formam opinião", estão muito enganados. São as palavras de toda uma comunidade que é "cruel e impiedosa", e com todo o direito de o ser, visto que esta é "a marca" que quer definir standards... Então, agora têm que os cumprir.
Outra razão é a concorrência. A Apple vende a imagem de ser um produto premium – que é –, mas isso não significa que outras como a Samsung também não o sejam. E parece que já se apercebeu disso. A Apple tem este motto de "se eles fazem bem, nós fazemos melhor".
E uma terceira razão é na verdade o software. Durante anos, o iOS foi visto como um sistema operativo móvel impecável, rápido, que pouco erra e que "apenas funciona"... Isto até ter chegado a corrida à inteligência artificial.
Para quem viu a apresentação do WWDC deste ano, provavelmente ficou com a mesma expressão confusa que eu fiquei: a Apple apresentou não-novidades. Funcionalidades e coisas que são surpresa para absolutamente ninguém, mas que a marca tratou como extraordinário.
Estes são, para mim, três dos pontos principais que espero que a Apple tenha tomado em consideração antes do lançamento do seu primeiro dobrável; e esperar que este não seja o último. Até porque a cor da derrota não lhe fica nada bem.
O que esperar?
Tal como mencionei antes, a Apple não quer apostar fora da palete mais habitual de cores a que temos vindo a estar habituados, por isso se esperas um fator "wow" visual nesse campo, não acho que vá acontecer. A Apple gastou o seu plafond de inovação com a criação do iPhone Ultra.
Se estás ansioso pela chegada do iPhone 18 Pro, é legítimo, obviamente, mas se tens um iPhone 17 Pro e estas a pensar em atualizar, não considero necessário.
Não houve um salto significativo na tecnologia para a mudança, nem para te fazer sentir uma diferença entre o uso de um ou do outro. E esteticamente, a não ser que andes pela rua e trates o teu telemóvel pelo seu nome completo, ninguém vai notar.
No entanto, se tens o budget para o novo iPhone Ultra ou se tens um iPhone mais antigo, aqui sim pode fazer sentido a troca de modelo, tanto para o dobrável como para o iPhone 18 Pro.
No fundo, se me perguntarem e pedirem para responder com toda a sinceridade: não me sinto especialmente motivado pelo 18 Pro – sinto que é mais do mesmo –, mas estou bastante intrigado com o Ultra.
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