Se andas à procura de casa para uns dias de descanso, precisas de saber disto antes de fechar negócio. A Guarda Nacional Republicana lançou um alerta para o aumento de burlas na compra e arrendamento de alojamentos, muitas delas com ponto de partida em plataformas digitais onde qualquer anúncio pode parecer legítimo à primeira vista.
E não estamos a falar de um ou dois casos. Os números mostram que o problema tem dimensão nacional e continua bem ativo.
725 casos só em 2025
Em 2025, foram registadas 725 ocorrências deste tipo. É verdade que representa uma ligeira descida face a 2024, ano em que se contabilizaram 762 casos, mas o fenómeno continua bem presente e espalhado pelo país. Nos últimos dois anos, foram ainda detidos três suspeitos ligados a estas práticas.
Estamos a reparar numa tendência com menos casos do que no ano anterior, mas o problema está longe de desaparecer. E continua a encontrar terreno fértil onde? Na internet.
Onde há mais casos?
Os dados mostram uma concentração maior em zonas turísticas e grandes centros urbanos. Eis os distritos com mais ocorrências:
- Faro: 153 crimes (cerca de 21% do total nacional)
- Setúbal: 91
- Lisboa: 86
- Braga: 72
- Porto: 72
- Aveiro: 46
- Leiria: 41
- Santarém: 38
- Castelo Branco: 21
- Viseu: 20
Além disso, há distritos onde o crescimento foi particularmente expressivo, como Portalegre, Viana do Castelo, Leiria e Castelo Branco, sobretudo entre 2024 e 2025. Ou seja, não é um problema exclusivo do Algarve ou das grandes cidades. Está mais disperso do que parece.
Como funciona o esquema?
O padrão repete-se. Surgem anúncios apelativos com preços muito abaixo do mercado, acompanhados por fotografias de imóveis reais. O objetivo é criar a sensação de uma "oportunidade que não podes perder".
Depois vem a pressão para pagares um sinal imediato para garantir a reserva. Isto, sem visita ao local ou contacto presencial. Tudo feito à distância.
Muitas vítimas só percebem que foram enganadas meses depois, quando o contacto desaparece ou quando chegam à morada e descobrem que o imóvel não existe ou não está disponível.
É aqui que a tecnologia entra como facilitadora do esquema. Plataformas digitais permitem publicar anúncios em minutos e as fotografias circulam facilmente. Contas bancárias são usadas como um destino rápido para transferências. E o rasto pode desaparecer com a mesma velocidade com que surgiu.
O que deves fazer antes de transferir dinheiro
A GNR deixa várias recomendações que fazem todo o sentido no contexto atual:
- Desconfia de preços muito abaixo da média da zona
- Sempre que possível, visita o imóvel presencialmente
- Pesquisa as imagens do anúncio para ver se aparecem noutras plataformas
- Confirma a identidade do anunciante
- Verifica se o nome do titular da conta bancária corresponde ao da pessoa que te está a arrendar
- Não cedas a pressões para pagar imediatamente com o argumento de que há “muitos interessados”
Hoje em dia tratamos de tudo online, de alojamento a viagens, quase sem pensar duas vezes. sem dúvida que aqui a tecnologia facilita muito, mas também nos pode tornar menos atentos. Quando um anúncio parece demasiado vantajoso, há uma forte probabilidade de existir algum problema.
A tecnologia simplificou processos, mas também abriu espaço a novos esquemas. Por isso, é preciso estar atento aos detalhes, agora mais do que nunca. Antes de fazeres uma transferência, para um momento e confirma tudo. Esses segundos podem evitar muitos problemas.
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