O polémico Trump Phone voltou ao centro das atenções e pelas piores razões. A Trump Mobile alterou discretamente os termos e condições associados ao T1 Phone, o smartphone dourado promovido pela família Trump, passando agora a indicar que o dispositivo pode simplesmente nunca chegar ao mercado.
A mudança gerou forte polémica porque milhares de utilizadores já tinham pago depósitos de 100 dólares para garantir prioridade na compra do equipamento, originalmente apresentado como um smartphone ‘Made in USA’, capaz de competir com Apple e Samsung.
No entanto, quase um ano depois do anúncio inicial, o telefone continua sem data oficial de lançamento, sem unidades entregues e com várias promessas iniciais a desaparecerem gradualmente do site oficial.
Trump Mobile já admite que o telefone pode nunca existir
Segundo a Android Authority, a principal controvérsia surgiu após a atualização dos termos legais da Trump Mobile em abril de 2026.
O novo texto afirma claramente que: “O depósito de pré-reserva fornece apenas uma oportunidade condicional” de compra futura do dispositivo.
Além disso, a empresa acrescenta que:
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não garante que o smartphone venha a ser produzido;
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não garante disponibilidade comercial;
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nem confirma preços, especificações ou datas de entrega.
A alteração foi descoberta por utilizadores e jornalistas especializados, gerando rapidamente acusações de possível ‘vaporware’, denominação usado na indústria tecnológica para produtos anunciados, mas que nunca chegam efetivamente ao mercado.
O ‘smartphone de Trump’ já foi adiado várias vezes
O T1 Phone foi anunciado em junho de 2025, por Donald Trump Jr. e Eric Trump, durante o lançamento da Trump Mobile, uma operadora virtual ligada à marca Trump.
Na altura, o smartphone prometia design dourado, ‘made in USA’, Android personalizado, foco em privacidade e integração com os serviços Trump Mobile.
O lançamento estava inicialmente previsto para agosto de 2025, mas foi sendo sucessivamente adiado... até desaparecer completamente do calendário oficial.
Hoje, o site já não apresenta qualquer data concreta de lançamento.
Promessa ‘Made in USA’ também desapareceu
Outro detalhe que levantou suspeitas foi a remoção silenciosa da expressão ‘Made in USA’.
Quando o T1 Phone foi apresentado, a Trump Mobile afirmava que o equipamento seria fabricado nos Estados Unidos. No entanto, especialistas rapidamente colocaram essa promessa em causa, apontando ausência de capacidade industrial americana para produzir smartphones em larga escala.
Poucos dias depois as referências a ‘Made in USA’ desapareceram.
O discurso passou para frases vagas como “designed with American values” e surgiram suspeitas de que o equipamento poderia afinal ser baseado em hardware chinês rebranding.
Ainda não existem provas concretas do produto final
Apesar de algumas imagens promocionais e protótipos apresentados online, vários meios especializados continuam a questionar se existe realmente um modelo funcional pronto para produção.
O The Verge descreveu recentemente o projeto como “ainda sem provas de que não seja vaporware”.
Já o CNET e outros analistas notaram inconsistências entre renders promocionais, especificações divulgadas e os protótipos mostrados posteriormente.
Quase 600 mil pessoas já terão pago depósitos
Segundo vários relatórios citados pela imprensa internacional, cerca de 590 mil utilizadores poderão já ter pago depósitos de 100 dólares. Isso representa potencialmente quase 60 milhões de dólares arrecadados antes mesmo da existência confirmada do produto final.
O problema é que muitos clientes afirmam não conseguir informações claras.
Há dúvidas sobre políticas de reembolso e vários compradores relatam atrasos constantes sem explicações concretas.
Comunidade online já fala em “scam” e “grift”
Nas redes sociais e fóruns como Reddit, a reação tornou-se bastante agressiva.
Muitos utilizadores acusam o projeto de:
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ser apenas marketing político;
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aproveitar a popularidade de Trump;
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ou funcionar como uma recolha massiva de depósitos sem produto real associado.
Mesmo entre apoiantes conservadores começam a surgir críticas devido à falta de transparência e aos sucessivos atrasos.
Trump Mobile continua operacional como operadora
Apesar da polémica em torno do T1 Phone, a Trump Mobile continua ativa enquanto operadora móvel virtual (MVNO), utilizando redes de operadoras americanas como a AT&T, Verizon e T-Mobile.
O plano principal continua a custar 47,45 dólares por mês, uma referência aos mandatos presidenciais de Donald Trump enquanto 45.º e 47.º presidente dos EUA.
