Depois de quase nove anos de espera, a Tesla revelou finalmente o novo Roadster. E o resultado está bastante longe do protótipo que conhecemos em 2017.
O novo desportivo elétrico foi desenvolvido de raiz e recebeu um design muito mais angular, com uma postura baixa, aerodinâmica ativa e soluções desenvolvidas em conjunto com a SpaceX. A Tesla não se limitou a mostrar o carro parado: durante a apresentação demonstrou o Roadster a circular de cabeça para baixo e uma configuração capaz de sair do chão com recurso a propulsores de gás frio.
Por baixo da carroçaria encontramos uma nova arquitetura com bateria composta por células 4680 e dois motores elétricos montados no eixo traseiro. A Tesla aposta também em controlos eletrónicos para direção, travagem e acelerador, além de travões carbocerâmicos e suspensão com altura ajustável.
Performance, Thrust e Rocket: três níveis completamente diferentes
A gama apresentada divide-se em Performance, Thrust e Rocket, com níveis de tecnologia bastante diferentes.
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Performance: é a configuração mais próxima de um Roadster convencional e foi pensada para utilização em estrada. Utiliza aerodinâmica ativa e um sistema com ventoinhas elétricas na traseira que retira ar da zona inferior do automóvel para criar sucção e aumentar a aderência.
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Thrust: edição limitada preparada para competição. Mantém o sistema de sucção, mas acrescenta propulsores de gás frio na traseira. Segundo a Tesla, esta configuração consegue acelerar dos 0 aos 100 km/h em menos de 1 segundo.
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Rocket: é a versão mais extrema. Perde o banco do passageiro para dar espaço adicional ao sistema de propulsão e recebe propulsores distribuídos pelo automóvel que permitem gerar força para cima, para a frente e controlar a orientação no ar. É uma configuração de um lugar e apenas por convite.
Foi precisamente com a Rocket que a Tesla fez a demonstração mais impressionante. O Roadster conseguiu sair de uma estrutura para o ar, controlar a rotação e voltar a aterrar através dos propulsores.
A própria Tesla avisa, no entanto, que a Rocket não está aprovada para utilização em vias públicas e poderá nem estar disponível em todas as regiões, já que depende da legislação de cada mercado.
O interior também mudou bastante
Por dentro, o novo Roadster mantém a filosofia minimalista da Tesla, mas com um ambiente claramente mais focado no condutor. O habitáculo conta com dois bancos desportivos bastante envolventes, pedais montados no piso e uma evolução do conhecido volante tipo yoke, agora com patilhas metálicas.
A direção utiliza um sistema steer-by-wire, ou seja, não existe uma ligação mecânica tradicional entre o volante e as rodas. Os comandos são enviados eletronicamente, e o mesmo princípio é aplicado ao travão e ao acelerador.
Ao centro encontra-se um ecrã de infoentretenimento ligeiramente virado para o condutor, acompanhado por um segundo painel estreito junto à base do para-brisas, onde podem surgir informações como a velocidade.
Também há diferenças importantes no número de lugares. As configurações Performance e Thrust têm dois lugares, enquanto a Rocket fica limitada apenas ao condutor.
Por fora, o Roadster também mudou bastante face ao protótipo de 2017. As linhas estão mais vincadas e futuristas, as portas abrem para cima e para a frente e a aerodinâmica tem um papel central.
Entre os elementos ativos destaca-se uma grande asa traseira, capaz de alterar a posição para aumentar a força descendente ou funcionar como travão aerodinâmico.
Produção está apontada para 2028
A Tesla pretende começar a produção do novo Roadster em 2028. Ainda assim, depois do historial de adiamentos do modelo, este calendário deve ser visto como o objetivo atual da marca e não como uma garantia de que as primeiras entregas acontecerão nessa data.
Também continuam por esclarecer alguns dados importantes, como a capacidade total da bateria, velocidade máxima de carregamento, autonomia homologada na Europa e os preços de cada configuração.
Mas desta vez existe uma diferença importante face aos últimos anos: a Tesla já mostrou um novo carro, demonstrou o funcionamento do sistema de sucção e colocou os propulsores em ação.
O Thrust promete fazer dos 0 aos 100 km/h em menos de um segundo e o Rocket conseguiu efetivamente sair do chão. Agora falta perceber quanto vai custar transformar toda esta tecnologia num carro que os clientes possam realmente comprar.
Quanto vai custar o novo Tesla Roadster?
Esta é uma das grandes perguntas que a Tesla ainda não respondeu.
Não foram anunciados preços finais para as versões Performance, Thrust ou Rocket durante a apresentação. Em Portugal, já é possível reservar o Roadster na versão Performance, mas é necessário um pagamento total de 50.000 €: 5.000 € no momento da reserva e mais 45.000 € no prazo de 10 dias.
Este montante não corresponde ao preço final do automóvel. A Tesla explica que a reserva só fica concluída depois de receber o pagamento e que o valor definitivo do Roadster será conhecido mais tarde.

Como referência histórica, quando o modelo foi apresentado em 2017, a Tesla apontava para 200.000 dólares para a versão base e 250.000 dólares para a Founders Series. Estes valores não devem, contudo, ser tratados como preços do novo modelo, já que a marca ainda não publicou uma tabela atualizada.
Até esta apresentação sofreu uma alteração de última hora. Estava inicialmente marcada para 1 de outubro, mas a Tesla mudou a data devido às condições meteorológicas previstas no Texas. Agora percebe-se melhor a necessidade de realizar o evento ao ar livre.