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Portugueses pagam cada vez mais em combustíveis: veja quanto fica nos cofres do Estado

A escalada dos preços dos combustíveis está longe de abrandar. E embora o Governo tenha avançado com descontos temporários no ISP, especialistas alertam que os consumidores continuam a suportar uma das maiores cargas fiscais da Europa.

Combustíveis
Imagem: Magnific

Os preços dos combustíveis continuam sob forte pressão em Portugal e o impacto já vai muito além das bombas de abastecimento. À medida que gasolina e gasóleo sobem, cresce também a receita fiscal arrecadada pelo Estado através do IVA, ISP e taxa de carbono.

Segundo dados divulgados pela DECO PROteste, na gasolina simples cerca de 97 cêntimos por litro correspondem atualmente a impostos e taxas. No gasóleo simples, a carga fiscal ronda os 84 cêntimos por litro.

A escalada dos preços está relacionada com a instabilidade no Médio Oriente e com os constrangimentos no estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo. A tensão geopolítica provocou uma subida do Brent e acabou por refletir-se rapidamente nos preços pagos pelos consumidores portugueses.

Na primeira semana de março, a gasolina aumentou em média 3,8 cêntimos por litro e o gasóleo subiu cerca de 5,7 cêntimos. Desde finais de janeiro, abastecer um depósito de 50 litros passou a custar mais 20,35 euros no caso do gasóleo e mais 11,70 euros na gasolina.

Porque é que o Estado arrecada mais quando os combustíveis sobem?

A explicação está sobretudo no IVA. Como este imposto é calculado em percentagem sobre o preço final, qualquer aumento do combustível gera automaticamente mais receita fiscal para o Estado.

Ou seja:

  • quanto mais sobe o preço na bomba;

  • mais IVA é cobrado por litro.

Além do IVA, os consumidores continuam a pagar ISP, taxa de carbono e outros encargos associados à incorporação de biocombustíveis.

A DECO PROteste considera positiva a existência de descontos temporários no ISP para compensar parte do aumento dos preços, mas defende medidas estruturais e permanentes.

A associação propõe um mecanismo automático: sempre que o Estado arrecadar receita adicional devido à subida dos combustíveis, esse excesso deveria ser devolvido aos consumidores através de uma redução equivalente do ISP.

Governo tem aplicado descontos temporários

Perante a subida dos preços, o Governo voltou a aplicar descontos extraordinários no ISP.

Em março, foi anunciado um desconto de:

  • 2,6 cêntimos por litro no gasóleo;

  • 1,4 cêntimos por litro na gasolina.

Com o efeito do IVA, o desconto final sentido pelos consumidores chegou aos 3,2 cêntimos no gasóleo e 1,7 cêntimos na gasolina.

Mais recentemente, os descontos passaram para:

  • 4,6 cêntimos por litro na gasolina;

  • 6,8 cêntimos no gasóleo.

Ainda assim, especialistas consideram as medidas insuficientes perante combustíveis próximos dos dois euros por litro.

Pedro Silva, analista de energia da DECO PROteste, defende que o Governo deveria ir além da 'neutralidade fiscal' e apoiar diretamente os consumidores, sobretudo em períodos de crise energética.

Portugueses contestam aumento dos preços

Em particular nas redes sociais, cresce a indignação com os sucessivos aumentos.

Em fóruns portugueses, muitos utilizadores criticam o facto de os combustíveis subirem rapidamente quando o petróleo aumenta, mas demorarem mais tempo a descer quando o Brent recua.

Outros questionam se os descontos aplicados pelo Governo são suficientes face às receitas fiscais adicionais geradas pelo aumento dos preços.

O debate intensificou-se, sobretudo, porque os combustíveis têm impacto direto em toda a economia: transporte; alimentação; logística; e bens essenciais.

A própria DECO PROteste já alertou que a subida dos combustíveis poderá continuar a pressionar os preços alimentares nos próximos meses.

Combustíveis continuam no centro da pressão sobre as famílias

Com salários a crescerem abaixo do custo de vida e despesas essenciais cada vez mais elevadas, os combustíveis voltaram a tornar-se um dos principais fatores de pressão sobre os orçamentos familiares.

Enquanto isso, mantém-se a discussão sobre até que ponto o Estado deve reduzir impostos para aliviar o impacto sentido pelos consumidores ou se continuará a beneficiar financeiramente da escalada dos preços energéticos.

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Nélson Gomes da Costa
Nélson Gomes da Costa
Licenciado em Ciências da Comunicação, é jornalista há mais de 12 anos, com experiência em jornalismo regional e digital marketing, e passagem por cargos de jornalista, editor de desporto, subeditor e diretor. Apaixonado por desporto e cultura, acompanha de perto o universo tecnológico, explorando tendências como inteligência artificial, plataformas digitais e gadgets.