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Portugal está prestes a mudar uma das regras mais importantes da condução

O Governo colocou em consulta pública a estratégia Visão Zero 2030, que pode alterar profundamente os limites de velocidade em Portugal. A proposta prevê reduzir para 70 km/h as estradas de dois sentidos sem separador central.

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Depois de enormes mudanças no IUC e também novidades na inspeção obrigatória, o próximo alvo parece ser a velocidade.

Assim sendo, como dá conta o Jornal de Notícias, o Governo colocou em consulta pública a Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária, chamada Visão Zero 2030.

Uma das propostas já está a gerar discussão: baixar o limite máximo para 70 km/h nas estradas com dois sentidos de circulação e sem separador central.

São exatamente estas estradas, sem barreira física entre os dois sentidos, que concentram boa parte dos acidentes mortais por colisão frontal em Portugal.

A lógica por detrás do número não é arbitrária. É que uma colisão frontal a 70 km/h tem uma probabilidade de morte igual ou inferior a 10%, um valor que sobe a pique com cada quilómetro por hora a mais.

Zonas com peões ou ciclistas limite máximo de 30 km/h

Nas zonas onde veículos e peões ou ciclistas partilham o mesmo espaço, a proposta é mais restritiva ainda: limite de 30 km/h. O objetivo é simples, reduzir a gravidade das colisões precisamente onde o contacto entre tráfego motorizado e pessoas é mais provável.

A meta para 2030 é que 70% das vias fora das localidades tenham separação física entre sentidos ou estejam sujeitas ao novo limite. Hoje, esse cenário existe em apenas 27,8% dessas estradas. É uma transformação enorme, e o documento reconhece isso.

O horizonte final (e bastante difícil de ser atingido) é 2050, com zero vítimas mortais e zero feridos graves nas estradas portuguesas.

O que ficou de fora

Dito isto, o documento tem lacunas que não passaram despercebidos. Não diz nada concreto sobre condução sob o efeito do álcool ou drogas, não prevê mais fiscalização por radar, e não toca no agravamento das coimas.

São três fatores que os especialistas em segurança rodoviária colocam unanimemente no topo da lista e, surpreendentemente, ficaram todos de fora.

O contexto torna a urgência mais difícil de ignorar. Nos primeiros meses do ano, 227 pessoas perderam a vida nas estradas portuguesas.

Trata-se de um aumento de 25% face ao mesmo período do ano anterior, de acordo com dados da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária citados pelo Jornal de Notícias.

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Tomás Cascão
Tomás Cascão
Mestre em Media e Jornalismo pelo ISCTE. Apaixonado por tecnologia, gadgets e tudo o que envolve algumas das maiores aplicações do mundo, como o WhatsApp ou o Google Maps. É também um ávido consumidor de Streaming, sendo que a Netflix tem um lugar especial no coração.