Os futuros do Brent com entrega em agosto recuaram quase 1%, depois de já terem caído cerca de 5% em cada um dos dois dias anteriores.
O barril de petróleo de referência europeia ficou cotado nos 78,24 dólares, o equivalente a cerca de 67,65 euros à taxa do câmbio atual. É o valor mais baixo desde 3 de março.
Para se ter uma ideia da escala da subida e do alívio que se segue: depois de ter disparado mais de 50% durante a guerra, o crude está agora apenas cerca de 7% acima do valor registado antes dos ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irão, a 28 de fevereiro.
Analistas divididos entre otimismo e cautela
Tamas Varga, analista da PVM Oil Associates, descreve o cenário imediato como otimista, sem grandes contratempos à vista. Segundo o analista, a queda acumulada do Brent nas últimas quatro sessões, cerca de 17 dólares por barril, aproximadamente 14.7 euros, reflete a confiança crescente de que o pior em termos de disrupção do fornecimento já passou.
Vandana Hari, fundadora da Vanda Insights, é mais cautelosa. Apesar do alívio trazido pelo anúncio do entendimento entre Estados Unidos e Irão, sublinha que cumprir efetivamente as promessas assumidas ainda está para vir.
Para Hari, a descida atual reflete sobretudo o sentimento dos investidores a antecipar o melhor cenário possível, sem ainda ponderar eventuais contratempos logísticos ou novas tensões geopolíticas.
O Estreito de Ormuz continua a ser a chave
O encerramento quase total do Estreito de Ormuz desde o início do conflito retirou ao mercado global uma estimativa de 14 milhões de barris de petróleo por dia, o que explicou grande parte da subida de preços nos últimos meses.
O memorando que deverá ser assinado já esta sexta-feira prevê que o Irão ponha fim a esse encerramento, em troca do levantamento do bloqueio dos Estados Unidos aos portos iranianos.
O que isto significa para Portugal
Portugal importa praticamente todo o petróleo que consome, por isso uma descida sustentada do Brent tende a refletir-se, com algum desfasamento, no preço da gasolina e do gasóleo nas bombas. Esta semana o gasóleo desceu 3 cêntimos, enquanto a gasolina subiu ligeiramente 0,5 cêntimos, um sinal de que os preços ainda não acompanham por completo a queda do petróleo internacional.
O preço final na bomba depende de outros fatores além da cotação internacional, como impostos e margens de distribuição, pelo que uma queda no mercado não se traduz de forma imediata ou proporcional numa descida equivalente para o consumidor. Para encontrar o posto mais barato, o Portal de Preços dos Combustíveis da DGEG continua a ser a ferramenta mais fiável, com filtros por marca, tipo de combustível e localização.
