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O PIN do Multibanco vai acabar em Portugal e a substituição está a chegar da Europa

Os bancos europeus estão a testar cartões com leitor de impressão digital incorporado. Sem PIN, sem teclado, sem vulnerabilidades. O sistema já está em fase avançada em França e é só uma questão de tempo até chegar a Portugal.

multibaco
Imagem gerado por IA | Microsoft Copilot

Durante décadas, o PIN de quatro dígitos foi a principal barreira entre a tua conta bancária e quem quisesse aceder a ela sem permissão. Mas esse modelo está a chegar ao fim, e a substituição que está a ser testada em França pode mudar completamente a forma como usas no Multibanco.

Três dos maiores bancos franceses, BNP Paribas, Crédit Agricole e Société Générale, estão a desenvolver cartões com sensores biométricos embutidos no próprio plástico. Em vez de introduzires um código no multibanco, basta pousares o dedo num pequeno sensor no cartão. A verificação acontece em milissegundos e a compra é aprovada.

Como funciona sem uma bateria?

A grande questão técnica que muita gente coloca é óbvia: como é que um sensor de impressão digital funciona num cartão tão fino, sem qualquer fonte de energia? A resposta está no campo eletromagnético gerado pelo próprio multibanco.

No exato momento em que aproximas o cartão, a energia necessária para ativar o leitor biométrico é extraída diretamente desse campo, sem fios, sem carregamentos, sem baterias. É a mesma lógica que já conheces do pagamento por aproximação, mas com uma camada de autenticação que ninguém pode contornar.

Os teus dados nunca saem do cartão

Muita gente vai questionar o que acontece à impressão digital. A resposta é simples e tranquilizadora: o mapa biométrico fica guardado exclusivamente dentro do chip do cartão. O banco nunca recebe esse dado, apenas um sinal de confirmação que indica se o titular está, ou não, a segurar o cartão naquele momento. Nenhuma base de dados em risco, nenhuma informação pessoal na rede.

Isto é relevante sobretudo num contexto em que as burlas com MB Way continuam a fazer vítimas em Portugal, muitas delas baseadas em engenharia social para obter PINs e códigos de acesso. Com biometria local, esse vetor de ataque desaparece por completo.

O problema real do PIN que ninguém fala

O pagamento por aproximação sem validação já existe há anos, e é exatamente aí que está a fragilidade mais óbvia do sistema atual. Se perderes o cartão qualquer pessoa consegue fazer dezenas de compras de baixo valor antes de teres tempo de bloquear. Com o novo sistema biométrico, a primeira tentativa sem o teu dedo falha. Não há segunda oportunidade.

Também não é segredo que o PIN pode ser capturado por alguém posicionado atrás de ti na fila do supermercado, ou através de técnicas de engenharia social cada vez mais sofisticadas. É por isso que faz sentido rever as definições de segurança do MB Way regularmente enquanto este novo sistema não chega.

Quando chega a Portugal?

Para já, os testes estão concentrados em França, mas Portugal está claramente no radar. Ainda não existe uma data oficial para a chegada desta tecnologia ao nosso país, embora o contexto europeu indique que essa transição pode não demorar muito.

A União Europeia tem acelerado a uniformização dos sistemas de pagamento, e Portugal destaca-se como um dos mercados mais avançados. Soluções como o Multibanco e o MB Way mostram que os portugueses já estão habituados a métodos digitais rápidos e seguros.

Até lá, os cartões biométricos continuam em fase de testes e evolução. Quando chegarem a Portugal, o tradicional PIN poderá tornar-se algo do passado, quase como uma relíquia dos primeiros dias dos pagamentos digitais.

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Miguel Vieira
Miguel Vieira
Redator no 4gnews com formação em Programação e Multimédia. Cobre tecnologia, gaming e mobilidade elétrica, com presença em eventos como a Web Summit, Lisboa Games Week, ECarShow e SAHE.