A fasquia das telecomunicações em Portugal acaba de subir. Numa altura em que a cobertura de internet de alta velocidade ainda é uma dor de cabeça para milhares de portugueses, a NOS anunciou que concluiu a expansão da sua rede de fibra ótica a todos os 308 concelhos do país (continente e ilhas).
Este marco deixa a operadora um passo à frente da concorrência direta. Apesar de a MEO e a Vodafone cobrirem uma percentagem massiva da população, nenhuma das duas operadoras concorrentes consegue ainda garantir presença em todos os concelhos do território nacional.
Um investimento de 326 milhões para duplicar a rede
A meta agora alcançada é o resultado de um plano estratégico ambicioso que arrancou em 2015. Ao longo dos últimos 10 anos, a NOS injetou mais de 326 milhões de euros na expansão das suas infraestruturas, um esforço financeiro e humano que permitiu duplicar a cobertura de fibra da empresa numa década, avança a operadora em comunicado.
Atualmente, a rede da NOS já chega a mais de 92% das casas portuguesas. Para atingir os concelhos mais isolados, a operação envolveu centenas de profissionais e incluiu:
- A construção de cerca de 1500 quilómetros de rede de fibra própria.
- O estabelecimento de novos acordos estratégicos de partilha de rede e parcerias de wholesale (venda por grosso).
O contraste com a MEO e a Vodafone e o problema das "áreas brancas"
A conquista da NOS ganha especial relevância quando comparada com o estado atual do mercado. Ao contrário desta operadora, nem a MEO nem a Vodafone têm fibra ótica disponível na totalidade dos 308 concelhos.Embora o sinal das três operadoras chegue às sedes de concelho, persistem assimetrias regionais graves.
O bloqueio reside nas chamadas "áreas brancas". Estas zonas são constituídas por aldeias, lugares isolados e freguesias rurais no interior e nas regiões autónomas (Açores e Madeira), onde os operadores optaram por não investir devido à baixa rentabilidade comercial. Nesses locais, a cobertura varia de rua a rua, obrigando os clientes a validações de morada constantes.
O plano do Governo para resgatar o interior
Para resolver o isolamento digital destas populações, está já em marcha um concurso público internacional de mais de 400 milhões de euros, financiado pelo Estado e por fundos europeus.
O objetivo deste concurso é criar uma "autoestrada digital". Empresas grossistas (como a DSTelecom) vão instalar a infraestrutura de fibra nas freguesias em falta para que, posteriormente, as operadoras possam alugar essa mesma rede e, finalmente, vender os seus pacotes comerciais nessas aldeias. Mas enquanto isso não acontece, a NOS tem já a vantagem de estar presente nos 308 concelhos do nosso país.
