O bolso dos portugueses ganhou um novo fôlego no setor das telecomunicações. Segundo os dados mais recentes do Índice de Preços no Consumidor (IPC), citado pela ANACOM, os preços dos serviços de telecomunicações mantiveram-se estáveis em maio de 2026 face ao mês anterior, mas a verdadeira surpresa surge na comparação com o ano passado: registou-se uma queda de 2,5%, face ao período homólogo de 2025.
Enquanto a média europeia subiu 1,2%, Portugal registou uma variação média de menos 1,7%. Para se ter uma noção do cenário europeu, a Dinamarca liderou as subidas com um agravamento de 6,2%, enquanto a Áustria registou a maior quebra (-4,4%).
O "efeito DIGI": mensalidades a partir de 4 €
Esta descida acentuada dos preços em solo nacional tem um rosto claro. A operadora low-cost DIGI continua a forçar a reestruturação do mercado e voltou a esmagar a concorrência em maio.
A empresa apresentou as mensalidades mínimas mais baixas em 9 das 11 ofertas analisadas pelo regulador. Estes são os valores:
- Telemóvel (standalone): Apenas 4 € por mês.
- Pacotes Triple Play (TV+NET+VOZ): disponíveis a partir de 21 €.
- Pacotes Quadruple Play (com móvel incluído): a partir de 24 €.
À exceção do serviço telefónico fixo, que estagnou, todos os restantes subgrupos (como pacotes e dados móveis) registaram quedas muito mais acentuadas em Portugal do que na média do bloco europeu.
Apesar das quedas, Portugal continua mais caro que a média europeia
Apesar desta excelente trajetória de descida, os dados históricos do Eurostat deixam um alerta importante para os consumidores. Portugal ainda sofre com um "custo de vida tecnológico" elevado.
Na classe de consumo "informação e comunicação", Portugal apresenta um nível de preços 10,4% acima da média da União Europeia, ocupando a 12.ª posição entre os países mais caros da UE27 nesta categoria específica.
Esta é, aliás, uma das duas únicas classes de consumo onde o nosso país se dá ao luxo de estar substancialmente acima da média europeia. Significa isto que, embora a entrada de novos operadores esteja a empurrar os preços para baixo a ritmo acelerado, Portugal partiu de um patamar historicamente alto.
