
As cápsulas deixaram de ser o único atalho para quem tem pouca bancada. A KRUPS Coffee Crush e a Philips Baristina moem o grão na hora, calcam e extraem sozinhas, e ficam abaixo dos 20 cm de largura. As automáticas clássicas, da Philips à De'Longhi, rondam os 24 cm.
Pesámos as duas novidades contra as clássicas nos dois pontos que mais contam para quem vive num apartamento: o espaço que ocupam e o trabalho que dão a limpar.
Automática, superautomática ou porta-filtro?
As marcas misturam os termos, por isso vale a pena alinhar o vocabulário.
- Porta-filtro (ou manual): és tu que doseias, calcas e, muitas vezes, moes o café à parte. Dá controlo total e um bom expresso, mas pede técnica e tempo. É o caso da De'Longhi Dedica.
- Automática ou superautomática de grão: mói, calca, extrai e deita a borra num depósito interno, tudo num toque. É a família da De'Longhi Magnifica e da Philips Série 1200. Em Portugal, os dois nomes usam-se quase sempre com o mesmo sentido.
- As novas compactas: ficam a meio caminho. A Coffee Crush e a Baristina moem, calcam e extraem sozinhas, mas a borra sai à mão, num porta-filtro, chávena a chávena.
O espaço: a largura é o que muda
Uma automática clássica leva lá dentro o moinho, o grupo de extração e o depósito de borras. É isso que a deixa com cerca de 24 cm de largura, 35 a 37 cm de profundidade e 7,5 a 9 kg.
A Coffee Crush corta nessa estrutura: sem depósito de borras, fica nos 15 cm de largura, 29,5 cm de profundidade e 4 kg. A Baristina mede 18 cm de largura e pesa 5 kg, mas os 38 cm de profundidade deixam-na ao nível das clássicas. Numa bancada funda e estreita, entre a torradeira e o micro-ondas, é a largura que decide.
A limpeza: o ponto que separa as máquinas
Todas as automáticas de grão sujam por dentro, porque moem e calcam café húmido a cada chávena. O que muda é a forma de as lavar. Há três abordagens no mercado.
- Grupo amovível (Philips Série 1200, De'Longhi Magnifica): tiras a peça à mão e lavas na torneira, uma vez por semana. É o sistema mais comum e deixa-te ver o interior. Em troca, entra algum pó de café no mecanismo.
- Grupo fixo (Jura, Siemens EQ): a máquina limpa-se sozinha, com enxaguamentos e pastilhas. Dá menos trabalho, mas não vês o interior e as pastilhas são um gasto que se repete.
- Borra à mão (KRUPS Coffee Crush, Philips Baristina): não há depósito de borras, a pastilha de café sai do porta-filtro a cada chávena. Não há gaveta nem grupo para lavar, mas mexes na borra sempre, e não a cada 10 ou 12 cafés.
Em qualquer dos casos ficam duas rotinas: esvaziar o tabuleiro de gotejamento e descalcificar de tempos a tempos. Um filtro de água no depósito espaça a descalcificação, mas não a elimina.
As duas ultracompactas em detalhe
KRUPS Coffee Crush
Em Portugal há duas versões: a Coffee Crush de entrada (SA401), com três níveis de moagem e sem tubo de vapor, e a Coffee Crush Experience (SA403B), com cinco níveis e tubo de vapor. Noutros mercados europeus há ainda uma intermédia, a Coffee Crush Extra.
A Experience mede 15 x 29,5 x 36 cm e pesa 4 kg. Mói o grão na hora, aceita café já moído (útil para quem bebe descafeinado) e traz tubo de vapor para a espuma de leite, que fazes à mão.
A favor: 15 cm de largura e 4 kg, fácil de arrumar e de mudar de sítio; café moído na hora sem ocupar a bancada.
Contra: sem depósito de borras, tens de a esvaziar a cada chávena; espuma de leite só na Experience, e feita à mão.
Philips Baristina
Na nossa review da Philips Baristina, demos-lhe 4,5 em 5. Mede 18 cm de largura, 38 cm de profundidade e 34,5 cm de altura, pesa 5 kg e traz depósito de 1,2 L. Prepara expresso e lungo e não faz espuma de leite.
Funciona por porta-filtro: encaixas, deslizas para a direita e a máquina mói, calca e extrai sozinha. No fim, a borra sai como uma pastilha seca, que se bate no lixo e se enxagua em segundos.
A favor: limpeza rápida, sem borra húmida pela bancada; das mais estreitas do mercado; extração consistente depois dos primeiros cafés.
Contra: a moagem não se ajusta, o que limita os cafés de especialidade; sem leite; os primeiros 8 a 10 cafés saem aguados enquanto a máquina calibra.
As compactas lado a lado
As automáticas de grão clássicas mais pequenas à venda em Portugal andam todas pelos 24 cm de largura. A tabela junta as duas novidades e três referências do segmento, com as medidas dos fabricantes. Todas se vendem em Portugal.
| Modelo | Largura | Profundidade | Peso | Borra | Leite |
|---|---|---|---|---|---|
| KRUPS Coffee Crush Experience | 15 cm | 29,5 cm | 4 kg | À mão, a cada chávena | Tubo de vapor |
| Philips Baristina | 18 cm | 38 cm | 5 kg | À mão, a cada chávena | Não |
| De'Longhi Magnifica S | 23,8 cm | 35 cm | 9 kg | Depósito, grupo amovível | Tubo de vapor |
| De'Longhi Magnifica Start | 24 cm | 35 cm | 8,8 kg | Depósito, grupo amovível | Tubo de vapor |
| Philips Série 1200 (EP1224) | 24,6 cm | 37 cm | 7,5 kg | Depósito, grupo amovível | Tubo de vapor |
Em resumo: a Coffee Crush é a mais pequena em largura, profundidade e peso, e a Baristina ganha em largura e peso mas não em profundidade. São as únicas sem depósito de borras. As clássicas pedem mais bancada e, em troca, aguentam a borra de várias chávenas antes de a esvaziares.
Como escolher
- Bancada apertada e um ou dois cafés por dia: a Coffee Crush ou a Baristina. Ocupam pouco e esvaziar a borra a cada café não pesa a quem faz poucos.
- Várias chávenas seguidas: compensa uma clássica com depósito de borras, como a Philips Série 1200 ou a Magnifica, que aguenta várias extrações antes de a esvaziares.
- Cappuccino com um toque: nenhuma destas faz espuma de leite automática. Para isso é preciso passar para modelos como a Philips Série 2200 com LatteGo ou a De'Longhi Magnifica Evo com LatteCrema.
- Descafeinado de vez em quando: confirma se a máquina aceita café moído. A Coffee Crush aceita.
Se a bancada não é problema e queres ver as automáticas de grão de todos os tamanhos, temos o guia das melhores máquinas de café automáticas em grão.



