Huawei Kirin 970 Qualcomm Snapdragon 845
A inclusão de sistemas de inteligência artificial nos nossos smartphones é uma das principais tendências em 2018.

Inteligência Artificial“. Expressão que tem sido ‘atirada’ aos consumidores nos últimos meses, com particular ênfase desde meados de 2017 com a apresentação do Kirin 970 da Huawei. Aí ficaríamos a conhecer uma outra expressão “NPU” ou Neural Processing Unit a unidade de processamento neural. Já no lado da Qualcomm temos também o Snapdragon 845, também ele com um núcleo dedicado à IA para dispositivos Android.

Sentimos que a IA está a entrar em praticamente todos os novos smartphones Android a serem lançados no mercado. Todos eles querendo melhorar a experiência do utilizador mediante a IA, a aprendizagem das máquinas (machine learning).

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Olhando para o mercado, tal como ele está, sentimos que é a Huawei com o seu Kirin 970 e a Qualcomm com o seu Snapdragon 845 que lideram os avanços. Isto no que à integração das NPU’s nos dispositivos móveis Android, smartphones e/ou tablets.

Agora, tal como salienta a Android Authority, temos diferenças notórias no hardware utilizado, nos processadores de cada marca. No geral, o NPU da fabricante chinesa (Huawei) acaba por superar o núcleo dedicado à IA presente no processador da fabricante norte-americana.

Kirin 970 da Huawei possui a mais avançada NPU

A IA (inteligência artificial), presente no Kirin 970 da HiSilicon (por sua vez uma sub-marca da Huawei) é um seus chavões. Na altura o novo processador / plataforma móvel da Qualcomm superaria o Snapdragon 835 em vários benchmarks e testes de performance. Agora, a Honor (sub-marca da Huawei) partilhou vários testes de performance onde compara o Kirin 970 da Huawei face ao Snapdragon 845 da Qualcomm.

Aqui temos desde logo que expressar o nosso natural cepticismo quando a própria marca testa e promove os seus produtos. Todavia, a Honor utiliza as plataformas Resnet e VGG, dois exemplos de mecanismo de teste de redes neurais. São algoritmos utilizados para aferir a velocidade com que uma determinada NPU é capaz de dar resposta / performance.

Kirin 970 da Huawei vs Snapdragon 845 da Qualcomm

Huawei Kirin 970 Qualcomm Snapdragon
Podemos aqui ver um teste de performance entre ambas as NPU’s. Aqui a Huawei vence com o seu Kirin 970

Em todos os 4 testes efetuados o Kirin 970 da Huawei provou ser a NPU mais capaz face ao Snapdragon 845 da Qualcomm. Ambos os processadores estão presentes nos dispositivos Android, com os chips da Qualcomm a serem os mais comuns. Todavia, a Huawei prova assim que a palavra IA e NPU são mais do que bonitas siglas.

Em que se traduz esta diferença nos NPU da Huawei e Qualcomm?

Apesar de os testes indicarem uma vantagem do Kirin 970 da Huawei, resta saber como é que isso afeta a performance dos nossos dispositivos Android. Mais ainda, será que uma NPU mais eficaz é capaz de “apreender” de forma rápida e eficaz.

Aqui temos que salientar as diferenças entre os núcleos dedicados à Inteligência Artificial, ou melhor, a sua abordagem. Aqui a Huawei utilizou uma implementação da sua NPU bem distinta da utilizada pela Qualcomm.

Mais concretamente, a Huawei criou um novo núcleo de raíz, a sua NPU apenas para o efeito de machine learning – algoritmo de IA. No caso da Qualcomm a empresa utilizou uma DSP Hexagon já existente, dando-lhe agora a nova tarefa da aprendizagem. Algo que se traduz nos resultados dos benchmarks.

Snapdragon 845 é um dos melhores SoC’s para dispositivos Android

Ainda assim, a Qualcomm afirma que no seu Snapdragon 845 triplicou o desempenho nas tarefas de Inteligência Artificial. Para tal utiliza extensões “Hexagon Vector Extensions (HVX)” que aceleram todo o processo de aprendizagem a 8-bits.

Mais ainda, o novo Snapdragon 845 que está presente nos melhores smartphones Android do mercado possui vários mecanismos dedicados à IA. De uma forma sucinta, podemos afirmar que ele está equipado com várias formulas de resolução deste “quebra-cabeças” que pode ser a Inteligência Artificial.

Huawei Kirin 970 Qualcomm Snapdragon 845 Android
Diagrama do Hexagon 680 presente no Snapdragon 835. Uma abordagem distinta da Huawei e da Google aos processadores dedicados à IA (NPU).

Cumpre ainda salientar que o Kirin 970 da Huawei conta com secções dedicadas ao áudio. Secções dedicadas à câmara e outras secções dos seus dispositivos Android. Para tal utiliza um chip Cadence Tensilica Vision P6.

Ainda há muito a ser explorado e aplicado nos dispositivos Android

Podemos concluir que todo o processador Kirin 970 da Huawei foi otimizado para a aprendizagem (machine learning). Algo que sentimos maioritariamente na sua aplicação para a câmara fotográfica. Em suma, temos aqui um NPU otimizado para aplicar algoritmos de IA a pequenas tarefas. Acima de tudo à câmara fotográfica e ao reconhecimento de objectos e cenários.

Ainda assim, o NPU da Huawei torna os seus dispositivos Android em câmaras superiores a tudo o que encontras no mercado. Conseguindo processar até 2000 imagens por segundo, vemos perfeitamente qual é o foco da fabricante chinesa.

NPU da Huawei supera o Snapdragon 845 da Qualcomm

Apesar de o Snapdragon 845 da Qualcomm ser provavelmente o melhor processador para dispositivos Android no mercado, o que terá motivado a empresa a não seguir a Huawei, Apple ou até mesmo a Google? Isto no que à implementação de um NPU diz respeito.

Aqui, a resposta que imediatamente se afigura é o estado embrionário da IA como um todo. Optando a Qualcomm por uma abordagem cautelosa. A fabricante norte-americana decidiu otimizar todo o seu processador para o desempenho, com a IA em segundo plano.

Que conclusões podemos daqui tirar?

De uma forma muito sucinta, neste momento a indústria está a dar os primeiros passos com a Inteligência Artificial. Apesar da popularidade do nome e expressão, as suas mais valias são muito discretas. Aqui presentes nas câmaras, mediando o reconhecimento automático dos cenários e/ou ajuste automático das definições.

Para além disso, apesar das diferenças notórias nos testes de benchmarks, o utilizador comum não sentirá um grande impacto. Temos várias marcas que optimizam o NPU para a câmara. Outras para a gestão de bateria. Outras para o desempenho e algumas para tudo um pouco.

Acreditamos também que há medida que forem surgindo novos “motores” dedicados exclusivamente à IA, as suas capacidades sejam expandidas. Certo é, todo este admirável mundo novo permanece ainda, maioritariamente, por explorar.

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Quando não está a escrever um artigo ou a gravar algum vídeo, o Bacelar tem por hábito saborear um bom livro, descobrir novas bandas sonoras ou simplesmente desfrutar do sol, na companhia de quem mais gosta (MM).