Huawei 'está de volta'! O que significa isto para a Apple e Samsung?

Rui Bacelar
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A Huawei trabalha, desde 2018, num sistema operativo próprio com o propósito de substituir a plataforma Android da Google. Este era o seu "Plano B" caso perdesse acesso aos serviços Google no seu software, uma base amplamente usada pelas rivais Samsung, Apple, Xiaomi e as demais fabricantes de dispositivos móveis.

A Huawei estava então preocupada com a possível extensão das sanções já aplicadas à conterrânea ZTE, colocada na lista negra dos EUA ao vender equipamentos à Coreia do Norte e ao Irão, violando assim as sanções em vigor. Pouco depois, em 2019, pela caneta de Donald Trump a Huawei seria colocada nessa mesma lista negra, lugar onde permanece até então.

Huawei continua na lista negra dos EUA sob a administração Biden

Em agosto de 2019, escassos meses após ter perdido o acesso aos serviços Google (maio de 2019), a Huawei apresentou o seu HarmonyOS. Esta plataforma, conforme a apresentou Richard Yu, o homem forte do departamento de consumo da Huawei, foi concebido para funcionar com vários equipamentos.

Visando unir desde o smartphone, ao computador, Smart Home, altifalantes inteligentes, relógios, tablets e até o carro, certo é que as suas versões iniciais pouco mais eram que uma versão modificada do Android.

Agora, com o HarmonyOS 3.0 já pré-instalado no Mate 50, o topo de gama da fabricante chinesa para o início deste ano, a adoção desta plataforma terá melhorado consideravelmente.

HarmonyOS 3.0 é o seu trunfo, já instalado nos smartphones Mate 50

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— Huawei Mobile (@HuaweiMobile) 7 de novembro de 2022

Conforme avança a publicação GizChina, o HarmonyOS conta com mais de 320 milhões de dispositivos móveis ativos. É, segundo estas métricas, o terceiro sistema operativo para dispositivos móveis mais popular do mundo, atrás do Android e do iOS.

O melhor de tudo? Apresenta uma taxa de crescimento anual de 113%, cifra deveras impressionante.

Em suma, estas métricas são deveras impressionantes, sobretudo para uma empresa que literalmente teve que começar do 0 numa mão-cheia de anos. É o equivalente a disputar um duelo com uma mão atada atrás das costas e mesmo assim permanecer em pé.

As instalações de terceiros do sistema HarmonyOS também têm aumentado com 250 milhões de produtos a usar este novo sistema operativo. Entre estes contam-se lâmpadas inteligentes, televisões, micro-ondas e até frigoríficos inteligentes com ligação à Internet.

Sobretudo aqui, a Huawei tem motivos para celebrar, graças ao crescimento anual de 212% na taxa de adoção da plataforma.

AppGallery, a PlayStore da Huawei também surpreende pela positiva

A loja de aplicações da Huawei também cresce de modo consistente. De momento é a terceira maior loja de apps, atrás da App Store da Apple e da Google Play Store. Porém, aqui é onde a Huawei tem mais trabalho a fazer, uma vez que na sua loja temos apenas 220 mil aplicações face às cerca de 2,5 milhões de apps na Play Store.

Não obstante, a AppGallery consegue dar resposta às necessidades de cerca de 580 milhões de utilizadores mensais, pelo que há aqui uma nota positiva.

Huawei continua privada dos chipsets e processadores 5G

What does the #HUAWEIFreeBudsPro2, #HUAWEIMateBookE, #HUAWEIMatePadPaper and #HUAWEIWiFiMesh3 have in common? They are all winners of the Good Design Award 2022! Huawei remains committed to creative innovation for your everyday lifestyle. pic.twitter.com/bQKYYOl58y

— Huawei Mobile (@HuaweiMobile) 21 de dezembro de 2022

Atualmente o maior garrote para o crescimento da Huawei é a sua impossibilidade de usar os mais recentes chipsets e processadores da Qualcomm, por exemplo. Note-se que o seu Mate 50, bem como os Huawei P50 usam os processadores Snapdragon 8+ Gen 1 limitado ao 4G.

Isto é, usam versões dos processadores normais, com um modem limitado às redes móveis 4G LTE, sem acesso às redes móveis de quinta geração. Fruto das restrições comerciais em vigor a SMIC, a maior fabricante de semicondutores da China não pode criar os mais recentes chipsets para a Huawei.

Porém, conforme avança a publicação MyDrivers a Huawei terá submetido um novo pedido de patente que vem cobrir, parcialmente, alguma da tecnologia necessária para a litografia de última geração. Mais concretamente, a patente com o número 202110524685X.

Huawei pode voltar a ter chipsets com acesso às redes 5G

Importa frisar que o pedido de patente não foi ainda atribuído à Huawei pela entidade responsável na China, como informa a DigiTimes Asia. Porém, caso o seja, a empresa terá assim resolvido um dos principais entraves à sua afirmação atual no mercado dos dispositivos móveis.

Por fim, a marca mostra-se confiante do seu "regresso ao jogo". No entanto, teremos ainda que aguardar pela aprovação da patente, aplicação da tecnologia, produção dos respetivos componentes e aplicação final aos dispositivos móveis.

É, se nada mais uma prova de superação e um possível regresso ao mercado dominado pela Samsung, Apple e Xiaomi.

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Rui Bacelar
Rui Bacelar
Na escrita e comunicação repousa o gosto, nas leis a formação. Ocupa-se com a atualidade tecnológica na 4gnews. Email: ruibacelar@4gnews.pt