Fomos à F1 a Madrid para te contar tudo sobre a tecnologia do evento

Fomos assistir aos treinos livres no circuito estreante de Madrid a convite da Lenovo, parceira tecnológica global da Fórmula 1, para conhecer os bastidores que processam mais de 650 TB de dados e reduzem a latência em pista.

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Crédito: Jacob Niblett-Shutterstock Studios

A estreia da Fórmula 1 no circuito urbano de Madrid levou-nos até à capital espanhola para assistir de perto às sessões de treinos livres de sexta-feira (11 de setembro). Mas o verdadeiro motivo da viagem não foi tanto o que se iria passar no asfalto durante o fim de semana.

A convite da Lenovo, parceira tecnológica global da competição com a chancela máxima desde o início de 2025 (acompanhada pela Motorola como parceira oficial de smartphones), mergulhámos nos bastidores operacionais para perceber a imensa infraestrutura necessária para colocar um Grande Prémio a funcionar em tempo real para mais de 820 milhões de adeptos espalhados pelo globo.

Crédito: Lenovo
Crédito: Lenovo

A maior e mais complexa estrtuura transportável do mundo

A gestão de uma corrida moderna passa por dois centros complementares que comunicam de forma ininterrupta. No próprio circuito opera o Event Technical Centre (ETC), a maior e mais complexa estrutura técnica transportável do mundo:

  • Uma instalação móvel de 25 por 15 metros que alberga 750 equipamentos e mais de 40 sistemas de software dedicados;
  • Processamento contínuo entre 350 mil e 400 mil passagens de transponders de cronometragem ao longo do fim de semana de corrida;
  • Plataforma de virtualização da Lenovo com 1,4 THz de processamento distribuído por 512 núcleos de CPU, 8,2 TB de memória RAM e 100 TB de armazenamento integralmente em memória flash.
Crédito: Jacob Niblett-Shutterstock Studios
Crédito: Jacob Niblett-Shutterstock Studios

640 núcleos de processamento, 5,9 TB de RAM e 105 TB de armazenamento flash

A maior fatia da produção televisiva e do tratamento de imagem migrou da pista para o renovado Media and Technology Centre (M&TC), situado em Biggin Hill, no Reino Unido.

A partir desta base remota, onde operam 270 máquinas virtuais com 640 núcleos de processamento, 5,9 TB de RAM e 105 TB de armazenamento flash, é feita a correção de cor das câmaras e a emissão do sinal internacional para mais de 180 territórios.

650 TB de dados num fim de semana e 8,5 Gbps no arranque de eventos

Durante um único fim de semana de Grande Prémio, a transferência combinada de informação entre a pista e a central britânica supera os 650 terabytes de dados. E, segundo o que nos contado, chega a picos de largura de banda de 8,5 Gbps no arranque dos eventos.

Crédito: Jacob Niblett-Shutterstock Studios
Crédito: Lenovo

A recolha visual e sonora no traçado atinge números que impressionam qualquer um. Além das cerca de 28 câmaras de pista em ultra alta definição (UHD), câmaras robotizadas em corretores e gruas, operam mais de 100 câmaras instaladas diretamente nos monolugares.

Cada carro tem até 9 perspetivas distintas

Cada carro transporta até nove perspetivas distintas (incluindo pedais, capacete, estrutura traseira e visão frontal) e uma câmara não transmitida a 360 graus que gera 480 GB de gravações por corrida e 72 GB durante a qualificação, apoiada por 150 microfones desenhados à medida no circuito e nos veículos.

A margem competitiva que decide voltas ao milésimo apoia-se agora numa nova plataforma local de telemetria baseada em servidores ThinkSystem e estações de trabalho ThinkStation P3 Ultra da Lenovo. A máquina instalada no próprio circuito passa a filtrar e desduplicar cerca de 8 TB de dados por evento.

Tudo isto antes de os enviar para a sede britânica, o que reduz a latência da informação em até 0,3 segundos. Dados essenciais de suspensão, desgaste de travões, forças G, combustível e regimes de motor chegam agora à barreira das boxes das 11 equipas de forma quase instantânea.

Crédito: Jacob Niblett-Shutterstock Studios
Crédito: Lenovo

A sustentabilidade de todo este poder computacional é gerida pelo sistema Neptune Liquid Cooling. Ao recorrer a água tépida em circuito fechado em vez de ventilação tradicional a ar para arrefecer diretamente os processadores nos servidores, a tecnológica consegue aumentar a eficiência energética do centro de dados em até 40%.

São muitos números e toda a tecnologia se torna ainda mais impressionante quando vês a sala de operações que, infelizmente, não pudemos fotografar.

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Bruno Coelho
Bruno Coelho
Bruno Coelho é Editor-chefe do 4gnews. Foca-se em smartphones, áudio, telecomunicações e carros elétricos. Alia mais de 400 reviews desde 2017 a visitas a fábricas de smartphones na China e coberturas do MWC e IFA.