A Apple lançou o iOS 27 e, com ele, chegaram novas capacidades de inteligência artificial para a Siri. A assistente virtual consegue agora procurar informação no teu e-mail, analisar as tuas fotografias, ler mensagens e até fazer resumos de conversas. No entanto, a par destas novidades, surge uma pergunta no ecossistema da maçã que não deves aceitar sem pensar duas vezes.
Ao configurar o novo sistema operativo, o iPhone mostra-te um ecrã a pedir autorização para recolher e utilizar as tuas interações de texto e áudio. O objetivo declarado da marca é usar esses dados para treinar os seus modelos de inteligência artificial, a Siri, o Ditado e a Tradução.
A Apple dá-te duas escolhas: "Partilhar áudio e texto" ou "Agora não". Se costumas carregar em "Aceitar" a tudo para despachar o processo de instalação, para um pouco e pondera escolher a segunda opção. Esta foi uma preocupação trazida pelo Executive Digest.
O que muda com o iOS 27?
Com o aumento do poder de processamento da Siri, o volume de informação pessoal a passar pelo assistente é muito maior. O sistema processa dados íntimos do teu dia a dia para te dar respostas mais precisas.
Para responder às críticas de privacidade, a Apple garante que tudo é feito com segurança:
- As interações não ficam ligadas à tua conta Apple nem ao teu e-mail.
- O sistema usa um identificador aleatório criado pelo próprio dispositivo, que muda várias vezes por hora.
- Apenas funcionários da Apple sujeitos a acordos de confidencialidade podem ouvir os excertos de áudio.
O problema da retenção e a falta de benefícios
Apesar destas salvaguardas, especialistas em cibersegurança e privacidade alertam para dois pontos fracos que tornam esta partilha pouco vantajosa para quem usa o iPhone.
1. A Apple pode guardar os teus dados durante 2 anos
Mesmo sem o teu nome associado, as tuas conversas, pesquisas de voz e mensagens podem ficar armazenadas nos servidores da empresa durante 24 meses. Num assistente que agora lê dados sobre a tua saúde, família ou trabalho, este prazo de retenção é desnecessariamente longo.
2. Estás a trabalhar de graça para uma gigante tecnológica
Vários analistas apontam que não existe qualquer benefício ou recompensa para o utilizador ao ceder estes dados. Trata-se de dar acesso gratuito a conversas e hábitos pessoais para ajudar uma empresa multimilionária a melhorar os seus próprios produtos.
3. Arrastas outras pessoas para a recolha
Ao permitires que a Siri grave e analise as tuas interações de voz, as conversas que manténs com amigos, familiares ou colegas de trabalho ao pé do telemóvel também acabam por ser processadas, sem que essas pessoas tenham dado consentimento.
Como desativar a partilha no teu iPhone
Se aceitaste a partilha durante a instalação sem ler, podes voltar atrás a qualquer momento. O processo é bastante simples:
- Abre as Definições no teu iPhone.
- Vai a Privacidade e segurança.
- Toca em Análise e melhorias.
- Desliga as opções Melhorar a Siri e a Apple Intelligence e Melhorar a Siri e o ditado.
Esta alteração também pode ser feita nos teus outros dispositivos da marca, como no Mac, no Apple Watch ou na Apple TV. Toma apenas em atenção que desligar a opção agora impede futuras recolhas, mas não apaga o histórico que possa ter sido enviado enquanto a função esteve ativa.
Na dúvida, o caminho mais seguro para proteger a tua privacidade é escolher "Agora não" e manter o controlo dos teus dados do teu lado.
