
Comprar uma extensão com portas USB parece simples à primeira vista. À primeira vista, não passa de uma simples régua com várias tomadas e alguns slots USB para carregar o telemóvel ou os auscultadores. Prática, acessível e conveniente, pelo menos em teoria.
O problema é que o que está dentro desses modelos é muito mais complexo do que parece e o mercado está cheio de produtos que cortam nos componentes certos para chegar a um preço impossível de ignorar.
A extensão tradicional não é o mesmo que uma extensão com USB
Uma extensão clássica é, essencialmente, um conjunto de fios de cobre. Leva a corrente da parede até ao teu equipamento sem transformar nada. Simples, passiva, com poucos pontos de falha.
Uma extensão com portas USB é outra coisa. Tem dentro um transformador interno que converte a corrente alternada da rede elétrica (230V) para a corrente contínua de baixa tensão que os teus gadgets precisam. Esse processo de conversão gera calor de forma contínua, mesmo quando não tens nada ligado nas portas USB.
Ao contrário de uma tomada normal que fica inativa quando não há nada ligado, o circuito USB está quase sempre ativo, a consumir energia residual e a aquecer ligeiramente 24 horas por dia. Em condições normais, isso não é problema. Com um produto mal feito, pode ser.
O barato pode sair caro
O verdadeiro risco não está no conceito, está na qualidade dos materiais. Nos últimos anos, o mercado europeu foi inundado por modelos extremamente baratos, de fabricantes sem historial e sem as devidas certificações de segurança.
Para chegarem a preços tão agressivos, essas marcas cortam precisamente nos componentes que importam: dissipadores de calor, chips de proteção contra sobrecargas e materiais resistentes ao fogo. O plástico da caixa aquece, não consegue dissipar o calor acumulado e se estiver escondido debaixo do tapete ou atrás do sofá, o problema cresce sem qualquer aviso.
Não é um cenário hipotético. É a causa de uma parte significativa dos incêndios domésticos relacionados com eletrónica de consumo.
O que acontece quando ligas demasiados equipamentos
Outro erro comum é ligar tudo na mesma extensão sem verificar os limites de potência. A maioria dos modelos de baixo custo suporta entre 2500W e 3500W no total. Se ligares um aquecedor, um computador e vários carregadores em simultâneo, podes facilmente ultrapassar esse valor, sobretudo se o produto não tiver proteção contra sobrecarga real.
Num equipamento que permanece ligado durante longos períodos e que inclui componentes eletrónicos ativos, este tipo de proteção acaba por assumir um papel cada vez mais relevante, sobretudo quando se olha para alguns erros comuns no uso de portas USB.
