Com o verão a aproximar-se, milhares de portugueses já estão a marcar férias. E os burlões também sabem disso. A burla do alojamento falso continua a ser um dos esquemas mais eficazes da internet porque evoluiu: hoje é mais convincente, mais difícil de identificar e aproveita precisamente a altura em que as pessoas têm pressa para encontrar o melhor negócio.
Todos os anos, centenas de famílias perdem dinheiro depois de reservarem casas que, na realidade, não existem ou não estão disponíveis para arrendamento. Os criminosos recorrem frequentemente a fotografias reais retiradas de plataformas como Airbnb ou Booking, criam anúncios praticamente idênticos aos originais e atraem vítimas com preços muito abaixo do mercado. O objetivo é simples: convencer a pessoa a fazer uma transferência imediata para "garantir" a reserva antes que outra pessoa a consiga.
Quando chega o dia das férias, a surpresa é amarga. O alojamento não existe, o suposto proprietário desapareceu e o dinheiro dificilmente é recuperado. É um esquema antigo, mas que continua a funcionar porque explora uma combinação perigosa: preços irresistíveis, pressão para decidir rapidamente e a expectativa de umas férias perfeitas.
Como funciona o esquema
O processo começa quase sempre da mesma forma. Encontras um anúncio com fotos profissionais, boa localização e um preço que parece demasiado bom. O suposto proprietário responde rapidamente, é simpático e convincente, e diz que tem muitas reservas para aquela semana. A urgência é criada para te impedir de pensar demasiado.
A seguir vem o pedido que define tudo: pagamento fora da plataforma. Por transferência bancária, MB Way ou Revolut. Se o anúncio estiver numa plataforma credível como o Airbnb ou Booking e o suposto proprietário pedir para efetuar o pagamento diretamente fora da plataforma, é sinal claro de burla. Estas plataformas possuem mecanismos de segurança e reembolso que deixam de estar disponíveis se o pagamento for feito fora do sistema.
Depois de transferires o dinheiro, o contacto desaparece. O número deixa de responder, o email fica em silêncio e a casa não existe ou já está ocupada por outra família que fez a reserva da forma correta.
O que deves verificar antes de pagar
Em Portugal, todos os imóveis destinados a turismo têm de estar registados como Alojamento Local e ter um número de registo válido. Começa por confirmar no anúncio o número de registo do estabelecimento de alojamento local e confirma-o no site do Turismo de Portugal. Assim ficas a saber a localização da casa, quem é o seu titular e os respectivos elementos de identificação.
Outro passo simples e eficaz: copia as fotografias do anúncio e faz uma pesquisa inversa no Google Imagens. As fotos usadas em burlas são quase sempre retiradas de outros anúncios legítimos e aparecem associadas a propriedades completamente diferentes. Se as mesmas imagens aparecerem em vários sítios com nomes ou localizações distintos, é burla.
Paga sempre dentro da plataforma, com cartão de crédito sempre que possível. O cartão oferece uma camada extra de proteção e aumenta as hipóteses de recuperar o dinheiro se algo correr mal.
O que fazer se já foste vítima
Se transferiste dinheiro e não consegues contactar o anunciante, atua rapidamente. Contacta o teu banco imediatamente para tentar bloquear ou reverter a transferência e apresenta queixa nas autoridades. Podes fazê-lo presencialmente ou através da plataforma de queixas eletrónicas do Ministério da Administração Interna.
Este esquema não está isolado. Os burlões estão a usar os mesmos métodos em contextos completamente diferentes este verão, desde bilhetes de eventos a artigos de segunda mão, com um nível de detalhe que os torna cada vez mais difíceis de identificar à primeira vista.
Antes de viajares, vale a pena garantir que tens tudo preparado no telemóvel. Há uma função do Google Maps que poucos conhecem e que pode poupar-te muito tempo nas deslocações durante as férias. E se precisas de dados móveis fora de Portugal sem surpresas na factura, fizemos as contas por ti e comparámos os melhores planos disponíveis para o verão.
A regra é simples: se o preço parece bom demais e alguém te pede para pagar fora da plataforma, fecha o anúncio.
