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Cientistas fazem descoberta fascinante sobre o nosso cérebro. E vai-te surpreender

E se te disséssemos que, afinal, o cérebro pode não ser um só órgão isolado? Eis a nova pesquisa da Universidade de Stanford.

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Cientistas

Por vezes, fascinante é um adjetivo que soa a pouco, quando o objetivo é explicar o funcionamento do corpo humano. Desta vez, foi publicado um novo estudo sobre o cérebro, que nos diz que este, afinal, não é um só órgão isolado. É antes um conjunto de dois órgãos.

A investigação foi levada a cabo por cientistas da Universidade de Stanford e diz que há dois continentes neurais com origens muito diferentes. No fundo, uma parte mais dedicada à parte "pensante" e "sensorial", e a outra à parte "vital" (via New Atlas).

O que diz a pesquisa?

Nas palavras de Kyle Loh, biólogo ligado ao estudo,“ demonstramos pela primeira vez que a parte frontal do cérebro se origina de uma célula progenitora totalmente diferente daquela da parte posterior”.

"A nossa descoberta significa que agora podemos cultivar neurónios da parte posterior do cérebro, o rombencéfalo, numa placa de Petri, e estudar as suas funções” - acrescenta.

Entrando por detalhes mais concretos, o estudo diz que há três camadas com ligação a diferentes partes do corpo:

  • 1ª camada: intestino, pulmões, bexiga e outros órgãos internos
  • 2ª camada: órgãos reprodutivos, esqueleto, músculos e sistema circulatório
  • 3ª camada (ectoderme): pele e sistema nervoso

De forma a testar esta hipótese, foi feita uma investigação em ratos. Esta aponta que as células que formam diferentes partes do cérebro são diferentes desde muito mais cedo do que se pensava.

Segundo consta, acreditava-se anteriormente que todas as células precursoras do cérebro eram iguais ao início. Foi isso que a equipa de Loh procurou desconstruir, ao encontrar duas regiões de células diferentes no ectoderma de embriões de rato. Neste caso, falamos das regiões do prosencéfalo/mesencéfalo e do rombencéfalo (via New Atlas).

Uma pesquisa que explica tentativas falhadas

Os pesquisadores da Universidade de Stanford encontraram ainda diferenças na organização do material genético destas células, o que sugere que as mesmas têm já destinoa distintos, poucas semanas após a conceção.

Isso ajuda a perceber o motivo das tentativas falhadas anteriormente, no sentido de criar neurónios do rombencéfalo a partir de certas células estaminais.

Segundo Rayyan Jokhai, também autor do estudo, “na biologia das células-tronco, as pessoas estão sempre fixadas na criação do tipo celular final, como o neurónio, mas é importante começar nos estágios iniciais do desenvolvimento embrionário. A nossa atenção cuidadosa a esse ponto inicial permitiu encontrar essa divisão fundamental no desenvolvimento cerebral.”

Sabendo disto à partida, a equipa de Stanford produziu neurónios motores de rombencéfalo em laboratório, o que permite estudar doenças como a esclerose lateral amiotrófica (ELA). Comparando diferentes embriões, viu-se que esta divisão do cérebro em mais do que um órgão é partilhada por vertebrados e invertebrados.

Ao comparar embriões de outras espécies, os investigadores concluíram ainda que esta divisão precoce do cérebro é partilhada por vertebrados e alguns invertebrados, podendo ter surgido há cerca de 500 milhões de anos.

“Fiquei surpreso com as nossas descobertas porque a palavra 'cérebro' implica um órgão contínuo que provavelmente tem uma origem singular” - conclui Jokhai. “Mas mesmo há 500 milhões de anos, existiam esses sistemas neurais separados, que agora operam quase como um só, o que é muito interessante” - remata.

Luís Guedes
Luís Guedes
O Luís é redator no 4gnews e traz-te as novidades mais recentes sobre as melhores séries e filmes do momento, bem como sobre smartphones.