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Adeus exclusividade? UE quer alternativas ao iCloud no iPhone

A Autoridade Italiana da Concorrência abriu uma investigação à Apple por limitar os backups do iPhone e iPad ao iCloud. Se violar a Lei dos Mercados Digitais, a Europa pode obrigar a marca a abrir essa funcionalidade ao Google Drive, OneDrive e outros ser

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Imagem gerada por IA | ChatGPT

O iCloud oferece apenas 5 GB de armazenamento gratuito por defeito, um valor que se esgota rapidamente com as fotos, mensagens e dados de qualquer utilizador ativo. Quem quiser mais espaço paga. E quem quiser fazer um backup completo do iPhone ou iPad não tem alternativa: apenas o iCloud tem acesso a essa funcionalidade no iOS e iPadOS. O Google Drive, o OneDrive ou qualquer outro serviço de cloud de terceiros estão excluídos.

É precisamente este bloqueio que está agora na mira das autoridades europeias. A Autoridade Italiana da Concorrência (AGCM) anunciou a abertura de uma investigação com base no artigo 6.º, n.º 7, da Lei dos Mercados Digitais (DMA), que obriga os grandes operadores de plataformas a garantir que serviços de cloud de terceiros beneficiem de interoperabilidade livre e eficaz com os seus sistemas operativos.

Nas palavras da própria autoridade, "a Apple não permite que os serviços concorrentes de armazenamento na nuvem utilizem as funcionalidades do iOS e do iPadOS que permitem realizar um backup completo dos dados dos dispositivos, embora essas mesmas funcionalidades estejam disponíveis no iCloud."

L’#AGCM ha avviato un’indagine nei confronti delle società Apple Inc., Apple Distribution International Ltd e Apple Italia S.r.l. riguardo l’osservanza dell’obbligo di interoperabilità previsto dal Digital Markets Act (DMA) cui sono sottoposti i sistemi operativi iOS e iPadOS di… pic.twitter.com/PICjUOtdIe

— Autorità Antitrust (@antitrust_it) 16 de junho de 2026

O que pode acontecer a seguir

A AGCM vai partilhar os resultados da investigação com a Comissão Europeia, que determinará se há violação da DMA. A UE já demonstrou que não hesita em punir quando considera que a Apple não cumpre as regras: em abril de 2025, a Apple foi multada em 500 milhões de euros por bloquear informação sobre alternativas de pagamento na App Store.

A multa máxima prevista na DMA é de 10% da receita anual global da empresa, o que no caso da Apple representa dezenas de milhares de milhões de euros.

O precedente mais recente é a Meta, que recebeu uma ordem para reabrir o WhatsApp Business a serviços concorrentes de IA no prazo de cinco dias úteis. Perante a ameaça de multa, acatou.

O padrão que se repete

Bruxelas já forçou a marca a aceitar lojas de aplicações de terceiros no iPhone, a abrir o sistema de pagamentos por aproximação a operadores externos como o PayPal e a abandonar o Lightning pelo USB-C. Em cada caso, a Apple cedeu à pressão regulatória, frequentemente depois de argumentar que as exigências europeias comprometiam a segurança e privacidade dos utilizadores.

O iCloud vai seguir a mesma lógica. A Apple controla o único canal de backup completo num ecossistema com mais de mil milhões de utilizadores ativos. Para Bruxelas, isso é exactamente o tipo de exclusividade que a DMA foi criada para eliminar.

Se a investigação confirmar a violação, os utilizadores de iPhone e iPad na Europa poderão finalmente poder fazer backup completo dos seus dados directamente para o Google Drive ou OneDrive, sem depender do iCloud. Para quem já paga pelo armazenamento de um desses serviços, seria uma mudança prática relevante.

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Miguel Vieira
Miguel Vieira
Redator no 4gnews com formação em Programação e Multimédia. Cobre tecnologia, gaming e mobilidade elétrica, com presença em eventos como a Web Summit, Lisboa Games Week, ECarShow e SAHE.