WhatsApp: app de mensagens defende a privacidade do utilizador com esta prática

Rui Bacelar
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O WhatsApp é a plataforma de mensagens instantâneas mais popular do mundo, com mais de dois mil milhões de utilizadores mensalmente ativos espalhados pelo globo. Agora, a app de mensagens volta a defender o seu trunfo mais valioso, a encriptação.

É graças a esta criptografia de ponta-a-ponta que ninguém, além do remetente e do destinatário, conseguem ler ou ver as mensagens trocadas. No entanto, esta defesa da privacidade do utilizador está a gerar uma nova controvérsia.

A criptografia de ponta-a-ponta é a melhor prática do WhatsApp

WhatsApp is built to protect your private messages with end-to-end encryption. So only the people you've messaged can read or listen to your conversation. 🤫

— WhatsApp (@WhatsApp) 13 de junho de 2021

Após o WhatsApp ter lançado uma nova campanha publicitária de grande escala para promover a encriptação de ponta a ponta, a prática não é vista da melhor forma por várias entidades governamentais. Will Cathcart, responsável pela empresa, já respondeu.

Cathcart apelidou esta resistência por parte de órgãos governamentais e administrações de diversas nações de orwelianas, comparável à distopia de 1984. Um governo que usa o medo como desculpa para tudo vigiar e assim "garantir" a segurança dos cidadãos.

A encriptação de ponta a ponta garante a privacidade dos conteúdos das mensagens e demais conteúdos enviados através da plataforma WhatsApp. Significa que nem as empresas, governos ou órgãos de Estados, hackers, nem mesmo o WhatsApp podem ler as mensagens.

O garante da nossa privacidade tal como aponta o WhatsApp

WhatsApp

No entanto, é precisamente por isso que esta prática está sob ataque de vários governos e órgãos de poder em todo o mundo, entidades que desejam a implementação de alguns backdoors ou formas de, em caso de necessidade, contornar esta criptografia.

Atualmente o WhatsApp está a lançar novas campanhas de marketing, sensibilizando os utilizadores para a importância desta encriptação de ponta a ponta. As campanhas já estão ativas um pouco por toda a Europa desde a última segunda (14).

Aponta-se dois lados desta prática. O primeiro sendo benéfico para o utilizador que vê a sua privacidade assegurada. O segundo são os possíveis abusos cometidos pelos utilizadores ao saberem que podem usar esta e outras plataformas como a Signal e Telegram para espalhar conteúdos ilegais como, por exemplo, promoção de pirataria, pornografia infantil, entre outras temáticas censuráveis.

Há um delicado equilíbrio entre privacidade e responsabilidade

Algo que a direção do WhatsApp afirma ser uma realidade, contrapondo com o vasto esforço feito com o intuito de conter tais práticas. Cathcart afirma que por mês são encerradas milhares de contas sempre que tais violações são detetadas.

Por outro lado, vimos entidades como a UE a afirmar que tomaria medidas no sentido de combater a propagação de pornografia infantil e apologia ao terrorismo nestas plataformas. Este mesmo espírito foi repetido por diversos governos e órgãos de poder público temendo uma utilização igualmente abusiva desta benesse concedida pelas plataformas.

A atual direção do WhatsApp, parte integrante do grupo Facebook, rejeita veementemente tal possibilidade.

Por fim e numa nota estritamente pessoal, considero a privacidade online um bem a proteger e direito adquirido. Há, no entanto, um sentido de responsabilidade que deve ser tão grande ao maior que a vantagem proporcionada pelo uso de plataformas como o WhatsApp, Telegram e Signal.

Faça-se o devido exame de consciência, sob pena de perdermos, todos, o acesso pleno a estas plataformas.

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Rui Bacelar
Rui Bacelar
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