Upgrade – Uma excelente história de ficção que traz emoção ao teu verão

Pedro Henrique

UpgradeNuma época em que a ficção científica ganhou um grande público muito por culpa da série Black Mirror, Upgrade aproveita o hypeapresentando uma história digna, emocionante e ao mesmo tempo aterradora se pensarmos em tudo o que envolve.

E quem vir o filme quase que subconscientemente pensará que está a ver um episódio de Black Mirror fruto da mensagem que este passa sobre o crescimento exponencial da tecnologia nas nossas vidas.

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Upgrade foi dirigido e escrito por Leigh Whannell sendo apenas o segundo filme como director no seu currículo (o primeiro foi Insidious 3). O filme é também produzido pela Blumhouse Productions, responsável por diversas produções low-budget de terror mais conhecida nos últimos anos por produzir Get Out de Jordan Peele que acabou por ganhar um óscar de melhor guião original em 2018.

A história apresenta um cenário futurista onde grande parte das tarefas diárias são agora realizadas por máquinas altamente desenvolvidas.

Upgrade poderia ser um episódio de Black Mirror!

Grey Trace (Logan Marshall-Green), o nosso protagonista, apresenta uma certa resistência a todo este desenvolvimento que o mundo actual apresenta o que contrasta com a sua esposa Asha que ocupa um cargo elevado numa importante empresa de computação.

As bases que o filme estabelece no seu conflito inicial são idênticas a inúmeros filmes de “vingança” que todos os anos são produzidos, no entanto, não é aqui que o filme se tenta destacar.

O conflito inicial apresenta-nos uma sequência de eventos de improvável acontecimento, onde após o carro de Grey e da sua esposa ter um acidente um grupo de homens trata de assassinar Asha e ao mesmo tempo deixar Grey tetraplégico.

Upgrade

Neste ponto, Grey não tem nada a que se agarrar, sem a sua esposa e necessitando de uma cadeira especializada para se movimentar e da ajuda de sua mãe este espera apenas que os culpados do acidente sejam apanhados.

E é aqui que o filme começa a acelerar. Um cliente de Grey desenvolve um pequeno chip que implantado no pescoço de Grey lhe devolve toda a mobilidade e inicia também a jornada de Grey em busca dos culpados.

Um filme com classificação de 7,7 na plataforma IMDb...

Upgrade centra-se em Grey Trace desde o início e apesar de outras personagens terem também um papel importante na história, o filme preocupa-se em desenvolver principalmente Grey.

A maioria dos filmes não conseguiria ter apenas uma personagem bem desenvolvida para assentar a sua história. No entanto, Upgrade não sofre por este facto, sendo que para contar a história em questão nenhum dos outros personagens necessita de ser mais desenvolvido do que foi.

Em termos de aspectos positivos o filme tem a sua grande força nas cenas de acção que, sem excepção, apresentam um trabalho espectacular com o movimento da câmara. Os movimentos mecanizados que STEM (o nome do chip) dá a Grey são acompanhados pela câmara o que torna a cena de acção em questão bastante dinâmica e ao mesmo tempo mostra o quão criativo é possível ser no desenho de uma cena.

A maioria dos filmes não conseguiria ter apenas uma personagem bem desenvolvida para assentar a sua história!

Logan Marshall-Green carrega o filme com uma interpretação de alto nível. O ator consegue alcançar com grande sucesso todas as emoções pelas quais Grey passa ao longo do filme. As cenas que precedem o acidente são um bom exemplo disto mesmo.

Estas pretendem mostrar ao expectador as consequências que este acidente trouxe para Grey onde este se encontra extremamente deprimido e sem nada que lhe dê vontade de continuar a sua vida. Logan não chora compulsivamente mas, através de apenas um olhar prolongado consegue espelhar na perfeição o retrato de um homem destruído.

Nas cenas de acção, principalmente na primeira, Logan consegue trazer uma espectacular interpretação. O ator ao mesmo tempo que simula do pescoço para baixo os movimentos que STEM lhe dá durante a luta, consegue ter as suas expressões faciais completamente separadas daquilo que está a acontecer, agindo em choque, tal como qualquer pessoa na sua posição reagiria (é possível ver uma amostra no trailer).

A interacção de Grey com STEM ao longo do filme é um ponto bastante positivo. Isto acontece porque Grey reage como qualquer humano reagiria na sua posição ao descobrir que uma Inteligência Artificial implantada no seu pescoço consegue falar com ele e até controlá-lo completamente.

O filme utiliza a designada gore (violência gráfica), em diversas cenas!

Durante grande parte do filme os objectivos de Grey cruzam e complementam os objectivos de STEM, no entanto, a liberdade de que STEM dispõe constitui um conflito continuo ao longo do filme.

O filme utiliza também a designada gore (violência gráfica), em diversas cenas. Em Upgrade esta nunca é utilizada de forma gratuita (utilizada excessivamente em situações forçadas em ordem a atrair expectadores) - o que em muitos filmes é um ponto negativo e que neste caso é utilizada correctamente - e é sempre usada como um recurso complementar à cena e nas 3-4 cenas em que é utilizada tem sempre o seu uso justificado.

Apesar do tom dramático e negro que o filme apresenta, são utilizados alguns momentos de humor que permitem ao espectador sair momentaneamente deste. Estes pedaços de humor são um “corta-sabor” que complementa bem a dinâmica de todo o filme.

A música (composta por Jed Palmer) apesar de não sobressair especialmente apresenta algumas composições interessantes e no geral acompanha bem o tom do filme. O destaque aqui vai para as ultimas músicas utilizadas durante a cena final, especialmente para a que é utilizada durante o twistfinal que complementa particularmente bem o que a cena apresenta.

Upgrade é, por isso, um filme que merece uma nota 7.5/10

Passando para os pontos menos bons do filme, algumas cenas de interacção entre personagens não funcionam tão bem. Isto, juntamente com o diálogo escrito para essas cenas não ser tão bom torna a que a cena seja um pouco mais entediante ou que simplesmente não tenha nada de especial.

O facto de o filme ser de baixo orçamento não permitiu grande flexibilidade nos locais utilizados e a iluminação (sítios escuros) utilizada ao longo do filme também não ajudou nesta situação. No entanto, dá para notar os 2 cenários principais em que foi investido mais tempo e dinheiro e o resultado foi interessante.

Apesar de algumas falhas, apreciei bastante o filme em questão e sem dúvida que recomendo a sua visualização. Apesar de ser um filme que passou um pouco abaixo do radar, acho que irá surpreender aqueles que lhe derem uma oportunidade.

Upgrade é um filme de ficção científica/acção que apesar de utilizar pressupostos já muitas vezes usados, ganha o seu lugar no seu género com cenas de acção bem dinâmicas, uma interpretação de alto nível de Logan Marshall-Green e um final que termina a história de maneira magnífica e inesperada.

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Artigo por Ricardo Magalhães

Pedro Henrique
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