Tim Cook arrasa o Facebook e as suas práticas de forma brilhante

Rui Bacelar
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Tim Cook, homem forte da Apple, criticou na última quinta-feira o clima de polarização e desinformação que grassa nas redes sociais, intensificando o conflito entre a sua empresa e o grupo Facebook liderado por Mark Zuckerberg, sem nunca as nomear.

A resposta de Cook surge após Zuckerberg, durante a última reunião com os investidores, ter desferido vários golpes à Apple, acusando-a de práticas desleais, ao mesmo tempo que a sua empresa prepara uma processo judicial contra a gigante de Cupertino.

Tim Cook - "desinformação e teorias da conspiração alimentadas por algoritmos"

Inicialmente remetida ao silêncio, a fabricante de smartphones iOS parte agora para o ataque, fazendo-o de forma subtil ao nem sequer referir o nome do Facebook, ou de Zuckerberg. O clima intensifica-se com críticas à (falta de) privacidade e a desinformação.

Apple CEO Tim Cook criticized social media apps amid polarization and misinformation, intensifying a conflict between the iPhone maker and Facebook https://t.co/COKSZBoXsE pic.twitter.com/aN4lcXHCCp

— Reuters (@Reuters) 29 de janeiro de 2021

Cook acusa as apps que colhem demasiadas informações pessoais dos utilizadores e que dão prioridade às "teorias da conspiração e incitação à violência, simplesmente porque tais conteúdos têm alta taxa de interação (engagement) com o público".

"Num momento em que a desinformação e as teorias da conspiração são alimentadas e potenciadas pelos algoritmos, não podemos continuar a ignorar o este facto. A tecnologia diz que toda a interação é boa interação - quanto mais, melhor - tudo com o propósito de recolher o máximo de informação possível", afirmou Tim Cook durante a sua participação numa conferência dedicada à privacidade e proteção de dados.

Tal como aponta a agência Reuters, Cook nunca mencionou o Facebook, mas com o escalar das tensões entre ambas as empresas, as suas declarações já o fazem implicitamente.

As notificações de privacidade da Apple despertaram a ira do Facebook

Facebook Mark Zuckerberg

A empresa de Tim Cook prepara-se para implementar em todas as suas plataformas os avisos de privacidade, algo já presente na sua App Store. A medida, considera o Facebook, prejudicará pequenos programadores que dependem da publicidade dirigida para sobreviver, além de também afetar o funcionamento das apps do grupo Facebook que os usam com grande extensão.

O Facebook acusa a Apple de concorrência desleal ao beneficiar os seus próprios serviços e de não submeter as suas soluções aos mesmos critérios que impõe às demais. A rede social está preparada para colocar a Apple no banco dos réus por isso mesmo.

Cook expressa agora a sua preocupação perante o clima polarizado que se vive no mundo. Algo que é tão mais visível nas redes sociais e que terá sido por estas criado, um clima de medo, desinformação e, em última instância, incitador de violência.

Polarização, e desconfiança alimentada pelas redes sociais, a crítica de Cook

Tim Cook Apple

O executivo da Apple coloca a mão na consciência e assume que a tecnologia não pode continuar neste rumo. Um clima que conduz à desconfiança no sistema, ao descrédito de tudo e que alimenta (ao mesmo tempo que se alimenta dos dados dos utilizadores) visões diametralmente opostas, fraturando a sociedade.

"Já é mais que tempo de pararmos de fingir que esta abordagem não tem os seus custos - de polarização, de falta de confiança e, sim, de violência", frisou Cook na sua intervenção.

O responsável da Apple deixa também um aviso. "É um dilema social que não podemos ignorar, sob pena de se transformar numa catástrofe social".

Em resposta às críticas da Apple, o grupo Facebook mantém a sua posição, acusando-a de concorrência desleal.

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Rui Bacelar
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