Serão os drones uma benção ou ameaça à segurança pessoal em 2023?

Rui Bacelar
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A evolução rápida dos drones não deixou ninguém indiferente, sobretudo junto dos entusiastas de fotografia e vídeo. A sua rápida disponibilização no mercado comportou uma baixa de preço que colocou estes produto ao alcance do consumidor comum.

Porém, não tardaria até que os relatos de uso indevido deste tipo de "brinquedos" com grande alcance e autonomia cada vez melhor, obrigassem à imposição de regras mais restritas para o seu uso.

A propósito, damos agora a conhecer o mais recente estudo da Prosegur onde são expostas várias preocupações, pertinentes, atinentes ao uso deste tipo de produto, os drones.

Drones melhoraram exponencialmente nos últimos 10 anos

Drone Portugal

Nos últimos anos, os drones passaram por desenvolvimentos tecnológicos que melhoraram as suas características e impulsionaram a sua utilização em diferentes setores.

Alguns dos avanços mais importantes estão relacionados com a inclusão de sensores mais avançados (movimento, temperatura, proximidade), tudo para facilitar a sua condução e utilização.

Em simultâneo, tivemos também a redução de emissões eletrónicas para conseguir menos detetabilidade, possibilidades de neutralização eletrónica.

Sem esquecer as melhoria de materiais e tecnologia, redução de tamanho e pegada eletrónica, acústica e de radiofrequência com o objetivo de tornar a sua deteção mais difícil.

Drones são usados para captação de fotografia e vídeo, mas não só...

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Como resultado, os drones adquiriram grande relevância, com a sua comercialização a abarcar desde brinquedos a armas. Desse modo, projetando um alcance económico muito forte para os próximos anos.

Especificamente, estima-se que o mercado atinja 90 mil milhões de dólares até 2030.

Infelizmente, no revés da moeda, a popularização da utilização destes dispositivos, a diminuição do custo de produção e o consequente aumento da acessibilidade levaram diferentes organizações criminosas a incorporar este tipo de tecnologia nas suas operações.

A este respeito, a Prosegur Research, o Prosegur Insight&Trends Center, analisou, no seu relatório "Os Zumbidos do Mundo Criminal", já online.

Aí partilharam as principais utilizações de drones detetadas para fins criminosos, a saber:

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1. Obtenção de informação e imagens privadas pela câmara do drone

As câmaras e sensores nos drones facilitam aos criminosos a obtenção de informações sobre as vítimas ou potenciais vítimas.

Desta forma, podem ser obtidos e utilizados dados relevantes e imagens privadas para efetuar a vigilância, controlo e seguir as vítimas.

Além de violar a privacidade das pessoas, as imagens obtidas por drones podem ser utilizadas para chantagem e/ou extorsão. Isto bem como no desenvolvimento de roubos e assaltos, tanto de indivíduos como de bens.

Por outro lado, a utilização de drones para vigilância por empresas ou indivíduos privados foi alvo de críticas por alegada espionagem abusiva.

2. Utilização criminosa no transporte de mercadorias com drones

A utilização de drones para atividades de tráfico facilita a ação criminosa, uma vez que minimiza o nível de risco para o infrator e acelera os processos de entrega.

A sofisticação adquirida pelos drones neste sentido permite que o transporte de mercadorias seja utilizado para explosivos, materiais poluentes e mesmo bactérias e outros materiais que tenham impacto na saúde.

Destacam-se especialmente os casos de tráfico de droga ou contrabando em locais especialmente vigiados. Aqui tais como fronteiras, bem como exemplos de contrabando nas prisões para entregar telemóveis ou armas.

3. Ciberataques

Quanto a ataques lógicos, vale a pena notar a ampla capacidade de comunicação dos drones com diferentes dispositivos, permitindo uma grande diversidade de ciberataques ágeis e dificilmente detetáveis.

Uma das mais comuns é a criação de uma rede Wi-Fi móvel falsa ou um ponto de acesso não autorizado. Isto para intercetar o tráfego de rede dos smartphones ao alcance e captar informações sensíveis dos utilizadores.

Os drones também podem desativar redes Wi-Fi, rádios ou outros dispositivos, bem como fazer-lhes um ataque de desautenticação local (local deauthentication).

Se estes ataques forem efetuados a empresas que realizam atividades essenciais ou particularmente sensíveis, pode ser um ataque terrorista de alto impacto para os cidadãos ou uma poderosa forma de extorsão.

Em suma, apesar de toda a sua componente lúdica e prática e pragmática, é um tipo de produtos que facilmente pode ser usado para fins ilícitos, algo a prestar atenção.

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Rui Bacelar
Rui Bacelar
Na escrita e comunicação repousa o gosto, nas leis a formação. Ocupa-se com a atualidade tecnológica na 4gnews. Email: ruibacelar@4gnews.pt