Antes de dormir, é hábito de milhões (e milhões) de pessoas em todo o mundo fazer scroll no telemóvel. Depois desse período destinado a navegar pelo TikTok, Instagram e não só, o normal para muitos é pôr o telemóvel ao lado com o despertador e, por fim, dormir.
A questão que se coloca é: será essa uma boa prática a adotar?
O que dizem os especialistas?
Em entrevista ao Observador, a médica Vanessa Mendes, do podcast "Tratar da Saúde", explica que adormecer e acordar com o telemóvel ao lado pode ter um impacto direto na nossa saúde, de diferentes maneiras.
"A principal é o impacto na qualidade do sono. A luz emitida pelo ecrã, sobretudo a luz azul, interfere com a produção de melatonina, que é a hormona responsável por regular o sono. E isto pode atrasar o adormecer e tornar até o sono mais superficial e também menos reparador" - refere a especialista.
Contudo, esse não é o único problema. Também o teor do que consumimos tem bastante importância e influencia a qualidade que o sono vai ter. Ou seja, conteúdos mais stressantes "aumentam a ativação mental e dificulta a transição para o sono", já que o cérebro não desliga realmente.
Radiações: mito ou verdade?
Outra ideia que se associa a dormir com telemóveis é a de que estes emitem radiações. É um facto, mas, como refere a doutora, em entrevista ao Observador, "até ao momento não há evidência consistente de que esta exposição aos níveis habituais cause doença". Mesmo assim, é de evitar.
Dito isto, uma boa medida pode passar por evitar o uso de ecrãs, entre 30 a 60 minutos antes de ir dormir. Supondo que é estritamente necessário dormir com o telemóvel ao lado, o ideal é manter em silêncio, evitando assim a hipótese de acordares com notificações.
Outras teorias defendem ainda que, inconscientemente, o telemóvel ao lado aumenta a ansiedade. Isto é, pela proximidade ao teu dispositivo, a tendência de ver se chegou alguma novidade é maior.