A nova diretiva europeia do direito à reparação reacendeu uma dúvida muito prática: vale a pena reparar ou é melhor comprar novo? Fomos comparar preços reais de reparações comuns com o custo de equipamentos equivalentes vendidos em Portugal.
O resultado surpreende: na maioria dos casos, reparar continua a compensar financeiramente. A exceção mais comum é a troca de ecrã em smartphones já desvalorizados.
A diretiva europeia pretende tornar a reparação mais acessível e transparente, mas não significa que as reparações passem automaticamente a ser baratas. O objetivo é facilitar o acesso a peças, informação técnica e serviços de reparação em várias categorias de produtos.
A comparação que interessa
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Aparelho |
Reparação |
Novo equivalente |
Compensa? |
|---|---|---|---|
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iPhone 13 |
Bateria: 99 € (Apple) |
iPhone 16e: 739 € (Worten) |
✅ Sim |
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iPhone 13 |
Ecrã: 405 € (Apple) |
iPhone 16e: ~600€ (Worten) |
⚠️ Depende |
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Samsung Galaxy S23 |
Bateria: 50–60 € (iServices) |
Galaxy S25: ~940 € (Samsung) |
✅ Sim |
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Samsung Galaxy S23 |
Ecrã: 226 € (iServices) |
Galaxy S25: ~940 € (Samsung) |
✅ Sim |
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Xiaomi Redmi Note 13 |
Ecrã: 126€ (iServices) |
Xiaomi Redmi Note 15: 190€ (Worten) |
⚠️ Depende, mas provavelmente não |
A regra dos 50%
Como é evidente, os valores que te estamos prestes a dar não são matemática exata. Em última instância, cabe sempre ao utilizador avaliar se quer reparar ou comprar novo. Contudo, para esta comparação, usámos uma referência prática frequentemente utilizada no mercado da reparação
- Até 30% do preço de um novo: reparar quase sempre compensa
- Entre 30% e 50%: depende da idade e do estado do equipamento
- Acima de 50%: comprar novo costuma ser a melhor decisão financeira
O que quase sempre compensa reparar
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Baterias de smartphones
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Bombas de máquinas de lavar
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Termóstatos e sensores de frigoríficos
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Peças mecânicas simples
Nestes casos, a reparação representa normalmente 10% a 30% do valor de um equipamento novo.
E a diretiva europeia?
A Diretiva (UE) 2024/1799 abrange produtos com requisitos de reparabilidade no Ecodesign, incluindo smartphones, tablets, frigoríficos, máquinas de lavar e ecrãs. Como o 4gnews te deu a conhecer recentemente, Portugal tem até 31 de julho de 2026 para a transpor para a lei nacional.
Então, o que faria mais sentido?
Para a maioria dos equipamentos analisados, reparar continua a ser a opção mais barata. A única situação em que a compra de um novo começa a fazer mais sentido é quando a reparação se aproxima de metade do valor de um equipamento equivalente.
E é precisamente esta conta, e não a nova lei europeia, que acaba por decidir o destino da maioria dos telemóveis e eletrodomésticos em Portugal. Ainda que, como é evidente, cada caso é um caso.
